sábado, 5 de setembro de 2009

Felicidade ou loucura?


O facto de as coisas nos parecerem boas ou más tem mais a ver com a nossa forma de as encarar, do que com as próprias coisas em si. É claro que há coisas, no limite, que são tão más (bloqueantes) que quase toda a gente as toma como tal. Há outras que são tão maravilhosas, que é difícil olhá-las como não sendo. Mas por mais que uma coisa se apresente, à partida, como má, ou boa, jamais reunirá unanimidade. Aquilo que numas culturas é considerado bom, noutras é considerado mau. Aquilo que umas pessoas sentem como favorável, outras vivenciam como desfavorável. Existem diversas condicionantes internas para que isso suceda dessa maneira. Temos muito em comum pelo simples facto de sermos seres humanos, e são precisamente estas diferenças que reforçam essa unidade.

Curioso referires a felicidade como a forma de estar que permite ouvir o nosso interior; um estado de gratidão, um estado que permite compreender o que a vida nos dá e não rejeitar; mas procurar aceitar, por mais difícil que esta atitude possa parecer. Só o silêncio provocado pela tranquilidade de um estado de felicidade pode levar-nos a escutar com qualidade o nosso interior. Essa postura abre portas a que se possa aprofundar o auto-conhecimento, de que eu tanto falo; aprofundamento este que se consegue através da meditação

O auto-conhecimento que é a pedra basilar de todo o conhecimento; um bom auto-conhecimento é a base de sustentação para uma mente bem estruturada, sem fragilidades, menos susceptível à dor e ao sofrimento, uma vez que compreendendo-nos e ao nosso universo, compreenderemos melhor o Universo que nos rodeia.

De facto, a ideia de sermos permanentemente felizes é controversa: pode parecer que não temos sensibilidade aos problemas, que não nos atingem as agruras da vida. De facto, não só não é assim, como é exactamente ao contrário. Uma mente meditativa, é uma mente extraordinariamente atenta e sensível, que sente cada pormenor da realidade de forma ainda mais ampliada do que, eventualmente, outras mentes; a questão não reside no sentir ou não, mas sim na forma de reagir. Se estivermos confiantes, em paz, felizes, iremos reagir melhor a acontecimentos menos favoráveis.

É preciso, contudo, ter cuidado com a questão das "pessoas vulgares". No nosso dia-a-dia, existem muitas formas de praticar meditação; o que hoje vemos, o que hoje colhemos é resultado de uma sucessão de estados de consciência em diversos contextos. Há pessoas que possuem um enorme potencial espiritual e não têm disso consciência e nunca praticaram meditação de forma consciente.

Inspirado aqui.

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