quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Virtude #1: Temperança

"A temperança (...) é uma das virtudes ditas universais, (...) propostas pelo cristianismo. Temperança significa equilibrar, colocar sob limites, "moderar a atracção dos prazeres, assegura o domínio da vontade sobre os instintos e proporcionar o equilíbrio no uso dos bens criados" (...). Essa virtude serve para controlar o pecado da gula. (...)" Daqui.

"Ela é o freio da nossa alma. A temperança é a virtude pela qual usamos com moderação dos bens temporais, quer eles sejam comida, bebida, sono, diversão, sexo, conforto, etc. Ela ensina-nos a usar essas coisas na hora certa, no tempo certo, na quantidade adequada. Ela ensina que certos actos são reservados a certas situações." Adaptado daqui.

A temperança; de facto, quanto a mim, representa sobretudo, uma forma segura de se estar. Sem excessos, não há riscos. Representa o equilíbrio; mas se num Universo de transformações, o equilíbrio é tão difícil de atingir e, uma vez atingido, é tão difícil de manter, então talvez seja porque temperança seja algo a ser perseguido permanentemente, mas não encontrado frequentemente; ou, pelo menos, seja algo que subjaz às nossas atitudes e decisões, algo que se deve fomentar por forma a tornar mais segura a atitude oposta, não sendo um estado desejável por si só. O equilíbrio traz paz, clareza de pensamento, tranquilidade. De facto, é isso que a palavra e as imagens associadas à temperança me inspiram; tudo condições essenciais, que facilitam a caminhada da evolução. Mas se permanecêssemos simplesmente em equilíbrio, jamais evoluiríamos. É uma virtude essencial, mas não suficiente. Tem de existir, mas não chega; ao mesmo tempo que passar à etapa seguinte (desequilíbrio) sem que essa virtude esteja presente, é o mesmo que cultivar a queda.

Penso na virtude da temperança como algo básico, fundamental; virtude sem a noção da qual não conseguiremos prosseguir no desequilíbrio habitual em que vivemos com um mínimo de segurança em termos da nossa conduta. Talvez por isso a temperança seja considerada como uma das 4 virtudes "cardinais" - aquelas ao redor das quais giram todas as outras. De facto, a temperança é como a água que bebemos, o ar que respiramos: tem de lá estar, se não, nada funciona. O que não significa que vivamos as nossas vidas apenas bebendo água e respirando. A ideia tem de lá estar, tem de existir, deve ser pela ideia do equilíbrio que temos de nos reger. Mas não deixa de representar uma paragem para respirar, um momento de pausa. É preciso prosseguir.

Nenhum prazer nos é negado se a temperança estiver presente. Tudo neste mundo existe por algum motivo e, se existe, é porque é necessário que disso se tome consciência, é necessário que se compreenda e a melhor forma de compreender é usufruir. Usufruir, contudo, depois de uma sólida consciência de nós mesmos; a sabedoria é como uma casa: tem de ter uma ordem pela qual é construída, ou jamais chegará sequer a poder chamar-se casa. Numa casa, não podemos começar a construir o telhado sem antes termos boas fundações; e se fizermos um grande e belo telhado, ele certamente não se sustentará se as fundações da casa forem frágeis. Assim é um ser humano com a sua sabedoria; se procuro experienciar realidades muito distantes da minha, sem ter antes uma boa consciência das realidades mais próximas, terei certamente dificuldades e muita energia bloqueada de permeio. Por isso, antes de mais (e se virmos, já naturalmente existe uma tendência para que as coisas se façam deste modo), há que ter consciência do nosso próprio corpo e da nossa própria mente, assim como dos nossos processos psíquicos, antes de pensarmos em ter uma boa relação com os outros. Se nos é dada esta máquina que é o nosso corpo e se é ele que serve de sustentação à nossa consciência, então para ampliarmos essa mesma consciência, talvez devamos começar por fazer do nosso corpo, e até dos processos psicológicos resultantes da morfologia da nossa mente, objectos dessa mesma consciência. Eles são o que temos antes de tudo o resto; então é pela consciência deles que deve começar a consciência de tudo o resto. É a consciência eles que constitui as nossas fundações. Porque a sabedoria é como uma casa e a casa tem de ter alicerces fortes. Uma boa compreensão de nós mesmos, uma ampla consciência de si mesmo, a simples prática de um exercício físico que nos leve a explorar o nosso corpo ou a prática da arte de o embelezar, assim como a análise dos nossos processos psíquicos e da nossa relação com os demais (são apenas alguns exemplos), levam a uma apreensão mais rápida das realidades seguintes; mais rápida e mais eficaz. Se eu me compreender bem, tendo a compreender melhor os outros. É como se ao trabalhar a compreensão de mim mesma, eu estivesse a criar superfícies de encaixe para novas realidades e quando elas me surgissem, eu as conseguisse apreender melhor e mais rapidamente. Enfim, tirar delas mais proveito, aprender mais com menos. Isto para dizer que o "pecado", e por pecado eu entendo toda a atitude susceptível de nos vir a trazer sofrimento (o que inclui trazer dor aos demais, uma vez que essa dor acaba por se virar contra nós), não consiste em algo estanque; dizer que fazer isto ou fazer aquilo é pecado, é, quanto a mim, a maioria das vezes, uma grande asneira. Tudo depende de quem faz, da consciência de si que possui, de como o faz e do motivo pelo qual o faz. A fraca consciência de si e motivações não generosas podem fazer com que o mais bem intencionado dos actos se torne no maior dos pecados. E vice-versa. O que torna uma acção num pecado é o grau de consciência, e consequentemente o nível de inconsciência, com que é realizado. Quanto mais ignorância subjaz aos nossos actos, mais susceptíveis eles se tornam de se transformar em pecados. Mesmo que sejam aparentemente beneméritos e bem intencionados.


