sábado, 27 de fevereiro de 2010

Amit Goswami - A Física da Alma, A alma e o quantum

"O que sobrevive? Será que aquilo que sobrevive reencarna de um modo que podemos chamar de verdadeiro continuum — nascimento - morte - renascimento, e assim por diante? Durante um período intenso de pesquisas, que durou aproximadamente um ano, encontrei minha resposta. Existe uma "alma" que sobrevive à morte do corpo físico e que, efetivamente, reencarna em outro corpo, formando um continuum. Ora, essa conversa faz sentido para uma ciência baseada na consciência, mas só se pensarmos na alma em termos do quantum.

A situação é similar àquela que aconteceu no final do século XIX. Os físicos descobriram que pensar em matéria e luz, da velha maneira newtoniana — ou seja, que a matéria está sempre localizada, viajando segundo trajetórias bem definidas, e a luz é sempre semelhante a uma onda, dispersa, capaz de estar em mais de um lugar ao mesmo instante —, trouxe-lhes anomalias e paradoxos. Eles descobriram um novo modo de pensar — o modo do quantum.

A palavra quantum significa "uma quantidade discreta". Por exemplo, um quantum de luz, chamado de fóton, é uma quantidade discreta e indivisível de energia, um feixe de energia localizada. Admitir que a luz tem uma natureza de partícula além da natureza de onda, mais familiar, e que a matéria tem uma natureza de onda além de sua natureza mais familiar, de partícula localizada, eliminou as anomalias e paradoxos que mencionei antes.

Assim, a importância da palavra quantum vai bem além do discreto. A dinâmica quântica confere um poder inesperado, quase mágico, a objetos do domínio submicroscópico. O que significa dizer que a matéria tem natureza de onda e, por isso, pode estar em mais de um lugar ao mesmo tempo? Se isso parece paradoxal, o paradoxo se resolve quando se percebe que as ondas da matéria são ondas de possibilidades (tecnicamente representadas por funções matemáticas chamadas "funções de onda"); elas estão em dois lugares (ou mais) ao mesmo tempo apenas em possibilidade, apenas como a superposição das duas (ou mais) possibilidades. Objetos quânticos existem como superposição de possibilidades até que nossa observação cause a realidade da potencialidade, gerando um evento real e localizado dentre os diversos eventos possíveis. Se uma possibilidade em particular tem uma grande chance de se tornar real, graças à observação, então a onda de possibilidade também é forte; quando a onda é fraca, é pequena a probabilidade de que sua possibilidade correspondente se torne real.

Um exemplo ajuda a esclarecer a questão. Suponha que liberamos um elétron dentro de um recinto. Em instantes, a onda do elétron se espalha pelo lugar. Agora, suponha que montamos uma rede de detectores de elétrons, chamados contadores Geiger, nesse recinto. Será que todos os contadores acusam alguma coisa? Não. Só um dos contadores detecta o evento. Conclusão? Antes da observação, o elétron efetivamente se espalhou pelo cômodo, mas apenas como uma onda de possibilidade. E a observação fez com que a onda de possibilidade se tornasse um evento real.

A mecânica quântica é um cálculo de probabilidades que nos permite analisar a probabilidade de cada possibilidade em dada situação dinâmica. A probabilidade gera a incerteza. Não podemos mais conhecer o paradeiro de um objeto com certeza. O movimento de objetos quânticos está sempre envolvido pela incerteza.

Antes de a física quântica ser compreendida adequadamente, uma metafísica materialista dominava a ciência — particulas elementares formam átomos, átomos formam moléculas, moléculas formam células, inclusive os neurônios, neurônios formam o cérebro e o cérebro forma a consciência. Essa teoria da causação é chamada de teoria da causação ascendente: a causa vai das partículas elementares, ou micro, até a consciência e o cérebro, macro. Não existe poder causal em qualquer entidade do mundo, exceto nas interações entre partículas elementares."

Sem comentários:

Enviar um comentário