sábado, 22 de agosto de 2009

Sonhos


Sou uma concretizadora de sonhos. Já concretizei muitos, já estou habituada a ver as imagens que a minha mente formula tornarem-se em realidade. Esse "jamais" virão ter às vossas mãos" é claramente abusivo. Ao conseguir atingir os meus sonhos, vejo que são ainda mais belos do que pintava a minha imaginação.

Não sei exactamente qual o significado da resignação; se desisti algumas vezes de algumas coisas, foram de facto coisas menores que provaram não valer o esforço. É, de facto, extremamente raro ver-me desistir seja do que for. Mas acontece.

Claro que, ao longo do caminho, à medida que as possibilidades vão variando, por vezes vou adaptando os meus sonhos ao possível, mas isso não costuma retirar-lhes qualquer qualidade.

Não me parece que as desilusões ajudem quem quer que seja a caminhar. E se ajudarem, é mau sinal para essa pessoa, é sinal de que ainda tem muitas desilusões pela frente. Quando sofro uma desilusão (coisa que sucede com pouca frequência), procuro aprender com o sucedido, tirar disso proveito, colocá-lo a meu favor; no entanto, não é por isso que vou desejar que me sucedam desilusões. Pensarei sempre que se ocorreu desilusão, foi porque a consciência não chegava para mais, não chegava para evitar que isso sucedesse e isso é algo a evitar.

A experiência externa não é assim tão importante na caminhada; a par dela, existe também uma experiência interna tão válida ou mais, pois o caminho por que nos leva não é susceptível a que nos percamos com tanta facilidade.

De facto, vivemos num mundo que oscila entre extremos; mas a prática de uma filosofia de vida que estimule permanentemente a consciência, pode deslocalizar o eixo dessa oscilação: se queremos que o positivo seja mais positivo e o negativo menos, não é enfatizando o negativo; claro que se tomarmos balanço para baixo, conseguiremos chegar mais acima, mas se simplesmente utilizarmos um "dispositivo de oscilação" mais sensível, ele levar-nos-á mais alto, tornando o mais alto na norma, e levar-nos-á a abandonar de vez níveis mais negativos. Assim é a nossa mente.

Numa mente iluminada, altamente consciente e subtil, não é necessário chegar à desilusão e muito menos passar pela ilusão; uma mente consciente apercebe-se da ilusão antes que ela tome definitivamente conta da sua vida; a ilusão numa mente subtil não encontra solo fértil e a durar, dura muito pouco. Logo, não existe desilusão. Existe sim um coincidir de expectativas e reais possibilidades. E agora, algo muito importante: como tornar então a nossa máquina de análise tão eficaz que as desilusões não tenham lugar ou assumam pequenas proporções? Alargando a nossa consciência, tornando a nossa mente subtil. E como se faz isso? Meditando, por exemplo. Mas esvaziar simplesmente a mente parece ser insuficiente para tal. De facto. Esvaziar a mente, quanto a mim, equivale a retirar toda a mobília de dentro de um quarto para o podermos limpar melhor; para que depois, quando voltarmos a colocar tudo de novo, encontremos novos lugares para a mobília, numa disposição mais prática, evitando o desperdício de espaço. Meditar, esvaziar a mente é bom apenas porque estimula o pensamento; travá-lo num certo momento implica torná-lo mais eficaz depois. Intervalar tem esse efeito.

Pessoalmente, a insatisfação sempre me travou. Hoje, tendo aumentado consideravelmente os níveis de satisfação na minha vida, considero fazer frente à insatisfação com mais facilidade. A insatisfação não é combustível; a insatisfação é um bloqueio que ainda não conseguimos ultrapassar, o qual ainda não conseguimos iluminar através da consciência e, por isso, surge a dor. Sempre que não há consciência, há dor. E por vezes a dor é o único caminho que nos resta para levar à consciência; é o possível em muitos momentos, mas está longe de ser a solução ideal.

Jamais estaremos completos; estar incompleto é a nossa natureza. Mas devemos, mesmo dentro desse estado, conservar a paz de espírito. E isso consegue-se não com medo, não com angústia, mas com confiança. E a confiança consegue-se sabendo que a nossa consciência se alarga a cada instante, que caminhamos com o fluxo das energias universais, que minimizamos a resistência que lhes oferecemos, estando assim muito mais protegidos pelo Universo.

