sexta-feira, 3 de abril de 2009

SPOOK - Parte V


Pág.42

"Os cientistas sempre suspeitaram que a geração humana estava relacionada com ovos - toda a gente que possuía uma galinha suspeitava deste facto - e sabiam também que estava relacionado com relações sexuais e semen, mas não estavam esclarecidos quanto às suas especificidades. Isto acontecia sobretudo porque não podiam ver as especificidades. (...)

Isto significa que há seis milhares de anos havia imensa especulação interessante sobre a criação de novos seres humanos. Uma das primeiras e mais especulativas foi realizada por Aristóteles. O sábio grego (...) decidiu que o sémen humano providenciava a alma do novo indivíduo. Naquele tempo, o espírito era visto como um tipo de vapor ou de sopro, o que estabelecia uma ligação óbvia entre a respiração e o estar vivo. Daí o nome de Aristóteles para o espírito: pneuma, que significa vento em grego. Ele acreditava que era este pneuma que, transportado no sémen, orquestrava a criação de um potencial ser humano. Ao chegar ao interior do útero, o pneuma poria mãos ao trabalho e começaria a construir uma nova vida, a partir dos materiais que tinha à mão: sangue menstrual (...). Aristóteles descreveu o processo como um tipo de coagulação, utilizando a perspicaz, senão pouco elegante analogia de uma coalheira de um queijeiro de solidificar leite. Eram necessários sete dias para a nova identidade se "estabelecer" na altura em que o pneuma se infundiria com a primeira de três eventuais almas. Esta alma vegetativa, como era designada, era uma espécie de alma inicial, uma licensa de aprendizagem ara a existência humana. Tratava-se de uma coisa que come e cresce: algo mais do que uma batata, mas menos do que um ser humano.

Ao quadragésimo dia, teorizou Aristóteles, o proto-humano, transformar-se-ia naquilo que ele designou como alma sensitiva. Para ele "sensitivo" queria dizer "relacionado com os sentidos", uma vez que os órgãos sensitivos do embrião começam a surgir após quarenta dias. Depois de uma quantidade de tempo não especificada ter passado, o pneuma permitiria à alma sensitiva, recentemente criada, ascender a uma alma racional. (...)

E era basicamente nisso que as pessoas acreditavam há dois mil anos atrás, depois de Aristóteles ter transmitido a palavra. O homem que promoveu o ovo ao papel de liderança no procedimento foi um físico inglês do século XVII, William Harvey."



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