sábado, 1 de agosto de 2009

Amor, Liberdade e Solidão - Osho - Amor/Compaixão


Ou re-leitura... li este livro imediatamente antes de realizar uma grande metamorfose... hoje, ao lê-lo novamente, atribuo novos significados a cada palavra... e compreendo que a minha mente está muito mais atenta, pois incorpora cada uma destas ideias com muito mais qualidade, realizando sobre elas um juízo próprio, que era coisa que eu na altura não conseguia fazer, limitando-me a observar todas estas ideias e fazer delas uma análise muito superficial. Desta vez, fiz desse livro um apanhado das ideias essenciais, tencionando colocá-las no blogue assim que achasse que se justificava. Parece-me ser esta a altura certa... Seguir-se-ão muitos outros posts, cada um com pequenas ideias que me tocaram particularmente acerca deste livro... e algumas impressões minhas a respeito da cada uma dessas passagens.

Pág.7, Prefácio

“No Banquete de Platão, Sócrates diz:

Um homem que pratica os mistérios do amor estará em contacto não com um reflexo, mas com a própria verdade. Para conhecer essa bênção da natureza humana, não se pode encontrar melhor auxílio que o amor.”

Mistérios do amor... de facto, tornam-se mistérios quando não pensamos de forma positiva sobre as coisas. Mas basta parar um instante, antes de agir. Concentrar-nos na melhor forma de resolvermos a questão que temos em mãos. E se a única solução que nos ocorre não é positiva, não é inteligente e bondosa, e compassiva, então não está baseada no amor. Então, temos de meditar mais, pensar mais. Até encontrarmos uma solução que agrade a todos, que não faça sofrer ninguém e com a qual todos os envolvidos saiam a ganhar. Parece difícil, mas não é; é apenas uma questão de prática. Era a isso que Sócrates se referia aqui, neste contexto. Os ensinamentos budistas, os quais, apesar de não transcrever na íntegra, constituem o fundamento da minha própria filosofia de vida, não utilizam a palavra "amor" precisamente porque pode ser confundida com o sentimento muitas vezes egoísta que existe num relacionamento entre duas pessoas e que, realmente, muitas vezes parece amor, mas se tem posse, se tem necessidade, se tem ciúme, então não é verdadeiro amor. O amor verdadeiro é incondicional e desinteressado e surge quando o nosso egoísmo é tanto, que se transcende a ele próprio, transformando-se em generosidade. Só depois de uma longa caminhada de auto-conhecimento, estamos prontos para amar incondicionalmente, para sermos verdadeiramente generosos. É para evitar esta confusão, que os ensinamentos budistas referem preferencialmente a palavra compaixão, que presupõe empatia com os sentimentos alheios (só possível quando conhecemos bem e respeitamos os nossos próprios sentimentos), assim com pressupõe também uma atitude desapegada e desinteressada. Fazer o bem alheio, agir no interesse alheio, é agir no nosso próprio interesse, pois que emana amor, é amor que vai receber. Pode não ser no imediato, mas assim acabará por suceder.

2 comentários:

  1. é realmente verdade que colhemos sempre aquilo que semeamos e neste assunto não será excepçãoa esta tão emblematica frase da sabedoria popular ... isto resumindo "popularmente" o teu fantastico texto ...
    no entanto o caminha para chegar de plena consciência a este estadio... muita água tem de correr ....

    isso é que acho dificil ....

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  2. Colhemos, de facto... o problema é que nem sempre temos consciência do que fazemos e depois não compreendemos aquilo que nos sucede.

    E muitas vezes essa mesma retribuição vem diferida no tempo, num momento em que já não associamos o que colhemos ao que semeámos.

    Quando harmonizamos as nossas energias, semear e colher tornam-se dois processos que nos surgem imediatamente a seguir um ao outro, pelo que compreendemos melhor, e porque compreendemos melhor, aprendemos mais rapidamente e mas rapidamente avançamos para o estádio seguinte.

    É isso, amiga e sabes, é incrível a tua sabedoria intuitiva no que toca a assuntos espirituais; tal como te disse, sabes que te respeito e admiro muito precisamente por isso; tu tens uma percepção apurada e embora ainda não tenhas a tua consciência dessas coisas sustentada,a verdade é que ela está lá e sai facilmente cada vez que é necessário.

    De facto, perceber de que forma merecemos o que recebemos, é tarefa muito difícil, mas creio que é, sem dúvida, o nosso desafio neste mundo.

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