Conservar a paz de espírito é muito importante, pois o mundo que nos rodeia é um reflexo do nosso mundo interior; se dentro de nós não existirem conflitos, também não tendemos a projectá-los ao nosso redor. Possuir paz de espírito é essencial para não ferir os demais.

Como dizia Gandhi, a FELICIDADE não é a meta, a felicidade é o caminho. Não é o pote de ouro no fim do arco-íris; funcionar de acordo com essa lógica é semear a nossa própria infelicidade. É torná-la em algo que sucede apenas ocasionalmente e não num estado de espírito permanente, torna-nos pessoas com déficit de energia positiva interior, o que vai fazer com que a suguemos do exterior, retirando a felicidade aos demais. É a tal coisa: o perigo de buscar a felicidade no exterior; é fácil acabar-se a roubá-la a alguém. Enquanto que se a procurarmos no interior, ficaremos em contacto com uma fonte inesgotável de amor e felicidade; e ao invés de a caçarmos na fugacidade dos momentos da vida, é fácil fazê-la transbordar de nós para fora, para tudo o que nos rodeia.

É de facto, preciso que a fome se instale, mas numa alma trabalhada, essa fome nem chega a ser digna desse nome; é uma alma que reage ao mínimo estímulo negativo e imediatamente é catapultada para o positivo.

É preciso, contudo, que o pote de ouro exista. Se a nossa mente imaginou um pote de ouro que não existe, então necessita ser mais trabalhada.

Na plenitude da existência é que está a felicidade: no ligarmo-nos com a nossa essência; como dizem alguns, com o SER; como eu digo, sermos mais energéticos, possuirmos uma mente mais energética que se expande e ilumina a cada momento.

Os bens materiais não têm nenhum bem em si mesmos, nem tão pouco nenhum mal. Tudo depende da forma como os experienciamos: ficar apegados a eles costuma bloquear o fluxo energético e acaba por levar-nos a perdas e à dor.

Inspirado aqui.

22 comentários:

  1. Acho que como em tudo na vida, é necessário um equilíbrio. Acho que a experiência interna é bastante importante, mas sem experiência externa não nos vale de nada termos a interna. As duas complementam-se e é provável que os ditos "sábios" e pessoas mais experientes sejam os que melhor conseguem adquirir esses dois tipos de experiência, e mais do que adquirir, po-los em prática.

    "a FELICIDADE não é a meta, a felicidade é o caminho." Acho esta frase das coisas mais acertadas que algum ser humano possa ter dito até hoje. Na realidade, hoje as pessoas procuram chegar à felicidade, através de metas/objectivos que vão propondo a elas próprias, e existe muito o pensamento de que quanto mais coisas tivermos, quando mais conquistarmos, mais probabilidades temos de nos sentirmos felizes e completos.

    Aí chega-nos a parte do "sentirmo-nos completos". O que é isso afinal? O ser humano é por natureza um ser insatisfeito. A insatisfação é má, mas é boa ao mesmo tempo. Se soubermos lidar com ela (e repito, se soubermos lidar com ela), procuramos a mudança (essencial à vida; aliás, ela é a vida), procuramos adaptarmo-nos, e dependendo das pessoas, existe sempre quem seja feliz com a vida que tem, com as mudanças que procura, com a procura pela satisfação (porque no fundo todos a procuramos). Porém, mesmo que se demonstrem insatisfeitas com detalhes da sua vida, são raras as pessoas que estão satisfeitas nessa situação, ou seja, que o que as satisfaz seja maior do que o que as torna insatisfeitas.

    E em relação ao teu comentário no meu blog... Eu nunca disse que tenho uma grande experiência de vida, muito pelo contrário. O que eu disse é que as pessoas com grande experiência de vida tendem a pensar que têm sempre razão. E provavelmente têm na maioria dos casos. Mas por vezes não admitem a falta de razão na minoria das vezes que não a têm, acabando por também ter a ideia de que os seus conceitos e formas de agir perante determinadas situações são as correctas e que todos deveriam seguir esse exemplo.