É por isso que nenhum prazer nos é negado; se tivermos muita consciência de nós mesmos, se tivermos boas fundações, certamente aguentaremos um grande prazer, sem que isso nos venha a trazer necessariamente problemas. Curiosamente, um grande prazer, pode funcionar da mesma forma que uma grande provação, e é por isso que um se pode facilmente converter no outro. Assim, se fortes fundações nos tornam mais resistentes às grandes provações, e se podem dissolver uma grande provação, tornando-a simplesmente num acontecimento sem grande expressão, ou até e de forma ainda mais desejável, numa oportunidade, essas mesmas fortes fundações podem sustentar que se tenha um grande prazer durante um período de tempo mais alargado. Que esse grande prazer se torne até algo que pertença à nossa noção de normalidade (o que não significa perder a noção do bem que temos e que lá por ele fazer parte do quotidiano e estar presente todos os dias, deixemos de nos sentir gratos e valorizar). Uma fraca consciência de nós mesmos pode levar a que, face a um acontecimento muito bom na nossa existência, este não seja devidamente aproveitado, levando a abusos e à arrogância. E estas atitudes levam a que, mais tarde ou mais cedo, acabemos por perder aquilo que de bom nos havia sido emprestado.

Uma atitude com base na temperança tende a levar a que não tenhamos mais do que aquilo com que conseguimos lidar. E isso pode ser bom e pode ser menos bom. É bom porque nos deixa menos susceptíveis ao sofrimento; é menos bom, porque podemos perder a perspectiva de que existem realidades melhores do que aquela que vivenciamos, pois tendemos a sonhar e a desejar menos; logo, tendemos a caminhar menos. Por isso mesmo a temperança deve ser encarada não como uma forma de estar; mas como uma virtude à qual nos podemos recolher sempre que o tumulto da caminhada nos tira do eixo e que sentimos estar a perder essa capacidade de tirar o devido proveito do que nos é apresentado. Ela abre caminho ao silenciar dos tumultos, ao silêncio interior e à análise cuidada, por isso é tão essencial. É essa mesma análise, de forte base racional, mas tendo sempre que levar em conta os sentimentos associados a cada ideia, é essa percepção equilibrada das diversas variáveis em questão, que levam a uma equilibrada associação de ideias e, consequentemente, a uma decisão ajustada à realidade que nos é apresentada. Isto acaba por levar, por sua vez, àquilo que muitas religiões gostam de fazer parecer algo trancendental: o que muitos chamam o controlo dos instintos. Na verdade, não é um "controlo" na acepção forçada e quase violenta que habitualmente temos dessa palavra. Não se trata de usar da força bruta, mas sim da inteligência. Trata-se simplesmente de uma análise eficaz das variáveis, suficientemente consciente, que nos leve a perceber exactamente o porquê desses instintos surgirem no nosso espírito, assim como a forma mais adequada de os aproveitar. E a melhor forma de aproveitar os instintos, não é, certamente, negando-os ou reprimindo-os, mas desmontando-os, através da sua compreensão. Porque é que eu tenho tanta necessidade de comprar trapos? Será que devo comprar mais este? Uma reflexão mais aprofundada diz-me que possuo uma faceta profundamente criativa bastante atrofiada em mim e que possui uma necessidade premente de se manifestar, levando por vezes a certos desequilíbrios, que, deixando o tempo passar se verifica não serem, na verdade, propriamente desequilíbrios. Sinto o mesmo em relação à minha profissão e à impossibilidade de a realizar com criatividade. Por isso necessito tanto de liberdade. Combinar trapos é uma forma muito interessante de expandir essa mesma criatividade; é necessária, pois, por princípio, vestimo-nos todos os dias ou quase. Então, já que o temos de fazer, sempre que possível façamo-lo criativamente. Além disso, para mim, é também uma forma de explorar cores, padrões, desenvolver a noção de estética, e até de ganhar consciência do meu próprio corpo. Agora vejamos, o que nos diz o "outro" prato da balança: é preciso dinheiro, é preciso espaço, é preciso tempo, disponibilidade mental; além disso, os tecidos são objectos dificilmente recicláveis, quer por nós, quer pelo próprio planeta. Esta última variável deixa, contudo, facilmente de se constituir como um limite se tivermos em conta que possuo gostos pouco variáveis e que preservo as mesmas peças de roupa durante muitos anos; o que por outro lado, leva a um desafio positivo: como continuar a vestir as mesmas peças de roupa, mas de forma a reflectirem a minha identidade actual? É, de facto, um desafio. É também um desafio transformar uma peça de roupa, quer combinando-a, quer alterando-a, por forma, mais uma vez, a reflectir a nossa identidade. É um excelente meio de conseguirmos consciência de nós mesmos e não só. Além disso, é um importante veículo de socialização (infelizmente, por um lado, felizmente por outro); é um meio adicional (já que fazê-lo simplesmente através do formato do próprio corpo, proporções, enfim, se poderia tornar algo pobre, uma vez que não possuímos grande intervenção consciente nessas mesmas características) para transmitirmos mensagens a nosso respeito aos demais. É, para mim, um desafio conseguir progressivamente um estilo de vestir que transmita com maior e maior fidelidade a minha própria identidade. Que ajude a tornar aos demais mais óbvio quem eu sou, que reflicta o máximo de facetas minhas, que nenhuma delas fique esquecida. Claro que se tiver pouco dinheiro, ou pouco tempo, ou não andar com disposição nem vontade para pensar em roupas, não devo adquiri-las. Pode parecer um enorme desperdício de tempo estar a dedicar tanta atenção a um assunto que poderia resolver-se facilmente se enfiasse o primeiro trapo que me aparecesse à mão. Mas neste mundo, as coisas foram feitas para ser simples, mas não fáceis. É muitas vezes através da exploração de pequenas coisas que verifiquemos ser-nos relativamente acessíveis, que conseguimos suporte para outras mais importantes. É com base nesta análise que posso decidir "controlar" a minha acção comprando ou não comprando. E é a virtude da temperança que me leva a reflectir e analisar antes de agir. É ela que me ajuda a moderar o "instinto" de adquirir mais um trapo.

