sábado, 9 de janeiro de 2010

Nova Leitura - Richard Dawkins



RICHARD DAWKINS

Deus, um delírio
Tradução
Fernanda Ravagnani
COMPANHIA DAS LETRAS

Trata-se de uma leitura muito interessante de alguém que não se poupou a esforços no que diz respeito a fundamentar muito bem a teoria da não existência de algo... curiosa esta posição; terão as pessoas a noção do que dizem quando falam da não existência do que quer que seja? Estão a crer num "erro" de concepção do nosso mundo, da nossa espécie... bem, se alguém acredita que vai muito longe com esse tipo de lógica... eu não sei nada, pobre de mim, quem sou eu para contrariar um cientista tão afamado da comunidade científica... mas a única coisa que vejo é um eventual sucesso imediato de alguém que procura desesperadamente chamar a atenção, numa tentativa infantil de se convencer a si próprio da não existência de algo que, por não conseguir explicar, lhe deve causar muitos frenicoques... senhores cientistas!! Vocês não são Deus! Fiquem felizes por ainda haver coisas que não são capazes de explicar!! Fiquem felizes por ainda existir frustração a sentir... significa que estão vivos e ainda possuem um propósito para assim continuarem!!

Não, eu não acredito em Deus, da forma como Ele é concebido nas nossas sociedades. Creio numa força, numa inteligência, num sentido, numa direcção (sem ser necessariamente sempre unidireccional), algo que nos puxa, uma fonte infinita e inesgotável de energia; quando a sentimos na sua forma mais pura, chamamos-lhe amor. Mas é precisamente porque, de facto, não acredito em Deus dessa forma que compreendo e respeito quem acredita. O que me leva a dar-me ao trabalho de estar aqui a escrever acerca de algo que não sinto grande necessidade de valorizar, deve-se sobretudo ao facto de Dawkins utilizar uma argumentação que considero perversa no contexto em que ele a utiliza; sinto que eventualmente até poderia corroborar da intenção deste livro, pois ele menciona que ao rebater a ideia de Deus e das religiões se pode conseguir um mundo melhor... eu consigo compreender isto, mas não posso concordar que rebater a ideia seja do que for nos possa melhorar... há-que compreendê-la e ampliá-la... já que a única coisa que existe de "errado" com a ideia de um Deus é a limitação dessa mesma ideia... mas Dawkins vem-nos vender a banha da cobra sustentada em argumentos lógicos tão ou mais pobres do que os das religiões elas próprias. Em vez de ampliar vem limitar. A verdade não está na lógica nem na razão. Infelizmente, os meus argumentos são ainda frágeis, tenho dificuldade em lidar com a própria complexidade de pensamentos que me vai na mente, mas eles estão todos lá e quando vejo algo que não me agrada, sei que se trata mesmo de algo que não me agrada. Acho que a crença cega num Deus com personalidade nos tem conduzido a abismos, da mesma forma que a crença cega na lógica da razão pura o tem feito. Teremos sorte se a nossa magnífica ciência não nos conduzir à destruição total. Creio que talvez ainda possamos ter esperança, no dia em que os cientistas aprenderem a compreender com os sentimentos ao mesmo tempo que compreendem com a razão. Não posso corroborar com a crença de que as limitações que supostamente devemos ultrapassar são para ser levadas em conta como absolutas. Se existisse pecado, eu diria que esse deveria ser o maior de todos eles: crer que conseguimos assim, de uma assentada só, atingir a verdade absoluta.

Tudo o que existe, mesmo que apenas em abstracção (e às vezes sobretudo aí), existe por um motivo construtivo, não sendo a defesa do ego um motivo razoável para uma ideia tão forte como a da existência de Deus. Se queremos um mundo melhor, procuremos ver as pontes e não as fracturas...

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