sábado, 3 de outubro de 2009

A experiência do divino


"O declínio da religião católica é outro factor que favoreceu a popularidade da meditação (…), na relação que esta permite estabelecer com o divino, o Absoluto. O cristianismo quase sempre nos apresentou o Absoluto, Deus, como um Ser do Além, inacessível, ao qual deveríamos obediência e que, frequentemente, nos culpabilizava; não nos incitava a experimentá-lo a partir do interior, mas a obedecer-lhe do exterior, como uma criança obedece a um pai que detém a autoridade suprema.
A religião cristã ordenou-nos – e ordena-nos ainda muitas vezes – que acreditemos unicamente, e não que conheçamos ou sintamos. Acreditar implica confiança, fé, abertura do coração sem saber, sem ver. Deus, para uma grande maioria dos católicos, por não ter sido “sentido” do interior, porque não foi objecto de uma tomada de consciência, de uma experiência pessoal directa e convincente, apenas existia – e, ainda hoje existe – intelectualmente, hipoteticamente. Não podendo apoiar-nos na nossa própria experiência do divino, tivemos que nos cingir à compreensão transmitida pelos seus representantes, o que originou incompreensão entre o discurso oficial sobre Deus e a nossa própria experiência na vida quotidiana."


(O Poder da Meditação, Manon Arcand, Págs.18 e 19)

2 comentários:

  1. É muito interessante este post.
    Alguém escreveu a propósito da espiritualidade, que se aceitamos muito conhecimento em 2ª mão, como por exemplo quando vamos ao médico, isso não é possível quando se trata de Deus. Não podemos conhecer a Deus satisfatoriamente em 2ª mão. Temos de o experienciar.
    A meditação pode ser um caminho...
    Curiosamente a raiz da palavra hebraica para 'oração' tem a noção de 'conhecer a si mesmo'. Curioso, não é?

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  2. É sim... meditar é, quanto a mim, orar... se reparares as orações são repetitivas... são formas de elevar a nossa consciência, de nos direccionar no sentido da energia positiva... antes de conhecer a utilidade de calar os pensamentos através da repetição sistemática de apenas uma ideia ou frase, ou pouco mais que isso, eu acharia certamente que se tratava de uma fórmula estupidificante... mas hoje percebo que é uma forma de atingir precisamente o contrário do que se parece estar a trabalhar ao repetir frases ou proferir orações...

    Concordo que em segunda mão não conhecemos Deus... temos apenas uma noção meramente racional e não sentida daquilo que Deus significa... temos de o experienciar e essa é a parte complicada porque ninguém consegue explicar simplesmente como se faz isso... ou se está pronto para experienciar Deus, ou não se está... e ponto final. :)

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