Esse instinto e os outros todos. Uma vez disse a uma amiga que não somos directamente responsáveis pelos "instintos" com os quais somos confrontados pelo nosso espírito, mas que somos pelo menos mais responsáveis pelas decisões que tomamos sobre esses mesmos "instintos".

5 comentários:

  1. bem... já pequei tantas vezes... e estou a falar só do dia de hoje...

    pois ... a temperança...
    não...
    mas não há problemas, eu costumo pagar ao abade da serra para poder pecar...

    ai a gula... ai o 7º mandamento que é sempre esquecido... por mim...

    abrazos serranos

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  2. Tal como digo no meu post, o pecado tem a ver não com a acção que é praticada, mas com quem a pratica; como dizem os budistas, com o "kun long" de quem a pratica. Esta é uma expressão utilizada para designar o estado da alma de alguém. Lembro-me de ler um livro do Dalai Lama em que ele referia a dificuldade em traduzir essa expressão para inglês ou qualquer língua ocidental, uma vez que não existe nenhuma expressão equivalente. Nem culturalmente, nem em termos de religião, olhamos a alma como algo que pode ser trabalhado e melhorado, como algo cujo estado mereça ser avaliado. A qualidade de uma acção depende, precisamente, do "kun long" da pessoa que o pratica e não da acção em si, isoladamente.

    A qualidade de uma acção, depende do estado da alma de uma pessoa; tal como eu explico no post, se a minha alma estiver trabalhada no sentido do amor e da compaixão, então uma acção potencialmente negativa, como a mentira, por exemplo, pode vir a ter um resultado positivo; assim como a honestidade, praticada por uma alma cujo "kun long" é negativo, pode dar um mau resultado. Claro que as coisas não são tão simples como isto; o estado da alma de uma pessoa depende de um número enorme de variáveis e avaliar se o resultado de uma acção é negativo ou positivo pode não ser possível a curto prazo.

