sábado, 15 de agosto de 2009

Amor, Liberdade e Solidão - Osho - Fluir com as energias Universais


Pág.8, Prefácio

“Muito pouca gente no mundo conheceu o amor. Esses são aqueles que se tornaram silenciosos, pacíficos… e nesse silêncio e nessa paz, tocaram o âmago do seu ser, a sua alma. Uma vez tocada a sua alma, o seu amor torna-se não uma relação, mas simplesmente uma sombra. Para onde quer que vá, com quem quer que esteja, você ama.”


Uma atitude baseada na compaixão leva a que progressivamente atinjamos este estado de iluminação que aqui é referido; um estado mais energético e menos material do que aquele que nos encontramos enquanto agimos baseados no egoísmo. É curioso, mas é um facto que constatei, por experiência pessoal. Durante anos alimentei o meu interior à força: tive mesmo de o fazer, pois a depressão nervosa fazia com que fora de casa tudo me causasse impressão. Saía muito pouco; de uma forma quase compulsiva fui obrigada a "olhar para dentro", pois sentia angústias profundas relacionadas comigo, com a minha maneira de ser, com aquilo em que eu acreditava acerca do mundo e, de forma muito particular, em relação à minha forma de me relacionar com as outras pessoas. A única forma de aliviar a dor interna, era analisar ao máximo todos os meus complexos, todas as minhas dúvidas. Conversava com a minha mãe a esse respeito e escrevia intensivamente naquilo que apanhava à frente: diários, cadernos, dossiers, agendas... um dia, aprecebi-me do que, sem querer havia estado a fazer. Como se algo superior, mais sábio do que eu, naqueles tempos de escuridão e ignorância, algo me empurrou para que buscasse a luz, para que buscasse compreender-me. Fi-lo durante 15 anos, levei esse processo ao limite. Estudei-me até ao mais infímo pormenor, e aprendi a encarar de frente os meus maiores medos, as minhas maiores vergonhas. Nos últimos 6 anos, como que para arrematar, esse processo parece ter-se ainda intensificado, deixando-me num estado de grande preenchimento interior. Quando uma pessoa se compreende desta forma, sente-se feliz. Se não se sentir feliz é porque não se compreende, mesmo que pense que sim. Tudo o que existe neste mundo possui uma beleza natural que, a maioria das vezes se encontra escondida e que é preciso compreender para poder ver. Tudo o que existe neste mundo existe por algum motivo, e o nosso desafio é perceber porque motivo cada coisa existe. Portanto, de certa forma, se tudo é belo de alguma forma, tudo é passível de ser amado e se tudo é passível de ser amado, também o somos nós próprios. Assim, é também possível sentir-nos felizes connosco mesmos. Trata-se de uma felicidade que advém da compreensão de nós próprios, do percebermos para que é que nós próprios servimos, do por que é que nós próprios existimos.


Nesse estado, os nossos conflitos internos estão mais tranquilos do que no estado de semi-ignorância em que nos encontramos habitualmente, logo ficamos mais "silenciosos", não querendo, contudo, este silêncio dizer que fiquemos calados; uma pessoa pode gritar o quanto quiser e ainda assim ser uma alma silenciosa, desde que do seu grito emane amor. Este silêncio é em sentido figurado e não literal; é o silêncio, a paz e a tranquilidade que reinam dentro de uma alma que não está em conflito consigo mesma. Uma mente que analisou profundamente cada detalhe do seu ser e está agora na posse de muitos dados interligados, fazendo lógica e sentido. Os conflitos internos estão assim sanados, resolvidos, silenciados. As vozes dissonantes chegaram a consenso, porque a consciência é assim; se a aprofundarmos, naturalmente começamos a convergir, as ideias começam a coincidir. Chega-se a um consenso. É por isso que, estimulando a consciência, um dia chegaremos ao ponto de onde partimos: o UNO.


Uma alma em silêncio é forte, porque não se deixa enganar nem impressionar pelos factores exteriores. Ela tem um eixo ao qual está ligada; ela harmonizou-se com as energias Universais. A alma feliz, silenciosa e amorosa, que é naturalmente compassiva, não oferece resistência ao fluxo das coisas, ao devir; ela flui com a vida sem lhe oferecer resistência. Não acríticamente, muito pelo contrário. Esta compreensão visa que consigamos tomar as rédeas. Compreender é a melhor forma de controlar, pois é a única que leva a que a nossa ignorância natural, que é uma força negativa, não se vire contra nós. A Natureza vira-se contra nós muitas vezes devido aos avanços da tecnologia e a forma invasiva com que tentamos controlá-la. Isso só sucede porque não a compreendemos verdadeiramente. Também se virou contra nós quando ainda morávamos em cavernas, apesar de ainda não termos realizado grandes intervenções na Natureza e de o nosso poder ser ainda limitado... porque o Universo de energias em que nos encontramos, contraria sistematicamente o nosso estado de ignorância, nem que seja provocando um cataclismo. Como escapar a isto? É mais simples do que possa parecer: basta termos consciência da nossa condição essencial de ignorância e da necessidade de nos tornarmos cada vez mais conscientes. Esse é o objectivo da existência do ser humano. Se passarmos a realizar esse processo de forma consciente e propositada, deixamos de oferecer resistência ao processo de fluir, de crescer, de nos tornarmos progressivamente mais conscientes e o Universo deixa de ter motivos para se virar contra nós, por assim dizer.

4 comentários:

  1. Caro amigo Árabe! Muito obrigada! Boa semana!

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  2. epá pois... isso encaixa muito em muitos feridas que todos nós vamos acumulando e que, por não o sabermos fazer, vão gangrenando cada vez mais ...

    o estado de consciência de cada um terá um timimg para despertar???

    deve ter mesmo, (e nos ja falamos nisso "n" vezes), ha fases em que "UM gajo" não pára para pensar ... talvez porque não precise, porque a vida simplesmente lhe sorri mais ou menos a toda a hora ...
    este texto de facto e este livro poderão ser algo que tenho andado à procura há algum tempo, para refletir e perceber algumas das minhas questões
    OBRIGADA ;)

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  3. Convém não deixar acumular sentimentos negativos ao redor de uma ferida... se se constituir como algo suficientemente grande, pode transformar-se num bloqueio e passar até para uma existência posterior. No teu caso acredito que consigas resolver as tuas questões nesta mesma existência e que o que te sucede neste momento é fruto de bloqueios de outras...

    A consciência nunca pára de aumentar, à medida que nos mantemos vivos, mas é curioso falares nesse despertar; muitas pessoas, ao longo das suas vidas, passam por um despertar da consciência, de facto; as pessoas que decidiram na sua vida dedicar a sua vida à espiritualidade, normalmente passam por essa experiência.

    No caso de outras pessoas, isso muitas vezes sucede quando encontram a sua alma gémea. :)

    Aliás, se pensares bem na tua experiência verás... por coisas que me disseste eu achei que era precisamente por isso que tu sentias necessidade de "acalmar";)

    Beijoss!!

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