sábado, 22 de agosto de 2009

Pecado #1: Gula

Normalmente um excesso tem origem em outro excesso, um desequilíbrio em outro desequilíbrio. Quando alguém come demais, pode muito bem ter passado fome em outra existência. Ou não. A comida é muitas vezes interpretada pela nossa mente como sendo uma protecção, algo que nos dá forças e quando necessitamos de protecção a outros níveis, mesmo que não tenhamos necessidade de nos alimentar mais a nível físico, procuramos muitas vezes suprir essa necessidade, essa carência, comendo, o que nos leva a comer mais, e mais, cada vez mais, pois buscar suprir carências emocionais com base no exterior, é perpetuá-las; podemos sossegar os nossos conflitos a partir do interior, dominando a mente, proporcionando-lhe as respostas de que necessita aos seus conflitos internos. Basta clarear a mente. Creio que, no nosso mundo industrializado se come muito mais do que se necessita verdadeiramente, pois existe muito alimento à disposição e recorre-se a ele como fonte de prazer e bem-estar, quando o nosso déficit interno de felicidade nos leva a procurar no exterior aquilo que deve ser suprido a partir do interior. Come-se mais porque se come por motivos que não se prendem com as necessidades físicas. Há, no entanto, um número imenso de situações que podem originar desequilíbrios a este nível, nomeadamente, o facto de se ter pertencido a uma cultura em que a gordura era incentivada e apreciada, muitas vezes por representar sinal de riqueza. Isto, olhando o significado de forma literal; claro que a "Gula" pode ser interpretada como a atitude de quem não sabe medir os sues limites, de quem não sabe quando parar. Mas a situação de base é mais ou menos a mesma; provavelmente na base de todos os pecados está esse mesmo déficit de felicidade interna.

Contudo, esbarro-me aqui com algo intransponível, por ser subjacente ao tema deste desafio: a noção de pecado. As religiões, nas suas boas intenções, estabelecem como leis da matemática, regras sobre domínios muito mais amplos, como é o caso da natureza humana. O "erro" é inevitável, uma vez que cada ser humano tem uma natureza própria, difícil de ser compreendida pelo próprio, quanto mais por segundos e ainda menos por terceiros. Além disso, num mundo em mudança, não é de bom senso estabelecer leis rígidas e encará-las como imutáveis. Até mesmo comer em demasia pode contribuir para algo positivo, coisa que não vemos se estivermos somente atentos ao seu aspecto descontrolado superficial. As respostas à questão do "certo" e do "errado" devem repousar sobre uma análise detalhada de cada situação, face à qual devemos combinar razão e intuição, e na qual devemos procurar, criativamente, a forma mais positiva possível de responder. E aquilo que desempata quando queremos perceber se estamos a errar ou não tem a ver com a interferência que possa causar na vida alheia. Claro que é muito mais fácil prender-nos a critérios estanques e agir sempre de acordo com eles, mas até para isso é necessário entendimento e flexibilidade , pois os contextos que nos são colocados são sempre diversos, e ser-se coerente é sempre um desafio. Perante esta realidade, acabamos por ser obrigados a ir modificando esses mesmos critérios, por mais estanques que sejam e a ir desenvolvendo a compreensão e a capacidade de análise para que a cada instante nos adaptemos às realidades que vão surgindo. Claro que este processo sugere lentidão e requer tempo, mas é como tudo; a prática leva a perfeição. Assim habituemos o cérebro e este tipo de análise, ele começará aos poucos a fazê-lo cada vez mais rapidamente até se tornar automático, mas devemos voltar sempre ao período de prática.

A minha relação com a gula é a seguinte: ao nível da concepção do senso comum de gula - é provavelmente dos campos da minha vida em que procuro ser mais restritiva, também porque tenho mais facilidade. Não sou nem nunca fui particularmente esfomeada, como o meu pai diz "não vivo para comer, como para viver" (sou parecida com o meu pai em muitas coisas, muitas mesmo). A comida não é um dos meus prazeres. Quando vivia medicada, as medicações aumentavam-me muito o apetite e nessa altura eu soube o que era ter prazer em comer... confesso que era interessante!! Mas à medida que o meu corpo se vai desfazendo dos químicos, naturalmente vou sentindo cada vez menos necessidade de comida. Era interessante sentir prazer com a comida, mas o preço a pagar em retorno era demasiado alto: resultava que eu engordava e sentia-me bloqueada interiormente; sentia que a energia não fluía; sentia-me literalmente pesada, quer fisicamente, quer emocionalmente, quer a outros níveis. Como se a minha mente funcionasse com menos eficácia. Continuo a sentir muito prazer com a comida, aliás, cada vez mais, no entanto, segundo uma lógica diferente: comer cada vez menos aprimora o paladar, tornando os sabores mais intensos e perceptíveis. Assim, consigo apreciar cada vez melhor coisas que outras pessoas consideram ter pouco gosto, mas consigo comer apenas em pouca quantidade comida com sabores muito fortes, coisa que também aprecio, mas que depressa me sacia. Progressivamente, também, tenho sentido menos necessidade de produtos de origem animal. Naturalmente e aos poucos, fui eliminando estes produtos da minha dieta. Não tenciono tornar-me vegetariana; conheço as vantagens do processo: quanto mais consciente a entidade que eliminamos para que nós próprios possamos subsistir, mais "dívidas kármicas" acumulamos, logo é normal que o nosso corpo acumule energia negativa. No entanto, um processo de mudança demasiado brusco poderia levar a uma acumulação ainda maior de energias negativas; por isso mesmo, devemos ouvir o nosso corpo e ir fazendo o que nos pede. Pelo menos eu, no meu caso específico.