    Eu posso estar certo, posso estar errado. Mas no fundo, só peço que me deixem viver de acordo com aquilo que penso, e não de acordo com o que os outros pensam. Tendo eles mais experiência de vida ou não. Não quero ser os outros, mas eu. E se tiver a cometer um erro, mais tarde aprenderei. Nunca ninguém me ensinou nada, e sempre aprendi com os meus próprios erros, sempre.

    Beijinho* e desculpa o "testamento" enorme

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  2. A questão de ter razão ou não ter... não é importante. Ter experiência possui uma única utilidade: fazer o próprio feliz, por deter uma maior compreensão do mundo, e que essa sabedoria possa servir a alguém. Pouca experiência pode significar muita sabedoria, assim encontre uma estrutura mental com muitas reentrâncias onde encaixar. Com pouco pode-se perceber muita coisa, pois estamos num mundo onde tudo funciona mais ou menos da mesma forma... :) E se se fez ou não bom proveito dessa aprendizagem é coisa que fica visível pela capacidade que possa ter de o transmitir e de esclarecer outras pessoas.

    Dizes novamente que te devem deixar viver de acordo com o que pensas... sentiste alguma vez que alguém te tentou coagir a pensar de forma diferente? ... Ou não respeitou as tuas escolhas? ... Então deves fazer essas pessoas perceber que não têm o direito de se imiscuir na tua vida.

    Repara no meu caso; uma psicóloga uma vez disse-me que eu era muito espaçosa; que precisava de um espaço enorme ao meu redor, isto psicologicamente, mas é uma característica tão marcada que se reflecte no plano físico; dificilmente fazes ideia do mal que eu reajo a pessoas muito próximas de mim. Tenho verdadeiramente um problema com o contacto físico. Não gosto de beijos nem abraços a pessoas com quem não empatize. É para mim muito difícil mover-me em ambientes com muita gente e faz-me profundamente infeliz a superficialidade nos relacionamentos, porque sinto que existem facetas minhas que ficam atrofiadas nesse processo. Caminhar na rua, ir às compras, não é fácil, porque tenho dificuldade em suportar olhares alheios; a violação desse meu espaço é sentida por mim como um estupro psicológico e enquanto fui mais frágil era uma verdadeira violência, embora hoje já vá sendo capaz de lidar com isso mais facilmente. No meu espaço, só entra quem eu permitir, caso contrário eu reajo muito mal e estou a referir-me a situações tão próximas de mim como a relação com o meu próprio pai e com a minha avó. Nada me deixa mais insegura do que sentir que alguém que não me compreende quer invadir o meu espaço e ditar regras.

    Assim, a minha luta, a minha atitude irreverente, a minha extravagância são formas de preservar o meu espaço, são formas de lutar pela minha liberdade e desafiar a compreensão alheia, sem interferir directamente no espaço dos outros.

    Creio que não se tem ou não razão em absoluto; para uma pessoa as minhas palavras podem ser significativas e fazer a diferença e outra pessoa pode não ter mesmo nada a aprender comigo. Portanto, para uma pessoa eu tenho razão, e para a outra já não... :)

    Alguém que ache que todos deveriam seguir o seu exemplo é alguém pouco sábio; claro que se aprendemos algo que realmente nos faz feliz, é normal que queiramos que essa realidade sirva aos demais, sobretudo se os amamos, eu tenho uma avó assim :) Mas depois tem-se dificuldade em compreender que o que serve a uns pode não servir a outros... Todos gostamos de sentir que com a nossa experiência podemos ajudar outras pessoas e isso é bom, é sinal de generosidade, mas só o querer não basta e se queremos realmente ajudar alguém, normalmente temos de ser capazes de entrar na sua alma. Sem partir nada pelo caminho... :)

    De facto, são sempre necessários erros para aprendermos e por se constituírem como necessários, a sua condição de erro é absolvida; transformam-se em simples etapas, degraus num processo de evolução.

    Certamente já aprendeste muita coisa com muita gente... e certamente aprenderás ainda mais se não considerares as tuas etapas como erros, mas como oportunidades de aprendizagem. Por vezes, mesmo assim, é preciso pedir desculpa, mas pedir desculpa requer que realmente se tenha aprendido com o "erro" e que face a nova situação semelhante não voltemos a agir da mesma forma.

