sábado, 27 de fevereiro de 2010

Amit Goswami - A Física da Alma, A alma e o quantum

E não se pense que a possibilidade seja menos verdadeira que a realidade; pelo contrário. O que é potencial pode ser mais real do que aquilo que é manifestado, pois a potencialidade existe em um domínio atemporal, enquanto qualquer realidade é meramente efêmera: ela existe no tempo. É assim que pensam os orientais, é assim que pensam místicos do mundo todo, e é assim que pensam físicos que ouviram a mensagem da física quântica.

Será que a "magia" quântica — estar em dois lugares ao mesmo tempo, causação descendente, saltos quânticos e conexões não locais —, que é tão poderosa e clara no âmbito submicroscópico, estende-se ao nosso macromundo de experiências? A idéia revolucionária mais recente é que nosso cérebro envolve processamento quântico em todos os casos de observação em que esta seja uma mensuração quântica. O cérebro responde a um estímulo, apresentando um conjunto de possibilidades quânticas macroscopicamente distinguíveis (uma onda de possibilidades), e uma delas precipita como o evento experimentado quando a consciência assim o decide.
Aqui, já se pode ver parte da metáfora certa para a física quântica da alma. Enquanto o corpo físico, vivo, representa possibilidades que sempre precisam se manifestar como uma estrutura localizada, com início finito e término finito, a alma representa possibilidades, potencialidades, sem uma estrutura localizada na manifestação. Como potencialidade transcendental sem a fixação de manifestação local no tempo e no espaço, ela transmigra (ou seja, é experimentada não localmente) de uma encarnação, em uma localidade e algum momento, para outra, em um ponto distinto do tempo e do espaço.

O conceito de alma despe-se de seus paradoxos cartesianos e dualistas, quando a imbuímos da dinâmica quântica e da causação descendente, como poderá ser visto; e a dinâmica quântica também lhe confere uma potencialidade inesperada, que nos permite perceber a validade dos ensinamentos esotéricos e explicar dados anômalos. É claro que há a importante questão de como a alma, vista como possibilidades quânticas sem estrutura, se recorda cumulativamente de cada uma de suas experiências encarnadas, mas não devemos nos preocupar. Esta é a questão que consegui resolver, e a resposta é uma das mais importantes partes deste livro.

No Bhagavad Gita, Krishna diz a Arjuna: "Tanto você como eu reencarnamos várias vezes antes. Eu me lembro, você, não". Na Índia, os sábios dizem que a libertação traz à tona a memória de encarnações passadas e elimina o medo da morte. Todavia, este modo de lidar com o medo da morte é árduo, e acessível a apenas alguns indivíduos em cada era.

Creio que uma ciência da reencarnação, firmemente implantada e baseada na idéia de uma alma que transmigra, no contexto de uma nova dinâmica quântica tão convincente quanto satisfatória (como o leitor verá!), vai diminuir o medo que temos da morte. Assim, a morte será aceita como parte da vida, e não tentaremos negá-la freneticamente. A descoberta de um profundo significado no fenômeno da morte também trará sentido para nossa exploração da vida. Podendo viver na plenitude, veremos a morte como moldura para uma oportunidade criativa, como um passo necessário para a renovação da vida."

Sem comentários:

Enviar um comentário