quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Traves


Se uma certa realidade não existir em nós, não a conseguiremos identificar nos demais... mas certamente ela pode existir em nós de forma consciente o devidamente controlada e ainda assim conseguirmos identificá-la nos demais... essa é, aliás, a melhor forma de ajudar, é conhecer uma determinada realidade para podermos falar acerca dela... a trave no olho é de facto algo de preocupante, por isso convém fazer algo para aprofundar a nossa consciência das coisas... permaneceremos para sempre com traves não só nos olhos, mas na alma e em todo o lugar se não tivermos a coragem de enfrentar a verdade a nosso próprio respeito e nos assumirmos como somos... e permanecermos escondidos atrás de mentiras que inventamos, de realidades alternativas que criamos... por vezes contentamo-nos com tão pouco...

8 comentários:

  1. Vir aqui ao teu cantinho é sempre uma aprendizagem constante...nem sempre te comento mas sempre te leio...
    Para que esconder o ou quem somos...haverá sempre quem goste de nos...e quem não goste...
    Beijo de um anjo

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  2. Que bom é saber que lês mesmo quando não comentas... fico feliz, pois aquilo que aqui surge é aquilo que eu tenho para dar e posso dar... sinto assim que não é em vão; gostaria que aquilo que aprendi possa servir a alguém... mas isso só a pessoa em questão pode decidir, daquilo que aqui está o que pode retirar... creio que o crescimento espiritual é um processo individual e que cada um deve tomar conta do seu próprio... podemos interferir para ajudar, de forma coperativa e construtiva... mas se sentirmos que tudo o que temos a dar é para nos afirmarmos como superiores, se o nosso objectivo não for ajudar, mas mostrar ao mundo como somos brilhantes e inteligentes, então não só não o mostraremos, como também não ajudaremos... a verdadeira ajuda vem de um acto abnegado, não de uma tentativa de afirmção pessoal. A verdadeira felicidade vem de sabermos que fizémos alguém verdadeiramente feliz e não que fizémos essa pessoa, por exemplo, sentir-se enganada e traída, mesmo que o nosso objectivo seja tentar ajudar, seja lá de que forma for. Quando digo que devemos fazer a outra pessoa mesmo feliz, não estou a dizer que devamos dizer-lhe uma mentira só para que fique contente... estou sim a dizer que ajudar verdadeiramente requer uma atitude meditativa como eu costumo chamar, mas que não tem directamente que ver com o processo formal de meditação, mas com um estado de profundo entendimento de si mesmo... só podemos ajudar a quem compreendemos e só podemos compreender os outros se antes nos compreendermos a nós mesmos... com traves nos olhos jamais poderemos compreender quem somos na verdade... se escondermos aquilo que somos verdadeiramente, jamais poderemos ser amados por aquilo que somos... e ainda que achemos que se nos mostrarmos como somos seremos odiados, a verdade é que se nos amarmos de verdade, se nos aceitarmos como somos, isso passa para as outras pessoas... ficamos num estado de auto-aceitação em que a nossa alma está tranquila e em paz... e não passaremos desarmonia e dor para os demais... pelo contrário; levar-lhes-emos conforto, não do superficial, do mentiroso, mas do profundo, daquele que faz os demais sentir-se compreendidos e aceites tal como são.

    Contudo, todos erramos. Não vejo necessidade de perdoar nada a ninguém, acho que já mencionei que o processo de perdão habitual não me é particularmente caro; creio que se deve acima de tudo compreender... isso leva a que tiremos partido das questões de uma forma construtiva e que a questão do perdão sequer se ponha, porque não existe propriamente um erro inicial. Existem sim situações que devemos tentar compreender, para tentar transformar em algo mais agradável. A desarmonia que criamos ao nosso redor é um reflexo da desarmonia que existe dentro de nós mesmos... pessoalmente sei que existe desarmonia dentro de mim, mas trabalho para a pacificar, não para a a aumentar...

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  3. Li alguns posts e fiquei a gostar da forma como abordas os temas a que te propões.
    Sei, por experiência própria, que não é fácil sintetisar, mas alguns estão um bocadinho extensos. E tens comentários aos comentários ainda maiores...).
    Bo fim de semana.
    Beijo.