    Quanto ao testamento... acho que já te tinha dito que gosto de textos loooongoss!! :D Não já? Se calhar não...

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  3. Dentro da tua insatisfação como ser humano, podes sentir-te completo se encarares essa insatisfação como parte da tua satisfação, como sinal de que possuis um motivo para estar vivo e que ainda tens muito para fazer. Ser insatisfeito e incompleto é bom!! Sentir-nos confiantes e em paz com essa realidade faz parte de nos sentirmos plenos. Creio que isto que acabei de dizer é mais ou menos o que disseste acima, com algumas nuances. Precisamos de muito pouco para sermos felizes, mesmo muito pouco... vivemos num mundo belo, rodeados de perfeição, mas a feiura e a imperfeição tornam-se mais chamativas a almas que são fragmentos do todo e incompletas por natureza. Sucede que não estamos a ver tudo de belo que existe... leste o meu post no "Porcelain Made World" acerca da gula? Tens o exemplo concreto de como na minha vida, sem grandes coisas, sou bastante feliz. Mas repara: exactamente com as mesmas coisas, já fui infeliz também. Considero que nós nas nossas sociedades possuímos uma qualidade de vida invejável... temos tudo o que precisamos para sermos felizes e por vezes somos menos felizes do que outras pessoas que têm muito pouco. A questão é que o tal edifício da consciência não tem as suas bases sólidas; se vamos para o mundo sem termos compreendido suficientemente a beleza que existe perto de nós, em nós, a imagem que vamos obter é feia. E o feio repele; vamos portanto ser incapazes de tirar o devido proveito daquilo se se nos apresenta.

    É capaz que tenhas razão, e as pessoas com grande experiência de vida tendam a achar que têm sempre razão; peço desculpa pela má interpretação. Mas isso significa vaidade e arrogância; significa que a sua construção possui lacunas lá por baixo que procuram esconder com essas atitudes. Mas também há quem tenha grande experiência de vida e mantenha a humildade que é preciso para continuar a aprender, acredita... :)

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  4. Claro que em tudo é preciso um equilíbrio. Mas para construíres um edifício sólido, dos que não desmoronam ao primeiro sopro, há uma ordem que deves respeitar. Primeiro, deves começar pelas fundações e só depois ir avançando para o telhado. Se construíres o telhado antes de tempo, a tua casa vai acabar por ceder sob o seu peso. E a nossa consciência é uma construção, que tem uma ordem; essa ordem é definida pelas nossas estruturas mentais.

    Quando estudei para ser professora, aprendi que os conhecimentos prévios das crianças devem ser respeitados e as sua concepções prévias auscultadas para que depois possamos encaixar as "novidades" (isto dito de forma pouco rigorosa e muito resumidamente). É que se não respeitamos essa construção prévia, os conhecimentos ou não encaixam, ou encaixam com falhas e sem flexibilidade, ficando sujeitos a uma fácil destruição.

    Também aprendi, embora não com suficiente ênfase, no meu entender, que a criança deve possuir um bom auto-conhecimento, isso facilita a aprendizagem; claro, a nossa construção interior faz-se por camadas, como se de um bolo tratasse e as fundações residem no conhecimento de nós mesmos, do nosso interior, dos nossos processos psicológicos, até do nosso corpo. Uma boa base a este nível permite uma melhor aprendizagem a outros níveis mais distantes; quando se passa para a aprendizagem no mundo exterior, já se possui uma boa base de entendimento que permite tirar um proveito muito maior de cada experiência vivida. De outra forma, as coisas passarão por nós sem serem devidamente aproveitadas e toda a experiência do mundo não é suficiente para nos fazer crescer. Todos conhecemos pessoas a quem as coisas acontecem repetidamente e não conseguem reagir, evoluir; por mais que vivam, que viagem, que leiam livros, vejam filmes, ouçam músicas, se relacionem com outras pessoas, no seu âmago estão sempre na mesma...