Em relação à gula em sentido figurado; o pecado capital de desejar sempre mais e não se contentar com o que se tem - tenho a acrescentar que compreendo o motivo pelo qual é considerado um pecado, mas antes de mais devemos ter piedade para com quem peca: o pecado acaba sempre a voltar-se contra o pecador. É infeliz aquele que vive em estado permanente de desejo desenfreado e se comporta como uma criança mimada que é presenteada sucessivamente pelos pais e não dá valor a nada do que recebe. Assim, se nos contentarmos com as inúmeras pequenas coisas que o dia-a-dia nos oferece, criaremos um estado de contentamento que atrai mais contentamento. Pessoalmente, há pequenas coisas que me fazem profundamente feliz: o mar, nadar, seja no mar, seja no rio, seja na piscina, o barulho das ondas, a Mafalda e as suas traquinices, os meus meninos e as suas traquinices, o meu refúgio decorado a preceito, numa tentativa de reflectir o meu presente, cada momento do meu passado e um pouco do meu futuro, os meus trapos, que procuro conjugar a cada dia de forma diferente, de forma a conseguir efeitos diferentes a cada dia e assim estimular a minha criatividade, a minha escrita e procurar novos caminhos por onde a fazer avançar, a minha música, cantá-la explorar-lhe as letras e os sons, descobrir-lhe os recantos, viver a minha vida ao som dela; deixar que entre dentro do meu corpo e se apodere dos meus movimentos, fluir com a música como se ela e eu fossemos uma só entidade; os meus filmes e o desafio de procurar interpretá-los e analisá-los; os meus livros e o desafio de deixar que me façam crescer... as pessoas de quem gosto, as brincadeiras, as saídas, as loucuras que se fazem e dizem, mesmo que ao redor hajam olhares depreciativos de quem leva a sua vida amargurado (a) e não compreenda, e sinta que não são atitudes dignas de gente que já passou da idade das brincadeiras. Um simples jogo de vídeo que parece abrir-me pelo menos a porta para que um dia venha a conseguir tocar guitarra - não o meu objectivo supremo em termos musicais; trata-se de um simpático degrau na longa caminhada que compreender as estranhas da música e dominar-lhe os caprichos. Extrair música de um objecto é das artes mais sublimes, arte que já tentei dominar, mas acontece sempre algo aos meus presumíveis professores de guitarra, que acabo sempre com ela na mão e entregue a mim mesma. É, contudo, algo por que penso valer a pena lutar. A minha permanência dentro de casa, não é dolorosa como no caso de muitas pessoas que conheço; se puder sair, pois certamente sairei, não com qualquer pessoa, pois tenho tanto que fazer em casa para me aprimorar a mim própria nos mais diversos campos, que não posso desperdiçar o meu tempo, utilizando-o para conversas fúteis que não levam a lado nenhum. Existem provavelmente, basicamente, apenas dois tipos de pessoas com quem acho correcto utilizar o meu tempo: aquelas com quem eu gosto de estar e/ou aquelas que sinto que de alguma forma precisam de mim para alguma coisa que eu entenda ser-lhes devida. E em tudo isto se vão encontrando pequenas felicidades (e eu tenho tantos mtivos para ser feliz; não pelo que possua materialmente, mas pela forma de encarar a vida que conquistei), que reconhecidas, geram sentimentos positivos de gratidão ao Universo, que nos diz: "dei-te um presente, ficaste grata, reconheceste, logo, mereces mais" e em breve a estas pequenas coisas vão-se juntando outras maiores: pessoas cada vez mais significativas, e experiências cada vez mais enriquecedoras.

No que diz respeito a fome de viver, de facto, a uma primeira vista posso parecer uma gulosa esfomeada. Mas possuo um travão interno que me diz a cada instante que terei aquilo de que estou pronta a usufruir a cada momento. Assim, embora deseje muito da vida, aguardo tranquilamente, pois sinto que a cada instante dou e/ou recebo o máximo que posso dar e receber. Não sou gulosa, pois não me deslumbro com o que a vida me trás; trabalhei para isso, quando recebo sei que é merecido, logo tendo a não perder facilmente aquilo que conquistei. Dou sempre valor a cada pequena coisa e sei agradecer até mesmo essa postura, que considero uma bênção. Cresci assim, mergulhada nesta alegria e um dia perdi-a, sem eu mesma perceber muito bem porquê. Há pouco tempo reavi essa mesma postura, essa mesma alegria e estou muito grata por poder viver assim num estado de plenitude relativamente alargado, tendo pelo menos em atenção a realidade dos meus últimos 15/20 anos. Estou longe de alcançar algum cume, mas sei que para lá caminho e isso deixa-me tranquila e feliz, e segura quanto às dificuldades que possa encontrar pelo caminho. Sinto-me cada vez mais próxima daquilo que um dia foi a minha realidade, mas que, durante anos a fio, passou a pertencer apenas ao domínio do sonho: este bem-estar, esta plenitude interior, este amor que progressivamente tenho sentido cada vez mais nos últimos tempos, e que pareço ir emanando cada vez com mais vigor, formando uma nuvem que parece ela própria querer espalhar-se ao meu redor. Que o meu interior se encha de amor progressivamente... e que aos contextos circundantes suceda o mesmo. Que eu encontre os contextos adequados, bons condutores desta energia que começa agora a circular no meu interior.

Coming next: Virtude#1 - aquela que compensa a gula - a temperança.

Sonhos


Sou uma concretizadora de sonhos. Já concretizei muitos, já estou habituada a ver as imagens que a minha mente formula tornarem-se em realidade. Esse "jamais" virão ter às vossas mãos" é claramente abusivo. Ao conseguir atingir os meus sonhos, vejo que são ainda mais belos do que pintava a minha imaginação.

Não sei exactamente qual o significado da resignação; se desisti algumas vezes de algumas coisas, foram de facto coisas menores que provaram não valer o esforço. É, de facto, extremamente raro ver-me desistir seja do que for. Mas acontece.

Claro que, ao longo do caminho, à medida que as possibilidades vão variando, por vezes vou adaptando os meus sonhos ao possível, mas isso não costuma retirar-lhes qualquer qualidade.

Não me parece que as desilusões ajudem quem quer que seja a caminhar. E se ajudarem, é mau sinal para essa pessoa, é sinal de que ainda tem muitas desilusões pela frente. Quando sofro uma desilusão (coisa que sucede com pouca frequência), procuro aprender com o sucedido, tirar disso proveito, colocá-lo a meu favor; no entanto, não é por isso que vou desejar que me sucedam desilusões. Pensarei sempre que se ocorreu desilusão, foi porque a consciência não chegava para mais, não chegava para evitar que isso sucedesse e isso é algo a evitar.

A experiência externa não é assim tão importante na caminhada; a par dela, existe também uma experiência interna tão válida ou mais, pois o caminho por que nos leva não é susceptível a que nos percamos com tanta facilidade.