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  4. Obrigada pela visita, caro Nilson!! De facto assim é; nunca fui de poupar palavras e provavelmente nunca serei... acho que as palavras que dou têm qualidade porque, por mais erradas que estejam, vêm do lugar mais profundo do meu coração... sendo portanto, tudo o que tenho para dar... logo, dou-as em abundância... com a esperança de que alguém possa fazer delas uma forma de se encontrar um pouco mais, nem que seja pela negativa e discordando em absoluto delas... acho isso positivo. Acho que o facto de escrever muito está profundamente enraízado em mim, pois faz parte da minha forma de me dar, algo que procuro fazer ao máximo, dentro dos limites daquilo que outros estejam preparados para receber... costumo pedir, nas minhas meditações, que essa noção me seja dada: que eu saiba dar às pessoas que me rodeiam aquilo que, dentro do que eu posso dar, elas estejam preparadas para receber... isso ocorre de forma tanto mais eficaz quanto mais eu conheço as pessoas em causa... ao fazer um blog sobre espiritualidade, acabo a fazer dele um registo para mim mesma de certas ideias que vou tendo, uma vez que não tenho conhecimento suficiente de quem me visita para fazer de forma diferente... e mesmo que não fosse assim, eu normalmente faço primeiro as coisas para mim da maneira como eu acho e só depois penso na opinião alheia... acho que é uma forma de se ser mais autêntico. Além disso, creio que quando conseguimos algo em que realmente acreditamos, conseguimos algo que certamente serve a qem deve servir... Ao mesmo tempo, o facto de desconhecer a maioria das pessoas que me visita não ajuda a que eu faça de outra forma (embora o mote para este blog tenha sido originado por uma tentativa de reagir positivamente a uma situação que me sucedeu e eu tente adaptar-me da melhor forma que posso e sei às necessidades que essa mesma situação veio criar) - nada que me possam dizer simplesmente deverá alterar seja o que for na forma como eu faço as coisas, a não ser que eu tenha uma noção tal das pessoas que estão a recebê-las que me permita concluir que é melhor mudar a maneira como acho que elas devem ser feitas.

    Acho que este blog foi feito para espíritos preserverantes, eu mesma sou um, logo é normal que a minha "obra" seja um reflexo da minha personalidade eheheh :D

    Quando quero, sei sintetizar... não gosto particularmente, mas posso ser verdadeiramente sintética!! Aliás, tem sido coisa que tenho aprendido imenso nos últimos anos... mas acho que também se nota que estou verdadeiramente numa fase analítica da minha vida eheheh!!

    Emfim, a cada instante, o melhor que pudermos fazer e dar... é o meu lema... é o que faço... acho que, para além de mim e de eventuais outras situações, acabo por, de facto, não o fazer para toda a gente... só para quem se interessa e preocupa o suficiente para ler tudo até ao fim!! Eu gosto de síntese... acho que é uma verdadeira arte!! Mas confesso que a pouca síntese que por aqui imperou em outros tempos, não chegou para evitar mal entendidos... conclusões precipitadas... se é que foi disso que tudo se tratou, se é que há alguma explicação racional e/ou razoável para tudo. Creio que quando algo não corre bem, o que devemos é reflectir é tentar aprofundar as questões... esmiuçá-las certamente poderá levar a uma melhor compreensão. Isto é se as pessoas em causa realmente estiverem interessadas em compreender... por vezes não estão, apenas desejam que continuem a deixá-las praticar certas arbitrariedades, esquecendo-se que um dia colhemos aquilo que semeamos... mas eu costumo dizer muitas vezes... não quero a aprovação de ninguém, nem agradar a ninguém em particular, excepto à minha própria consciência...

    Descobri que escrevendo textos longos é a maneira de não chamar a atenção de qualquer um... mas talvez só de quem realmente está interessado nos assuntos... ;)

    Obrigada Nilson, volta sempre!

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  5. Percebi o teu ponto de vista, que aliás não difere muito do que deduzi por alguns posts que li da primeira vez que te visitei.
    Voltarei mais vezes, porque gosto de te ler.
    Boa semana, beijos.

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  6. Contenta-mos mesmo? Não sei, por vezes penso que nos deixamos pensar que sim.

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  7. Eheheheh, fantástico Nilson! Podias ter exposto essas deduções inicialmente... talvez a resposta ao comentário tivesse sido mais sucinta!! :D Neste blog não precisas ter medo de falar... aqui podes dizer aquilo que sentires de mais profundo... aqui todas as ideias que vierem por bem são bem vindas... :)

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  8. Secreta: acho que isso depende da pessoa em questão... pessoalmente não sossego enquanto não vejo aquilo que eu acho ser certo e justo passar para o plano do real!! Realidades por mim criadas não me contentam... sinto que preciso de mais... um grau de dificuldade maior do que algo que eu mesma possa conceber... precisamos de desafios para crescer...

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