    Neste momento, sinto que necessito da experiência externa porque acredito que isso me aproximará de outras pessoas... não sinto que a experiência externa tenha muito a ensinar-me para ser muito franca. Tudo o que tenho aprendido, tem sido a partir do interior; claro que um estímulo externo é necessário, mas, pelo menos no meu caso, eles são quase imperceptíveis.

    Agora, cada um tem o seu próprio percurso... cada um constrói-se da maneira que for melhor para si. O que interessa é que seja feliz, esteja em tranquilidade.

    De facto, a questão das metas que aí colocas é muito interessante e com a questão da avaliação dos professores tenho-me confrontado directamente com esse ponto de vista. Não faz, de facto, a felicidade de ninguém, esse acumular de metas atingidas. Se forem metas auto-impostas, ajudam-nos a transcender as nossas próprias barreiras e constituem uma base interessante para tudo o resto, mas essas metas não são metas, são meios de remover obstáculos à nossa plenitude.

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  5. Bom, e não tenho nada a acrescentar. Simplesmente acho que dissemos tudo, muito resumidamente. Acho que um dia destes gostaria de ter uma conversa aprofundada contigo sobre a vida.

    Textos loooongos são mais completos, e ajudam a esclarecer melhor. :D

    Beijoo

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  6. Caro Afonso: acho esta uma maneira fantástica de ter conversas aprofundadas sobre a vida... aliás, acho que é a melhor de todas!!

    Mas para te ser sincera creio que estás a falar comigo num tom que não me parece natural. Creio que se está a passar algum tipo de mal entendido, creio que disse em certos momentos coisas que podem não te ter agradado, mas que eram de facto aquilo que eu sentia no momento, embora eu ache que tu achas que não. Creio que a tua intenção não é apenas trocar impressões acerca da vida e creio que continuas a basear os teus julgamentos numa ideia errada que constituíste a meu respeito. Gostaria que certas coisas que por aqui sucederam não se voltassem a repetir e que pudéssemos esclarecer tudo como pessoas adultas, sem recorrer a atitudes infantis as quais também eu tive; sei que não agi de acordo com a minha própria filosofia, mas há ainda muitas coisas em que não consigo agir de acordo com aquilo que acho que é melhor. E em certo momento tive medo, tive muito medo e acho que não te deves orgulhar disso.

    Felicidades!

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  7. Ah e quando disse que gostaria de ter uma conversa mais aprofundada, disse-o porque estas conversas são de facto esclarecedoras. Porque ajudam a colocar as ideias em ordem.

    Beijinho

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  8. Não, nada a ver. Não houve qualquer tipo de mal entendido, talvez só da vez em que disseste que eu não sentia o que escrevia, no meu penúltimo texto. Aí não concordei, mas não fiquei ofendido, nem dessa nem de nenhuma das trocas de opiniões que já tivemos. É sempre positiva esta troca de conhecimentos e formas de ver a vida, e mais positiva se torna com pessoas como tu, que sabem conversar, e não apenas contra-argumentar ou dizer "isso não está correcto". E acabo por concordar com a grande maioria dos teus pontos de vista. :)

    Felicidades :)

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  9. Olha, Afonso, não me lembro de ter dito que tu não sentias o que escrevias... não concordar com as pessoas é NORMAL e muito saudável!! Eu tenho amigos que têm pontos de vista totalmente diferentes dos meus e o interessante é que encaixam precisamente por isso. Se alguma vez alguém algum dia não te permitiu teres as tuas ideias e seres livre das expressar, essa pessoa certamente não fui eu. Nunca quis impingir as minhas ideias a ninguém; isso vai contra a minha filosofia de vida, a de cada um tem um caminho e deve segui-lo e só deve crer naquilo que está pronto para crer. Tudo o que quem está de fora pode fazer é orientar com base naquilo que sabe, com base na sua própria verdade. Senti ênfase na questão de te deixarem ter as tuas próprias ideias, dirigindo-te a mim, quando não me lembro de em momento algum ter atentado contra as tuas ideias... enquanto que contra as minhas já atentaram, sim.

    Sinto ironia nessa afirmação, uma ironia que começo a conhecer já demasiado bem para o meu gosto: "pessoas como tu que sabem conversar".