De facto, vivemos num mundo que oscila entre extremos; mas a prática de uma filosofia de vida que estimule permanentemente a consciência, pode deslocalizar o eixo dessa oscilação: se queremos que o positivo seja mais positivo e o negativo menos, não é enfatizando o negativo; claro que se tomarmos balanço para baixo, conseguiremos chegar mais acima, mas se simplesmente utilizarmos um "dispositivo de oscilação" mais sensível, ele levar-nos-á mais alto, tornando o mais alto na norma, e levar-nos-á a abandonar de vez níveis mais negativos. Assim é a nossa mente.

Numa mente iluminada, altamente consciente e subtil, não é necessário chegar à desilusão e muito menos passar pela ilusão; uma mente consciente apercebe-se da ilusão antes que ela tome definitivamente conta da sua vida; a ilusão numa mente subtil não encontra solo fértil e a durar, dura muito pouco. Logo, não existe desilusão. Existe sim um coincidir de expectativas e reais possibilidades. E agora, algo muito importante: como tornar então a nossa máquina de análise tão eficaz que as desilusões não tenham lugar ou assumam pequenas proporções? Alargando a nossa consciência, tornando a nossa mente subtil. E como se faz isso? Meditando, por exemplo. Mas esvaziar simplesmente a mente parece ser insuficiente para tal. De facto. Esvaziar a mente, quanto a mim, equivale a retirar toda a mobília de dentro de um quarto para o podermos limpar melhor; para que depois, quando voltarmos a colocar tudo de novo, encontremos novos lugares para a mobília, numa disposição mais prática, evitando o desperdício de espaço. Meditar, esvaziar a mente é bom apenas porque estimula o pensamento; travá-lo num certo momento implica torná-lo mais eficaz depois. Intervalar tem esse efeito.

Pessoalmente, a insatisfação sempre me travou. Hoje, tendo aumentado consideravelmente os níveis de satisfação na minha vida, considero fazer frente à insatisfação com mais facilidade. A insatisfação não é combustível; a insatisfação é um bloqueio que ainda não conseguimos ultrapassar, o qual ainda não conseguimos iluminar através da consciência e, por isso, surge a dor. Sempre que não há consciência, há dor. E por vezes a dor é o único caminho que nos resta para levar à consciência; é o possível em muitos momentos, mas está longe de ser a solução ideal.

Jamais estaremos completos; estar incompleto é a nossa natureza. Mas devemos, mesmo dentro desse estado, conservar a paz de espírito. E isso consegue-se não com medo, não com angústia, mas com confiança. E a confiança consegue-se sabendo que a nossa consciência se alarga a cada instante, que caminhamos com o fluxo das energias universais, que minimizamos a resistência que lhes oferecemos, estando assim muito mais protegidos pelo Universo.

Conservar a paz de espírito é muito importante, pois o mundo que nos rodeia é um reflexo do nosso mundo interior; se dentro de nós não existirem conflitos, também não tendemos a projectá-los ao nosso redor. Possuir paz de espírito é essencial para não ferir os demais.

Como dizia Gandhi, a FELICIDADE não é a meta, a felicidade é o caminho. Não é o pote de ouro no fim do arco-íris; funcionar de acordo com essa lógica é semear a nossa própria infelicidade. É torná-la em algo que sucede apenas ocasionalmente e não num estado de espírito permanente, torna-nos pessoas com déficit de energia positiva interior, o que vai fazer com que a suguemos do exterior, retirando a felicidade aos demais. É a tal coisa: o perigo de buscar a felicidade no exterior; é fácil acabar-se a roubá-la a alguém. Enquanto que se a procurarmos no interior, ficaremos em contacto com uma fonte inesgotável de amor e felicidade; e ao invés de a caçarmos na fugacidade dos momentos da vida, é fácil fazê-la transbordar de nós para fora, para tudo o que nos rodeia.

É de facto, preciso que a fome se instale, mas numa alma trabalhada, essa fome nem chega a ser digna desse nome; é uma alma que reage ao mínimo estímulo negativo e imediatamente é catapultada para o positivo.

É preciso, contudo, que o pote de ouro exista. Se a nossa mente imaginou um pote de ouro que não existe, então necessita ser mais trabalhada.

Na plenitude da existência é que está a felicidade: no ligarmo-nos com a nossa essência; como dizem alguns, com o SER; como eu digo, sermos mais energéticos, possuirmos uma mente mais energética que se expande e ilumina a cada momento.

Os bens materiais não têm nenhum bem em si mesmos, nem tão pouco nenhum mal. Tudo depende da forma como os experienciamos: ficar apegados a eles costuma bloquear o fluxo energético e acaba por levar-nos a perdas e à dor.

Inspirado aqui.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Pablo Picasso e a verdade única


"Se apenas houvesse uma única verdade, não poderiam pintar-se cem telas sobre o mesmo tema." (Pablo Picasso)

Sabe-se lá o que quereria Pablo Picasso dizer com essa frase, não estou dentro da cabeça dele e quando não sei as coisas ao certo, calo-me, em vez de andar a chatear as outras pessoas. E quando não sei, pergunto, não atento contra a sua liberdade e integridade moral.

Mas posso deitar-me a adivinhar. E veja-se bem: é apenas uma tentativa, não vou à tumba do Picasso assombrá-lo com os meus maus fluídos, porque não concordei lá muito com o que ele disse. E se calhar até concordo, uma vez que me parece que na sua essência, embora utiliza palavras distintas daquelas que eu costumo utilizar, a ideia subjacente é muito semelhante àquilo em que eu mesma acredito. Cada dela que se pinta sobre o mesmo tema pode ser pintada porque existem diversas perspectivas sobre o mesmo. Reforça, portanto, a ideia de que existe uma verdade única, embora cada um de nós tenha acesso apenas a uma versão desta, e possa traduzir essa mesma versão em diversas linguagens, sendo as diversas artes formas de o traduzir. Talvez não fosse esta a ideia que Picasso quisesse, conscientemente, passar, mas é assim que eu interpreto.

Essência e diferenças


Perceber o que é certo e o que é errado não depende de normas sociais; mas regra geral é relativamente simples, basta sermos capazes de empatizar com os sentimentos alheios. Basta sabermos perceber verdadeiramente o que é melhor e o que é pior para os outros... mas isso é deveras difícil de se fazer e certamente sem nos relacionarmos de forma honesta e frontal com as pessoas, torna-se verdadeiramente difícil. Não é bonito sobreavaliarmos as nossas capacidades e avançarmos na direcção de outrém, que nunca nos fez mal nenhum, e desatarmos a bater, só porque essa pessoa disse umas quantas coisas que não nos agradaram. Que eu saiba, alguma liberdade ainda se vai tendo e a de expressão é uma delas. Ninguém tem esse direito e a intenção subjacente, mesmo que seja inconsciente, não é positiva, ainda que a intenção consciente o possa ser.

