sábado, 9 de janeiro de 2010

Richard Dawkins - Deus, Um Delírio - Parte IV

Pág.7

"As provocações são propositais. Dawkins não trata questões religiosas com deferência. Um dos conceitos que ataca é justamente a idéia de que a religião mereça um respeito especial. Mas, se é agressivo para expressar sua indignação com o que considera um dos males mais preocupantes da atualidade, Dawkins refuta o negativismo. Ser ateu não é incompatível com bons princípios morais e com a apreciação da beleza do mundo. A própria palavra "Deus" ganha o seu aval na ressalva do "Deus einsteiniano", e o maravilhamento com o universo e com a vida, já manifestado em seus outros livros, encerra a argumentação numa nota de otimismo e esperança."

Já seria de esperar. Palavras insensatas e até perigosas que designa por provocações. Não sei que raio de fascínio vêm os pseudo-intelectuais da actualidade por provocações... o conflito certamente será melhor que a apatia, mas tratam-se ambas as soluções de males menores. Se o senhor está irritado por algum motivo, então vá curar-se da irritação como eu, escrevendo num caderninho lá de casa ou num blog como este, que ninguém vê, antes de ir escrever um livro. A religião, assim como a ciência merecem respeito especial por serem tentativas de compreensão, por serem sistemas que por definição nos deveriam levar a compreender um pouco mais. Ainda que muitas delas preguem a necessidade da crença numa série de dogmas que visam o perigoso estagnamento do entendimento num mundo em permanente mudança; daquilo que sei, contudo, é que os pregadores responsáveis por esse tipo de afirmações são infiéis às palavras iniciais que percursionaram essa mesma religião, pois normalmente as palavras, ou melhor, as ideias, dos percursores das diversas religiões, são muito semelhantes entre si e fazem a apologia da liberdade de pensamento, da busca por si próprio e do conhecimento.

Não gosto de religiões. Vejo-as como muletas desnecessárias que nos impedem de deixar desenvolver ideias próprias e de fortalecer a nossa espinha dorsal, a nossa unicidade enquanto seres, a nossa autenticidade; mas tantos que em certas fases do seu percurso necessitam de um apoio exterior... necessitam de uma teoria emprestada, nem que seja apenas durante algum tempo!! É um passo em frente, é melhor do que não ter rumo!!

Claro que o ideal seria chegarmos ao ponto em que pudéssemos agradecer às religiões tudo o que de bom fizeram por nós (e ignorar dentro dos possíveis, a parte negativa, pois essa ficou não com as religiões em si, mas quem delas se aproveitou para praticar acções negativas) e podermos prosseguir livres, orientados, independentes... mas se for para prosseguirmos ignorantes na mesma, desorientados, pois mais vale um belo punhado de dogmas.

A agressividade nunca é uma forma credível de enfrentar seja o que for; pressupõe sempre um sentimento de inferioridade, uma necessidade de defesa; cada caso será um caso, certamente, mas com esta agressividade Dawkins só está a corroborar com a evidência de que afinal as religiões ainda fazem falta e são aceites por muita gente.

Essa sua agressividade só me faz erguer barreiras e sentir aquilo que poucas vezes sinto: necessidade de evocar os aspectos positivos das religiões, coisa que tudo tudo tem são aspectos positivos.

Como pode refutar o negativismo alguém que baseia a sua postura na presunção e na agressividade?? Obviamente a pureza e qualidade de uma alma nada tem a ver com as suas crenças racionais; muitos apregoam o mal e fazem o bem, sendo que o contrário ainda é o mais frequente... isto partindo do pressuposto que mal e bem são entidades separadas. Mas a um nível mais primário, muito praticado no dia-a-dia a questão pode perfeitamente colocar-se desta forma. Agir correctamente tem que ver com sentimentos, com alma e pureza da mesma; certamente terá tido que ver com lógica e discernimento em algum ponto, mas um dia tudo isso se transforma num sentimento que nos guia de forma muito mais preponderante do que qualquer pensamento racional.

As últimas afirmações deste parágrafo vêm mostrar que este autor realmente crê em Deus, ao contrário do que apregoa; afinal de contas é humano e tem a mesma predisposição psicológica ou biológica para acreditar em Deus que todos os outros têm. Não vale a pena andar a apregoar que não existe: existe, pode não ser daquela forma como o vemos tradicionalmente, mas há algo bem mais interessante e amplo que corresponde à ideia de Deus. O último parágrafo deste excerto é, quanto a mim, a prova provada que nem o próprio autor crê que a ideia de Deus seja um mero delírio.

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