    De facto, dizer isso não está correcto de pouco adianta. Sou uma pessoa que passou por experiências árduas nos últimos anos, que finalmente parece estar a chegar a algum sítio e estou cansada... quero paz... pode ser? Peço-te, por favor. Se sentes que de alguma forma aquilo que aprendi na minha caminhada te pode ajudar, então vem aqui, faz as tuas perguntas, leva daqui tudo o que quiseres, mas dá-me paz, por favor. Não quero que concordes com a maioria dos meus pontos de vista; sei que as experiências por que passo são pouco comuns, acho que não estás a acreditar em muitas coisas que te confiei... porque confiei em ti e tu não respeitaste essa confiança. Dá-me ao menos o benefício da dúvida. Se não consegues crer naquilo que nunca viste antes, mantém reservas e não actues com base em pressupostos que não são correctos. Acredites ou não, acho que já tens mais que provas de que sou uma pessoa que trabalhou e desenvolveu a sua intuição, embora não seja perfeita, não chegue a todo o lado e não consiga perceber tudo. E os motivos pelos quais o fiz foi para me ajudar a mim e ajudar outras pessoas... se puder evitar que alguém sofra aquilo que eu sofri durante mais de 15 anos, eu gostaria de contribuir para dar a quem tem o problema agora a ajuda que eu precisei e não tive. Por tudo isto crê, por favor, sou uma pessoa que passa por experiências bastante diferentes, estranhas e que preciso desesperadamente de quem acredite em mim, não de quem desconfie de mim. Estou cansada, muito cansada.

    Estas conversas são esclarecedoras, dizes tu? Será? O único motivo pelo qual ainda aqui estou é porque faz parte da minha filosofia de vida não virar as costas a alguém que eu ache que pode ganhar com aquilo que aprendi nesta jornada. Mas continuo com dúvidas de que de facto seja assim. Lamento profundamente estar a desperdiçar o meu tempo; mas acredito que o meu esforço não será vão; se tu não conseguires aprender nada, a minha intenção é a melhor e embora a intenção apenas não baste, já é um começo, já é alguma coisa e acho que serei compensada por isso, de alguma forma.

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  10. O.o Repito, não fui irónico e disse mesmo o que penso. Tipo, interpretaste-me mal. O que eu quis dizer é que gostei imenso da conversa e que ajuda a pensar melhor nas ideias que tenho acerca da vida. :| ok?

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  11. E ainda tou um bocado "parvo" com a tua explosão, digamos assim, até porque não estava mesmo à espera. Interpretaste mal, de todo, o que disse.

    "Sinto ironia nessa afirmação, uma ironia que começo a conhecer já demasiado bem para o meu gosto: "pessoas como tu que sabem conversar"."

    Quando afirmaste isto, ainda mais. Hás-de reparar que todos os comentários resposta ao meu blog (outros blogs) são praticamente todos iguais. Como tu te destacas por ter respostas mais interessantes e através das quais se pode conversar (ao contrário das outras pessoas), apenas referi que prefiro pessoas que saibam conversar, como tu.

    E pronto, é isto. Nada mais. Não tenho nada contra ti, muito pelo contrário, é dos blogues que mais gosto de frequentar, especialmente por concordar e me rever em demasiados textos.

    Va beijinho. Boa noite.

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  12. ai..o que para aqui vai!

    gostei da fonte da tua inspiraçao, tambem gosto muito de ler o árabe,pois acho que aprendo sempre algo com os postes dele.

    achei este texto muito bom e muito bem conseguido.

    com passagens muito reais e destaco esta de entre tantas que gostei.

    Jamais estaremos completos; estar incompleto é a nossa natureza.

    deixo um beij

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  13. Bolas!!!
    Já não vinha aqui há algum tempo e deparo-me com este texto, quase surpreendente. Quase uma aula de teologia de uma religião universal.
    De facto, a Paz de Espirito pode iluminar um ser, dando-lhe um dom de clarividência que o transporta para um plano acima do "ser apenas humano"...
    Pena ser difícil de atingir...

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  14. Obrigado, amiga, pela honrosa citação. Ficou ótimo o texto, espero inspirar-te mais vezes! :) Boa semana.