Não é a maturidade nem a experiência de vida que dão bom senso às pessoas. Tanta gente que já viveu tanto e continua estúpida. É a alma, a natureza das pessoas que faz o bom senso. Tantos pequenitos que nunca viram nada são muito mais sábios que os grandes.

O sentir deve ser influenciado pela nossa ligação ao todo Universal, e não ao que outros nos digam; a não ser que o que os outros nos digam tenha de facto a profundidade (compreensão) suficiente para poder ser levado em conta.

A questão da desobediência face à essência, tem a ver com a desarmonia de energias entre os nossos desejos, propósitos e metas e aquilo que realmente podemos e devemos fazer num certo momento. Tem a ver com uma fraca capacidade de avaliação. Isso sucede a qualquer ser humano que não adopte uma filosofia de vida em que desenvolva capacidades no sentido de "acertar" essas duas dimensões, uma com a outra. Nem é muito difícil, basta começar por querer realmente fazê-lo.

A vida não se vive sem se sofrer porque nunca nos dedicámos suficientemente a exterminar o sofrimento; se assim fosse, se massivamente tomássemos essa decisão, provavelmente passaríamos ao próximo nível. O sofrimento é a forma básica de nos levar à aprendizagem; como não percebemos os intuitos do mundo em que nos encontramos, precisamos levar tau tau no rabo, como as crianças pequenas. Claro que, as pessoas crescendo e começando a perceber as coisas, cada vez precisam levar menos tau tau (algumas); porquê? Porque têm consciência. Cada vez mais e isso liberta-as da necessidade de sofrimento. A consciência liberta-nos da necessidade do sofrimento, é uma teoria muito antiga.

Pode não ser de bom senso, num mundo de mudança, não deixarmos os nossos ideais mudarem; a nossa realidade é um reflexo do que vai por dentro da nossa mente; se não mudam as ideias, pouco mudará a realidade. Estamos num equilíbrio dinâmico; podemos sempre evoluir, mudar para melhor. Mudar para melhor, repito, não é andarmos constantemente a mudar só porque nos dá na telha, ao sabor do vento.

A questão é a que ideais nos agarramos e se eles são verdadeiramente importantes, em que se baseiam e se nos levam de facto a algum lado. Tudo é uma faca de dois gumes e não nos podemos esquecer de ver o outro lado das coisas. Normalmente gostamos e sabe-nos bem acusar os demais. Faz-nos sentir melhor. Ficamos a sentir-nos o máximo. Mas raramente nos damos ao trabalho de realmente analisar as situações e os dados que habitualmente temos disponíveis não costumam ser suficientes. Claro que se a pessoa em questão insiste em nos agredir e quer esclarecimentos sem nos fornecer esses dados, a coisa fica difícil, de facto.

Fazer igual aos outros, é, quanto a mim, uma postura negativa; devemos procurar a diferença, é certo, mas a diferença para melhor e esse melhor não tem de estar dentro dos parâmetros do que a sociedade define como melhor. Limitar-nos a agir igual, afasta-nos da nossa essência; quanto mais mergulharmos nela, mais próximos ficaremos do TODO, o UNO, a verdade, aquela que ninguém detém. Curiosamente é estimulando e tomando consciência das diferenças superficiais que conseguimos aprofundar-nos e mergulhar na nossa essência.

De facto, o amor é a chave para toda a sabedoria; mas o amor incondicional, esse sim, o amor espiritual e desinteressado que deveria constituir a nossa grande meta; não a relação de posse a que habitualmente chamamos amor.

Desistir pode ser um acto de bom senso, ou poderemos tornar-nos obstinados e obcecados. Sempre e nunca são palavras demasiado definitivas, regra geral, pelo menos.

Aqueles que mentem, colocam-se numa situação complicada, pois futuramente, mesmo que tentem falar a verdade, ninguém acredita. As tentativas de trazer os que se ama para perto deveriam ser ditas recorrendo à honestidade. Assim, talvez, apesar das mentiras, acreditem em nós. Caso contrário, as palavras do mentiroso parecerão sempre falsas. Por mais belas; será uma beleza meramente superficial.

Ninguém tem o direito de impedir alguém de viver na sua razão. E de acordo com aquilo que acredita. Assim aquilo que acredita não interfira com a liberdade alheia - e aí reside a grande dificuldade.

Se não houvesse uma verdade igual para todos estávamos bem arranjados... o mundo seria um local de arbitrariedades, que é provavelmente o que muita gente deseja.

Inspirado aqui. (Post de sexta-feira, 21 de Agosto de 2009)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Estou cheia de vontade...

... de responder (à minha maneira) ao desafio lançado pelo blog BD Bord!! Resolvi, por isso, subverter um pouco as regras, como eu tanto gosto de fazer!! É um desafio sobre virtudes e pecados... :) Acho que vai ser girissimo!!

Amizade


O nosso verdadeiro EU é como uma cebola... tem imensas camadas... com a única diferença de que o nosso EU é infinito, pelo que conservar-nos fiéis a ele implica algo de dinâmico; implica não um processo estático de se permanecer ligado a algo imutável, mas um processo de descoberta permanente.

E esse processo e a sua qualidade condicionam a qualidade do relacionamento que conseguimos com os demais.

Poderosos


Podemos escolher os nossos governantes... mas ao escolhê-los, não podemos ser totalmente responsáveis pelas suas acções, pois isso só o próprio. É por isso que creio que não se deve subscrever totalmente a posição de outrem, seja político, seja quem for. O nosso destino não está directamente dependente dos nossos governantes, mas de algo maior: o Universo. E é com ele que nos devemos tentar entender no que toca a dar e a receber.

De facto, acredito que é possível ter governantes honestos, embora a sua missão seja mais complexa do que a dos demais, já que fazer a coisa certa, assim como percorrer o caminho menos percorrido, implica geralmente percorrer uma distância maior, fazer algo mais difícil. No entanto, nada é ao acaso, neste mundo: os resultados também são mais prolongados e mais consistentes.