    Ao responder ao teu comentário, questionei-me se estaria a escrever correctamente "kun long"; pesquisei um pouco e encontrei um blog onde falam precisamente do livro onde aprendi este termo, que jamais esqueci. Ao que parece, quem escreve este post neste blog é alguém cuja expressão revolucionou tanto a percepção das coisas quanto a mim, pelo entusiasmo que parece revelar. De facto, levar esta expressão em conta no nosso entendimento do mundo, pelo menos a mim, ajuda-me bastante. Passo a transcrever alguns trechos mais interessantes do post onde, por sua vez, é também transcrito o trecho do livro que fala dessa mesma expressão:

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  3. "Leio "Uma ética para o novo milênio", escrito pelo Dalai-Lama. Logo nas primeiras páginas me delicio com os ensinamentos do Mestre quando ele aborda a expressão tibetana kun long. Penso então em compartilhar tal conhecimento com as pessoas, antes mesmo de prosseguir a leitura da obra. Tenho o hábito de extrair de minhas leituras textos que me levam à reflexão e a mudanças. São textos dessa natureza que alicerçam este blog.
    Há em mim o desejo de levar o outro à introspecção, a rever comportamentos indesejáveis e aprender a cultivar um estado de espírito sempre positivo, tentando ser o mais útil possível aos outros. Ao criar o seu universo com base no entendimento e na tolerância, o homem é capaz de experimentar a paz. Vejamos com atenção o que o Dalai-Lama ensina em termos de transformar nossos corações e mentes para nos tornarmos pessoas melhores." (http://tomsimoes.criarumblog.com/Primeiro-blog-b1/Kun-long-b1-p52945.htm)

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  4. "Vamos imaginar uma situação em que nos envolvemos em um desentendimento com um membro de nossa família. A maneira como lidamos com a atmosfera pesada que se instala vai depender em grande parte daquilo que inspira nossas ações no momento – em outras palavras, nosso kun long. Quanto menos calmos ficarmos, maior a probabilidade de reagirmos negativamente, com palavras ásperas, de dizermos ou fazermos coisas de que mais tarde nos arrependeremos amargamente, mesmo que os nossos sentimentos de afeto por aquela pessoa sejam profundos. Em tibetano, a expressão que caracteriza o que é mais importante para determinar o valor ético de uma ação é o kun long do indivíduo. (...) kun long é compreendido como aquilo que, de certo modo, motiva ou inspira nossas ações – tanto as que praticamos deliberadamente como as que são involuntárias. Logo, essa expressão indica o estado geral do coração e da mente do indivíduo. Quando esse estado é sadio, deduz-se que nossas ações serão (eticamente) sadias. (...) Imaginemos ainda uma situação em que incomodamos alguém ligeiramente, como, por exemplo, esbarrar sem querer em uma pessoa na rua e ela gritar que devemos andar com mais cuidado. Há uma possibilidade maior de não darmos importância a isso se nossa disposição (kun long) for sadia, se nossos corações estiverem plenos de compaixão – um sentimento que encerra compreensão e ternura -, do que se estivermos sob a influência de emoções negativas. Quando a força motivadora de nossas ações é sadia, nossos atos tendem automaticamente a contribuir para o bem-estar dos outros. São, portanto, forçosamente éticos. E quando isso se torna o nosso estado habitual, a probabilidade de reagirmos mal quando provocados é menor. Se perdermos a paciência, será uma explosão desprovida de qualquer traço de rancor ou ódio." (http://tomsimoes.criarumblog.com/Primeiro-blog-b1/Kun-long-b1-p52945.htm)

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  5. Continuando a transcrever a opinião do autor do post: "Portanto, na opinião do Dalai-Lama, o objetivo da prática espiritual e, consequentemente, da prática da ética é transformar e aperfeiçoar o kun long. É assim que nos tornamos pessoas melhores."Descobrimos que, à medida que conseguimos transformar nossos corações e mentes cultivando qualidades espirituais, passamos a ser mais capazes de lidar com as adversidades e aumentamos as probabilidades de nossas ações serem eticamente sadias", diz o Dalai-Lama. Assim, ele prossegue, se permitirem citar meu próprio caso como exemplo, essa maneira de compreender a ética significa que, ao procurar sempre cultivar um estado de espírito positivo ou sadio, tento ser o mais útil possível aos outros. O Dalai-Lama revela que é mais fácil compreender que o estado geral do coração e da mente – ou motivação – de uma pessoa no momento de uma ação é, em geral, a chave para determinar a qualidade ética dessa ação se considerarmos como nossas ações são afetadas quando estamos sob o poder de fortes emoções e pensamentos negativos, como o ódio e a raiva. Nesse momento, diz o Mestre, nossa mente e nosso coração estão conturbados, o que nos faz não só perder o senso de percepção e perspectiva como também não enxergar o provável impacto de nossas ações sobre os outros. "Podemos chegar a ficar aturdidos a ponto de ignorar os outros e seu direito à felicidade. Em tais circunstâncias, nossas ações – isto, nossos atos, palavras, pensamentos, omissões e desejos – serão certamente nocivas à felicidade dos outros, não importando quais tenham sido nossas intenções para com os outros ou se nossas ações foram intencionais ou não", considera o Dalai-Lama." (http://tomsimoes.criarumblog.com/Primeiro-blog-b1/Kun-long-b1-p52945.htm)

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