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  15. Cada texto teu é uma fonte de reflexão. Lê-se e volta-se a ler, sempe com interesse.
    Sublinho a afirmação de Gandhi ... "A Felicidade não é a meta, mas o caminho."
    Caminhemos , então!
    Um beijo.

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  16. Pensamento profundo e o qual concordo em algumas partes mas também discordo noutras..como qualquer ser humano..lol

    Penso que a caminhada de cada um se define por ele próprio e não por uma norma fixa se é que me dou a entender..Cada um reage ao sucesso e desilusão de formas diferentes, e ás vezes ambos os caminhos que são tomados são uma boa escolha...

    No meu caso precisei da desilusão para poder aprender com os meus erros, aprender a tomar riscos e saber abordar o futuro de uma forma diferente, calibrando as minhas decisões e acções de forma diferenciada nesse futuro próximo.

    Não quer dizer que me concentre nessa desilusão para evoluir, mas se ela acontece há que tirar partido dela e perceber o porquê da mesma ter acontecido.

    Talvez nos enganemos muitas vezes a nós próprios com um "sucesso" quando ele na realidade não passa de um degrau pouco acima do nível em que estamos habituados a ser desiludidos..E aí temos de sair de dentro da nossa forma corpórea, e ver com outros olhos o nosso "eu", de forma a elevar a nossa posição no equilíbrio de que falas, sabendo crescer...

    A experiência externa é apenas um meio para atingir um fim, a evolução de nós próprios como pessoas, e sobretudo o crescimento das nossas almas, da nossa confiança e da nossa vontade em poder mudar o mundo e nós próprios.

    Mais uma vez bela inspiração ;)

    Yours trully

    PG

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  17. Caro Afonso!! Ainda bem que é assim então!! Ainda bem que sentes que consegues aprender alguma coisa por estes cantos, eu também aprendo sempre alguma coisa com os cantos dos demais... :) É preciso muita humildade para poder aprender! É fabuloso que eu possa ajudar alguém a pensar!! ;)

    Espero que continues a vir, então!! Beijinhos!

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  18. Piedade: estar incompleto faz parte de estar completo!! ;)

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  19. Eheheh, caro Transcendente, não exageremos!! ;) Teologia; estudo de Deus... não vês Deus referido em lugar algum nesse texto... a palavra religião, também me deixa algumas reservas; creio que a forma mais positiva de encarar as religiões é a de deixar que nos inspirem, consoante o que dizem nos diga algo.

    A paz de espírito ilumina e a iluminação traz paz de espírito... :)

    A condição humana acompanha-nos sempre, até ao momento em que, talvez, a Humanidade esteja disposta a transcendê-la; felizmente, a iluminação e a paz de espírito ajudam-nos apenas a sermos seres humanos... mais iluminados e mais pacíficos!! :)

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  20. Caro Árabe: eu é que agradeço pela inspiração! :)

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  21. Querida Ana, fico muito satisfeita que assim seja!! A cada momento há sempre um lugar de felicidade onde podemos conseguir estar... por vezes é, contudo, verdadeiramente difícil... mas a prática leva à perfeição! :)

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  22. Discordar é saudável, Scorpion! Como tudo, ou quase tudo; desde que seja feito com consciência!

    A pouca desilusão que enfrentei, pouco me ensinou... ainda assim, creio que, de alguma forma, virei a tirar partido das agruras da vida, algum dia, embora não da forma habitual; ficar na defensiva contra as pessoas em nada ajuda a ultrapassarmos os nossos bloqueios... acho que uma desilusão sucede quando num determinado momento não avaliamos correctamente as variáveis; ou quando mesmo tendo a consciência de que não as estamos a avaliar correctamente, por algum motivo não as conseguimos vislumbrar melhor. Por vezes, apesar de a nossa capacidade de análise ser boa, há bloqueios ocasionais que nos tapam as vistas.

    Mas, caro Scorpion, um degrau é essencial... sem cada degrau, não conseguiríamos ascender nessa caminhada de nos tornarmos melhores e mais conscientes a cada dia!

    E esse fim da experiência externa é também um fim da experiência interna... não existe apenas um caminho para chegarmos a um determinado sítio...

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