De facto, nenhum factor externo determina o homem; o homem possui dentro de si aquilo que precisa para escolher correctamente; o resto é uma questão de consciência e de inteligência. Não é o poder que corrompe o homem, mas o homem que liberta o que tem de negativo face ao poder. É, aliás, frequente assistirmos a esta realidade: quando temos algo de muito positivo, quando temos tudo e mais alguma coisa, tendemos a perder o rumo e deixar sair para fora o nosso pior. É preciso uma atitude vigilante para não permitir esta mesma desorientação.

Por vezes é difícil escolher quem nos governar... é que das opções que existem à escolha, nenhuma consegue escapar às malhas do poder. Por melhores intencionados e mais idealistas que sejam. Seria bom se cada ser humano se soubesse governar a si mesmo. O mundo dispensaria governantes.

Inspirado aqui.

Amizade

Aqueles que sempre contigo concordam podem ser de muitos tipos; é bom que comecem por concordar, de facto, mostrando que te compreendem e sobretudo que te aceitam como és, não oferecendo resistência ao teu ser nem às tuas ideias. Se forem de facto teus amigos, buscarão o momento certo de te dizer aquilo que acham, de uma forma que não crie conflitos. Isso mostra que aquilo que têm para dizer é verdadeiramente importante e não palavras precipitadas, proferidas a quente, que o vento leva. Todas as nossas acções devem ser reflectidas e não devemos colocar obstáculos ou interferências àquilo que não conhecemos bem. Antes de conhecermos bem é nosso dever por termos sido colocados neste mundo, sabermos antes de mais aceitar, numa tentativa de compreender, para então melhor aconselhar e, eventualmente, se tiver de ser, discordar, mas isto apenas se se justificar, com o devido conhecimento de causa.

Não é por ser a mãe do ridículo que nos devemos guardar da presunção; é porque o Universo tende a retribuir-nos na moeda que lhe oferecemos. É difícil confiar num Universo que nos trata com presunção, rebaixando-nos a cada instante.

Nenhum de nós erra verdadeiramente; todos os nossos actos têm causas e é nessas que devemos centrar as nossas atenções; se quero ajudar um amigo não lhe direi que erra, mas mostrar-lhe-ei porque motivo deve superar a sua forma de agir, uma vez que eu vislumbro uma forma mais positiva e ele provavelmente não. Tenho o dever de tentar despertar essa mesma atitude mais positiva, mas ela só será possível porque a anterior esteve lá para lhe servir de degrau. Os erros são degraus sem os quais não conseguiríamos ascender na escala da evolução da consciência. Não é bom sinal que um ser humano ascenda baseado na ideia de erro. Está a saltar degraus, o mais certo é acabar por cair.

Se nos iluminarmos, os nossos desejos deixarão de o ser, pois libertar-nos-emos deles; os nossos "desejos" conciliar-se-ão com a premunição do que está por vir.

O perdão não deve ser encarado de forma passiva. Não posso perdoar aquele que sei que vai cair novamente na mesma situação, quando existe algo de mais positivo que poderia fazer. É meu dever, minha obrigação indicar-lhe esse caminho, de forma o mais positiva, ainda que me ostilize ou tenha ostilizado. Essa é uma acção de amor, um perdão que não é passivo mas dinâmico, um amor que de nós emana e irá certamente retornar a nós.

Se quisermos descortinar uma forma positiva de conseguir os nossos intentos, é mesmo só uma questão de inteligência e consciência, pois a via negativa, por mais inteligente e elaborada que pareça é sempre menor e corresponde sempre a um nível inferior de consciência, a um nível inferior de inteligência.

O nosso verdadeiro EU é como uma cebola... tem imensas camadas... com a única diferença de que o nosso EU é infinito, pelo que conservar-nos fiéis a ele implica algo de dinâmico; implica não um processo estático de se permanecer ligado a algo imutável, mas um processo de descoberta permanente.

E esse processo e a sua qualidade condicionam a qualidade do relacionamento que conseguimos com os demais.

Inspirado aqui.

A verdade e a mentira


"Liars when they speak the truth are not believed."
Aristotle (384 BC - 322 BC), from Diogenes Laertius, Lives of Eminent Philosophers

Este é um dos motivos pelos quais não devemos brincar com a mentira. Ela é necessária, claro que é necessária; tudo o que existe neste mundo, existe por algum motivo e há certamente forma de o aproveitar positivamente; normalmente quando tiramos bom proveito de algo negativo e o colocamos a serviço de algo positivo, o resultado é que minimizamos o negativo, ao contrário do que possamos supor. Mas questiono-me agora; se vivemos num mundo se ilusões, então tudo isto em que vivemos inseridos, não é uma grande mentira? Uma alucinação colectiva? Que mal faz mais uma mentira? Na verdade, no geral, não faz mal nenhum. Nós e as nossas limitações, assim como a nossa visão fragmentada do real, devidos a utilizarmos uma parte consciente muito pequena, faz-nos dar uma visão constantemente fragmentada do real, por mais verdadeiros que tentemos ser; uma visão que não corresponde à Verdade. Logo, de facto, uma mentira não faz grande diferença. No entanto, mentir significa afastar-nos da Verdade, da energia, do Amor. A mentira só por si não teria problema se não levasse a uma fuga da Verdade, se não abrisse portas a um caminho contrário do da consciência. Leva-nos, em primeiro lugar, a caminhar longe de nós mesmos. Leva-nos à inconsciência a nosso próprio respeito. A mentira deve ser, portanto, evitada, e utilizada apenas em última análise. Claro que por vezes não temos alternativa. Poderemos ter de mentir para não magoar alguém, mas se tivermos sensibilidade conseguimos perceber se é mais importante para essa pessoa saber a verdade ou não. Talvez noutra altura, talvez noutro contexto, talvez nunca contemos a verdade; mas a primeira coisa a ter em conta aquando das nossas decisões são os sentimentos alheios; e uma boa compreensão dos sentimentos alheios implica necessariamente uma boa compreensão dos nossos próprios sentimentos. Há pessoas, como eu, que preferem a verdade acima de tudo, independentemente da dor que possa causar, sendo a mais cruel das verdades preferível para mim à mentira, que tomo como um insulto à minha inteligência e à minha honestidade.

