domingo, 10 de janeiro de 2010

Richard Dawkins - Deus, Um Delírio - Parte VI

Pág.10

"SOU ATEU, MAS QUERO ME DISSOCIAR DE SUA LINGUAGEM ESTRIDENTE, DESTEMPERADA E INTOLERANTE.

Na verdade, quando se analisa a linguagem de Deus, um delírio, ela é menos destemperada ou estridente do que a que achamos muito normal — quando ouvimos analistas políticos, por exemplo, ou críticos de teatro, arte ou literatura. Minha linguagem só soa contundente e destemperada por causa da estranha convenção, quase universalmente aceita (veja a citação de Douglas Adams nas páginas 45 e 46), de que a fé religiosa é dona de um privilégio único: estar além e acima de qualquer crítica."

Continuando na secção das críticas; Dawkins continua a asneirar e a retirar-se a si próprio qualquer credibilidade que eu, pessoalmente, lhe poderia atribuir. Parece-me um playboyzinho mimado armado em rebelde... os seus argumentos são absolutamente infantis: ele compara-se com arruaceiros e diz que comparado com eles não faz barulho nenhum. Pois quanto a mim, analistas políticos, críticos de teatro, seja quem for, não tem o direito de vir tentar fazer uma crítica que seja levada a sério, ainda mais se meter sarcasmo e se for feita de forma pouco respeitosa. A fé religiosa não está acima de qualquer crítica, mas qualquer coisa que critiquemos sem fundamento e sem respeito, merece ser devidamente criticado de volta.

Mais um arruaceiro que fala de humor para disfarçar os seus próprios recalcamentos e a sua falta de elegância... o humor não é nenhum tapete para se esconder a lixarada de baixo; fazer humor requer muito mais do que vontade de gozar com a cara dos outros e de se superiorizar.


Pág.11

"Críticos de literatura ou de teatro podem ser zombeteiramente negativos e ganhar elogios pela contundência sagaz da resenha. Mas nas críticas à religião até a clareza deixa de ser virtude para soar como hostilidade. Um político pode atacar sem dó um adversário no plenário do Parlamento e receber aplausos por sua combatividade. Mas basta um crítico sóbrio e justificado da religião usar o que em outros contextos seria apenas um tom direto para a sociedade polida balançar a cabeça em desaprovação; até a sociedade polida laica, e especialmente aquela parte da sociedade laica que adora anunciar: "Sou ateu, MAS..."."

Chega a ser ridículo que este senhor se auto-anuncie como um crítico sóbrio e justificado, como parece estar a fazer aqui; acho que ele tem razão no seu ponto de vista, mas dois males não fazem um bem; não é porque os crítios de literatura e teatro fazem críticas idiotas que isso viabiliza a sua crítica idiota. Creio que são todos dignos de reprovação. Estamos, aliás, a tocar num dos meus "pontos fracos", pois críticas não construtivas são coisas que eu acho que deveriam ser banidas da face da Terra... pois são muito mais perigosas do que a ideia da existência de Deus. Não se confunda os fundamentalistas da religião que acham que não se pode mexer nos dogmas, com alguém que como eu chama a atenção para a necessidade da crítica construtiva, não só em termos de religião, mas de tudo. O que quer ele dizer com sociedade polida?? As pessoas que exigem respeito para com aquilo que lhes diz respeito?? Pois, sr.Dawkins, ser polido é uma coisa muito bonita e rara e em nada colide com ser honesto.

Sou ateu, mas... definitivamente, este senhor parece estar a tentar evidenciar-se de um grupo de atues recalcados, com vergonha de o ser... daí a necessidade da agressividade... mas acalme-se, se quer que a sua mensagem passe de forma credível e eficaz.

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