Convivi na minha infância com uma amiga mentirosa compulsiva. Passou a infância toda a mentir, e embora me tenha afastado dela, apesar de 20 anos de convivência, sei que continua hoje a mentir. De alguma forma é feliz à sua própria maneira, cria cenários e vive-os como se fossem reais, ela realmente acredita que aquilo que diz é verdade e vive em sonhos as realidades que ela própria cria, com uma tal convicção que engana todos ao seu redor. Menos a mim, que 20 anos foram o que me bastou para perceber a doença daquela pessoa que, contudo, não posso forçar a tratar-se; o máximo que pude fazer, foi, de facto, afastar-me. Bem, na verdade, não me afastei; é que além de mentirosa, esta minha amiga era também profundamente invejosa e quando a minha vida deu uma reviravolta, para ela foi simplesmente insuportável ver a sua amiga deprimida feliz e acabou por se afastar. Eu, contudo, como sempre e como considero ser minha obrigação, continuo aqui, de facto, vigiando-a de longe, mantendo-me minimamente informada, para o caso de ela vir a necessitar de alguma coisa. Que acho que virá a necessitar um dia, é uma intuição. Ela sabe perfeitamente que de todas as pessoas no mundo, a única minimamente capaz de a compreender devo ser eu. Ela até já se esbarrou na sua alma gémea, (alguém exactamente como ela) mas afastaram-se, porque ambos não se compreendem a si próprios, logo são incapazes de compreender o outro. Creio que aos poucos se tem vindo a enredar nesta teia de mentiras e por acreditar nos seus próprios cenários, coíbe-se de criar outros mais verdadeiros, com realidade material... é uma necessidade que todos temos. a de ver as coisas materializadas... creio que ela não construirá grande coisa segundo este sistema, ela não tem nada, nem amigos consegue ter, pois quem se aproxima mais acaba por descobrir-lhe a careca... acredito que um dia, quando não tiver forças para construir seja o que for, olhará ao seu redor e verá que não tem nada. E aperceber-se-á de que a sua felicidade até aqui sempre foi vazia. Se isso de facto acontecer, como creio que seria até o melhor para ela, sei que a primeira pessoa a quem procurará serei eu. Mas antes disso não acredito que se queira aproximar, pelo menos por bons motivos... ela sabe que agora as coisas ao meu redor funcionam de outra maneira e sabe que eu já não toleraria certas coisas...

A mentira cria barreiras, obstáculos, nós de energia, que impedem o fluxo de se fazer da melhor maneira. A mentira precisa deter uma muito boa intenção por trás para escapar a esta realidade. Uma intenção de amor incondicional, de consciência profunda, daquela que começa sempre em nós mesmos.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Voltando ao Banquete de Platão: a verdade


Pág.7, Prefácio

“No Banquete de Platão, Sócrates diz:

Um homem que pratica os mistérios do amor estará em contacto não com um reflexo, mas com a própria verdade. Para conhecer essa bênção da natureza humana, não se pode encontrar melhor auxílio que o amor.”

Quando fiz o post acerca deste excerto, não dissertei acerca da questão do reflexo e da verdade. Esta é uma questão profundamente interessante; afinal de contas, somos fragmentos do TODO; como tal, a uma primeira análise, se por definição somos parte do todo, isso significa que não podemos ter acesso ao TODO. E se o todo é a verdade, então um ser humano jamais pode ter acesso à verdade. No entanto, se assumirmos como verdadeira a premissa que aprendi quando estudei Teoria de Conjuntos de que se o todo contém a parte, então também a parte contém o todo, torna-se lógico que em cada um de nós também exista esse mesmo TODO... contudo, a nossa existência parece dever-se precisamente às diversas partes do todo que trazemos mais ou menos consciente. Isso define o que somos, fisicamente, psicologicamente e não só. É uma questão da parte do todo que temos consciente, subconsciente e inconsciente. É através do nosso inconsciente que acedemos ao TODO; se nos formos tornando progressivamente mais conscientes, estaremos mais próximos do TODO, ou seja da VERDADE. A Verdade, aquela que existe sim, existe inclusivamente em nós, mas a sua maior parte encontra-se inconsciente, pelo que a nossa vida é a busca por tomar consciência dessa parte inconsciente. O que por vezes não temos em conta é que tudo é consciência, tudo tem um certo nível de consciência, porque tudo é energia e consciência é energia, por oposição à matéria. Mesmo a matéria contém energia, como sabemos... Assim, quanto mais conscientes nos formos tornando, mais próximos do Todo, da Verdade, mais energéticos e subtis, melhor fluiremos com as energias universais. E quem flui com as energias universais, não lhes oferece resistência, não gera obstáculos, nem energias negativas; logo o Amor manifesta-se. E o caminho inverso também é válido; o amor é um caminho para a consciência; amar desbloqueia os nossos canais energéticos, permite que a inteligência e a criatividade se expandam, permitindo assim que a consciência se expanda... e se a consciência se expande, a nossa parte inconsciente reduz-se... ficamos mais próximos da verdade.

domingo, 16 de agosto de 2009

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Amor incondicional


Pág.8, Prefácio

“Neste momento, você chama amor àquilo que é dirigido a alguém, limitado a alguém. E o amor não é um fenómeno que possa ser circunscrito. Pode tê-lo nas suas mãos abertas, mas não nos seus punhos fechados.”

Amar, como vale a pena amar, implica um relacionamento tão trabalhado e profundo que nos possamos dar ao luxo de nos esquecermos de nós mesmos e funcionarmos em relação às necessidades do outro. Isto seria neurótico no caso de seres humanos que não possuem uma espiritualidade trabalhada e que não praticam uma atitude vigilante face aos seus actos. Normalmente leva sempre a que alguém se aproveite do outro. No entanto, se as duas pessoas estiverem despertas para a necessidade de amar incondicionalmente, se estiverem atentas ao seu modo de agir, garantirem que agem com base no amor, a relação só poderá progredir cada vez mais, aprofundar-se cada vez mais, os seus laços tornarem-se cada vez mais fortes e ao invés do habitual desgaste decorrente de anos de relacionamento, o que sucede é uma ligação profunda que ultrapassa a barreira da morte e mantém as pessoas unidas para além dela.

Ao agirmos no interesse de outrem, não faz sentido manter essa pessoa numa prisão... o seu bem-estar e a sua felicidade será para nós sempre o mais importante, só funcionando isto se a outra pessoa estiver com a mesma motivação que nós. Claro que podemos e talvez devamos agir assim em certos contextos que não este e mesmo que se gere uma relação em que o outro não mereça ou não saiba retribuir, se a pessoa em causa tiver consciência e convicção no facto de estar a agir correctamente, o que acontecerá certamente é que acabará por se libertar do relacionamento com a pessoa que não merece esse tipo de atitude e acabe a encontrar alguém que saiba reconhecê-la e valorizá-la, eventualmente até desperte em si atitude semelhante.

O domínio da mente é vasto e não se circusncreve aos limites da caixa craniana, muito menos a nossa consciência se limita ao que pensamos de forma consciente; existem diversos níveis de consciência. É inquietante, mas é mais aquilo que fazemos de forma inconsciente do que o que fazemos de forma consciente. Urge por isso tomar consciência dos nossos próprios processos mentais de forma a sabermos ao certo o âmbito das nossas atitudes, para não só não ficarmos surpresos quando sentimos os efeitos das nossas próprias acções, como também para modificarmos as nossas acções inconscientes que possam ser negativas, evitando assim "atrair" para nós coisas negativas também.

O Universo é como um conjunto de matrioskas: composto de sistemas que funcionam à semelhança dele próprio. A mente de um ser humano é uma réplica do próprio Universo; é ela também um sistema, tal como o Universo em que se encontra. Tal como dizia a minha professora de Matemática: se é verdade que o todo contém a parte... também é verdade que a parte contém o todo. Se o Universo contém a nossa mente, então também é verdade que a nossa mente contém o Universo. Assim, o TODO está em nós; na teoria podemos ser e ter tudo o que quisermos; claro que, apesar disso, à partida, há restrições, mas assim se expanda a consciência e essas restrições vão sendo progressivamente dissolvidas.

Uma mente cheia de amor funciona por osmose em relação ao meio exterior. Essa mente vai transbordar de amor para fora e inundar a sua vida, assim como os acontecimentos a que está sujeita. Se dentro de uma mente tudo funciona de forma positiva, também ao seu redor existe essa tendência. O funcionamento interior reflecte-se no exterior.

Assim, se formos seres amorosos e compassivos, geraremos um desequilíbrio tão grande face a seres que não o são, que acabaremos a afastá-los da nossa vida. E quem diz seres, diz situações também; enfim, tudo, tudo aquilo que não possua energia correspondente.

sábado, 15 de agosto de 2009

Amor, Liberdade e Solidão - Osho - Fluir com as energias Universais


Pág.8, Prefácio

“Muito pouca gente no mundo conheceu o amor. Esses são aqueles que se tornaram silenciosos, pacíficos… e nesse silêncio e nessa paz, tocaram o âmago do seu ser, a sua alma. Uma vez tocada a sua alma, o seu amor torna-se não uma relação, mas simplesmente uma sombra. Para onde quer que vá, com quem quer que esteja, você ama.”


Uma atitude baseada na compaixão leva a que progressivamente atinjamos este estado de iluminação que aqui é referido; um estado mais energético e menos material do que aquele que nos encontramos enquanto agimos baseados no egoísmo. É curioso, mas é um facto que constatei, por experiência pessoal. Durante anos alimentei o meu interior à força: tive mesmo de o fazer, pois a depressão nervosa fazia com que fora de casa tudo me causasse impressão. Saía muito pouco; de uma forma quase compulsiva fui obrigada a "olhar para dentro", pois sentia angústias profundas relacionadas comigo, com a minha maneira de ser, com aquilo em que eu acreditava acerca do mundo e, de forma muito particular, em relação à minha forma de me relacionar com as outras pessoas. A única forma de aliviar a dor interna, era analisar ao máximo todos os meus complexos, todas as minhas dúvidas. Conversava com a minha mãe a esse respeito e escrevia intensivamente naquilo que apanhava à frente: diários, cadernos, dossiers, agendas... um dia, aprecebi-me do que, sem querer havia estado a fazer. Como se algo superior, mais sábio do que eu, naqueles tempos de escuridão e ignorância, algo me empurrou para que buscasse a luz, para que buscasse compreender-me. Fi-lo durante 15 anos, levei esse processo ao limite. Estudei-me até ao mais infímo pormenor, e aprendi a encarar de frente os meus maiores medos, as minhas maiores vergonhas. Nos últimos 6 anos, como que para arrematar, esse processo parece ter-se ainda intensificado, deixando-me num estado de grande preenchimento interior. Quando uma pessoa se compreende desta forma, sente-se feliz. Se não se sentir feliz é porque não se compreende, mesmo que pense que sim. Tudo o que existe neste mundo possui uma beleza natural que, a maioria das vezes se encontra escondida e que é preciso compreender para poder ver. Tudo o que existe neste mundo existe por algum motivo, e o nosso desafio é perceber porque motivo cada coisa existe. Portanto, de certa forma, se tudo é belo de alguma forma, tudo é passível de ser amado e se tudo é passível de ser amado, também o somos nós próprios. Assim, é também possível sentir-nos felizes connosco mesmos. Trata-se de uma felicidade que advém da compreensão de nós próprios, do percebermos para que é que nós próprios servimos, do por que é que nós próprios existimos.


Nesse estado, os nossos conflitos internos estão mais tranquilos do que no estado de semi-ignorância em que nos encontramos habitualmente, logo ficamos mais "silenciosos", não querendo, contudo, este silêncio dizer que fiquemos calados; uma pessoa pode gritar o quanto quiser e ainda assim ser uma alma silenciosa, desde que do seu grito emane amor. Este silêncio é em sentido figurado e não literal; é o silêncio, a paz e a tranquilidade que reinam dentro de uma alma que não está em conflito consigo mesma. Uma mente que analisou profundamente cada detalhe do seu ser e está agora na posse de muitos dados interligados, fazendo lógica e sentido. Os conflitos internos estão assim sanados, resolvidos, silenciados. As vozes dissonantes chegaram a consenso, porque a consciência é assim; se a aprofundarmos, naturalmente começamos a convergir, as ideias começam a coincidir. Chega-se a um consenso. É por isso que, estimulando a consciência, um dia chegaremos ao ponto de onde partimos: o UNO.


Uma alma em silêncio é forte, porque não se deixa enganar nem impressionar pelos factores exteriores. Ela tem um eixo ao qual está ligada; ela harmonizou-se com as energias Universais. A alma feliz, silenciosa e amorosa, que é naturalmente compassiva, não oferece resistência ao fluxo das coisas, ao devir; ela flui com a vida sem lhe oferecer resistência. Não acríticamente, muito pelo contrário. Esta compreensão visa que consigamos tomar as rédeas. Compreender é a melhor forma de controlar, pois é a única que leva a que a nossa ignorância natural, que é uma força negativa, não se vire contra nós. A Natureza vira-se contra nós muitas vezes devido aos avanços da tecnologia e a forma invasiva com que tentamos controlá-la. Isso só sucede porque não a compreendemos verdadeiramente. Também se virou contra nós quando ainda morávamos em cavernas, apesar de ainda não termos realizado grandes intervenções na Natureza e de o nosso poder ser ainda limitado... porque o Universo de energias em que nos encontramos, contraria sistematicamente o nosso estado de ignorância, nem que seja provocando um cataclismo. Como escapar a isto? É mais simples do que possa parecer: basta termos consciência da nossa condição essencial de ignorância e da necessidade de nos tornarmos cada vez mais conscientes. Esse é o objectivo da existência do ser humano. Se passarmos a realizar esse processo de forma consciente e propositada, deixamos de oferecer resistência ao processo de fluir, de crescer, de nos tornarmos progressivamente mais conscientes e o Universo deixa de ter motivos para se virar contra nós, por assim dizer.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

My secrets...


... will remain untold to those who have no love inside their hearts... not that I don't want to spread them all around the world, no... I wish I could do so... it's just that those unpure ears are not ready to ear... and surely will misunderstand all my words...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Amor, Liberdade e Solidão, Osho



Pág.42

“(…) não pensará em extremos, não pensará que se você for para fora, se for um pesquisador em busca de conhecimento, então perde as raízes do seu ser; ou, se buscar em si, perderá as raízes no mundo no domínio científico. Ambos podem estar juntos e, sempre que tal acontece, o homem tem ambas as asas e pode voar até ao céu mais longínquo. De outro modo, só terá uma asa.”



Pág.44

“(…) que você se torne ambos – porque então a vida ficará enriquecida, tremendamente enriquecida. Então, não perderá nada. Então, tudo é absorvido; então, você torna-se uma grande orquestra. Então, todas as polaridades se encontram em si.”

sábado, 1 de agosto de 2009

Amor, Liberdade e Solidão, Osho


Pág.32

“O amor conduz à última experiência – chame-lhe Deus, chame-lhe Absoluto, chame-lhe Verdade. São meras palavras. De facto, a última experiência não tem nome, é inominável, mas o amor conduz a ela.”

Pág.37

“Sofrer com amor não é sofrer em vão. Sofrer com amor é criativo; eleva-o a níveis mais altos de consciência.”

Pág.38

“O amor é uma escada. Começa com um indivíduo, termina na totalidade. O amor é o início, Deus é o fim. Recear o amor, recear as dores crescentes do amor é permanecer enterrado numa cela escura.”

“O amor cria problemas. Você não pode evitar esses problemas por evitar o amor – mas estes são problemas essenciais! Têm de ser enfrentados, encontrados; têm de ser vividos, ultrapassados e deixados para trás. E para os deixar para trás, o caminho faz-se através deles. O amor é a única coisa que vale realmente a pena. Tudo o resto é secundário. Se favorece o amor, é bom. Tudo o resto é um meio, o amor um fim. Assim, independentemente da dor, avance no amor.

Pág.39

“Fluir é o processo de se manter continuamente virgem.”

Amor, Liberdade e Solidão - Osho - Amor/Compaixão


Ou re-leitura... li este livro imediatamente antes de realizar uma grande metamorfose... hoje, ao lê-lo novamente, atribuo novos significados a cada palavra... e compreendo que a minha mente está muito mais atenta, pois incorpora cada uma destas ideias com muito mais qualidade, realizando sobre elas um juízo próprio, que era coisa que eu na altura não conseguia fazer, limitando-me a observar todas estas ideias e fazer delas uma análise muito superficial. Desta vez, fiz desse livro um apanhado das ideias essenciais, tencionando colocá-las no blogue assim que achasse que se justificava. Parece-me ser esta a altura certa... Seguir-se-ão muitos outros posts, cada um com pequenas ideias que me tocaram particularmente acerca deste livro... e algumas impressões minhas a respeito da cada uma dessas passagens.

Pág.7, Prefácio

“No Banquete de Platão, Sócrates diz:

Um homem que pratica os mistérios do amor estará em contacto não com um reflexo, mas com a própria verdade. Para conhecer essa bênção da natureza humana, não se pode encontrar melhor auxílio que o amor.”

Mistérios do amor... de facto, tornam-se mistérios quando não pensamos de forma positiva sobre as coisas. Mas basta parar um instante, antes de agir. Concentrar-nos na melhor forma de resolvermos a questão que temos em mãos. E se a única solução que nos ocorre não é positiva, não é inteligente e bondosa, e compassiva, então não está baseada no amor. Então, temos de meditar mais, pensar mais. Até encontrarmos uma solução que agrade a todos, que não faça sofrer ninguém e com a qual todos os envolvidos saiam a ganhar. Parece difícil, mas não é; é apenas uma questão de prática. Era a isso que Sócrates se referia aqui, neste contexto. Os ensinamentos budistas, os quais, apesar de não transcrever na íntegra, constituem o fundamento da minha própria filosofia de vida, não utilizam a palavra "amor" precisamente porque pode ser confundida com o sentimento muitas vezes egoísta que existe num relacionamento entre duas pessoas e que, realmente, muitas vezes parece amor, mas se tem posse, se tem necessidade, se tem ciúme, então não é verdadeiro amor. O amor verdadeiro é incondicional e desinteressado e surge quando o nosso egoísmo é tanto, que se transcende a ele próprio, transformando-se em generosidade. Só depois de uma longa caminhada de auto-conhecimento, estamos prontos para amar incondicionalmente, para sermos verdadeiramente generosos. É para evitar esta confusão, que os ensinamentos budistas referem preferencialmente a palavra compaixão, que presupõe empatia com os sentimentos alheios (só possível quando conhecemos bem e respeitamos os nossos próprios sentimentos), assim com pressupõe também uma atitude desapegada e desinteressada. Fazer o bem alheio, agir no interesse alheio, é agir no nosso próprio interesse, pois que emana amor, é amor que vai receber. Pode não ser no imediato, mas assim acabará por suceder.

When you cannot smile...


Just look at the rainbow... feel the pain with love... and soon there will be a rainbow in your life... if that's what you really wish for...