quarta-feira, 31 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - SER


Pág.201

“Um homem de meditação aprendeu como estar pleno de energia, no seu máximo – óptimo. Ele vive no seu cume, ele faz a sua casa no cume. Certamente que é caloroso, mas não é febril, simplesmente mostra vida. Ele não é quente, é fresco, porque não é transportado por desejos. Ele é tão feliz que já não procura qualquer felicidade. Ele está tão à vontade, sente-se em casa, ele não vai a lado nenhum, ele não está a correr, ele não está a caçar… ele é muito fresco.”

“Em latim, há um ditado: agere sequitur esse – o fazer segue o ser; a acção segue o ser. É lindíssimo. Não tente modificar as suas acções – tente encontrar o seu ser e a acção seguir-se-á. A acção é secundária, o ser é primário. A acção é algo que você faz, ser é algo que você é. A acção provém de si, mas a acção é só um fragmento. Mesmo que todas as suas acções sejam agrupadas, elas não são iguais ao seu ser, porque todas as acções agrupadas são iguais ao seu passado. E o seu futuro? O seu ser contém o seu futuro, o seu passado, o seu presente; o seu ser contém a sua eternidade. As suas acções, ainda que todas reunidas, serão simplesmente o passado. O passado é limitado, o futuro é ilimitado. Aquilo que aconteceu é limitado; pode ser definido, já aconteceu. Aquilo que não aconteceu é ilimitado, é infindável. O seu ser contém a eternidade, as suas acções contêm simplesmente o seu passado.”

terça-feira, 30 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho

“As pessoas vivem com frases feitas do tipo: “Olá, como estás?”. Ninguém quer dizer nada com isto, estas palavras servem simplesmente para evitar o verdadeiro encontro entre duas pessoas."

segunda-feira, 29 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Frieza


Pág.200

“Se a sua compaixão não surgiu em si, então a apatia surgirá. Apatia significa ausência de paixão; compaixão significa transformação de paixão.”

“Vá e observe os monges católicos, os monges janaístas, os monges budistas, e verá figuras muito apáticas – cansativas, estúpidas, sem brilho, fechadas, receosas, continuamente ansiosas.

As pessoas controladas estão sempre nervosas, porque lá bem no fundo esconde-se um turbilhão. Se você não tem controlo, flui, vive, e não é nervoso. Não há qualquer hipótese de se sentir nervoso – o que tem que acontecer, acontece. Você não tem expectativas para o futuro, você não está a representar. Então, por que é que está nervoso? Se você for ter com os monges católicos, jainistas, budistas, verá que eles estão muito nervosos para o mundo exterior (…) porque a cada passo há uma tentação.”

“A tentação nunca vem do exterior; é desejo reprimido, é energia reprimida, fúria reprimida, sexo reprimido, ganância reprimida, e isto cria tentação. (…) Para controlar essa mente, a pessoa deve manter-se fria e gelada para que nenhuma energia vital passe para os seus membros, para o seu corpo. Se a energia conseguir passar, essas repressões virão à superfície.”

“Por isso, as pessoas aprenderam a ser frias, aprendem a tocar nos outros sem tocarem, sem ver os outros sem os ver. As pessoas vivem com frases feitas do tipo: “Olá, como estás?”. Ninguém quer dizer nada com isto, estas palavras servem simplesmente para evitar o verdadeiro encontro entre duas pessoas.”


(A verdadeira frieza está, por vezes, mascarada sob as mais efusivas demonstrações de alegria)

domingo, 28 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Infância


Pág.199

“Desde a sua própria infância, a paixão foi mutilada e reprimida. Sempre que começava a ficar apaixonado, havia alguém – a sua mãe, o seu pai, o seu professor, a polícia -, havia alguém que imediatamente o encarava com suspeita. A sua paixão foi refreada, foi reprimida: “Não faças isso!” Imediatamente você encolhia-se em si mesmo. E a pouco e pouco aprendia que, para sobreviver, é melhor ouvir as pessoas que o rodeiam. É mais seguro.”

“Uma pessoa controlada é uma pessoa morta. Uma pessoa controlada não é necessariamente uma pessoa disciplinada; a disciplina é completamente diferente. A disciplina provém da consciência; o controlo provém do medo. As pessoas que o rodeiam são mais poderosas do que você, elas podem castigá-lo, podem destruí-lo. Têm todo o poder para controlar, para corromper, para reprimir. E a criança tem de ser diplomata.”

“Nas escolas o que é que estamos a fazer? De facto, nas escolas os instrumentos não são usados para transmitir conhecimento, mas sim para exercer controlo. Durante seis, sete horas, as crianças estão ali sentadas. Isso serve para refrear a sua dança, para refrear o seu canto, para refrear a sua alegria; serve para as controlar. Sentar-se durante seis, sete horas, todos os dias, numa atmosfera quase prisional, a pouco e pouco a energia decai. A criança torna-se reprimida, gelada. Já não há qualquer fluxo, a energia não vem, vive no mínimo – é a isso que chamamos controlo. Nunca atinge o seu máximo.”

“Os psicólogos têm feito alguma pesquisa nesta área e chegaram à conclusão, no que se refere a factor importante na infelicidade humana, que as pessoas comuns vivem somente dez por cento. Elas vivem dez por cento, elas respiram dez por cento, elas amam dez por cento, elas gozam dez por cento – noventa por cento da sua vida não é autorizada. Isto é um absurdo e um desperdício! Cada um deveria viver a cem por cento da sua capacidade, só assim o florescimento é possível.”

Palavras do Dalai Lama


True compassion is not just an emotional response but a firm commitment founded on reason. Therefore, a truly compassionate attitude towards others does not change even if they behave negatively. Through universal altruism, you develop a feeling of responsibility for others: the wish to help them actively overcome their problems.

Dalai Lama - Ética

sábado, 27 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Meditação


Pág.196

“Meditação não é concentração. Um homem de concentração pode não alcançar o amor; de facto, ele não o fará. O homem de concentração poderá tornar-se mais violento, porque a concentração é treino para se manter tenso, concentração é um esforço para limitar a mente. É uma violência profunda para com a sua consciência. E quando você é violento com a sua própria consciência, não poderá ser pacífico com s outros. O que quer que você seja consigo mesmo, será com os outros.
Deixe que esta seja uma regra fundamental na sua vida, uma das mais fundamentais: o que quer que você seja em relação a si mesmo, você será em relação aos outros. Se você está a fluir dentro do seu ser, você estará a fluir igualmente nas relações. Se você estiver gelado dentro de si, será gelado exteriormente. O exterior tende a ser igual ao interior; o interior tende a manifestar-se no exterior.”

Pág.197

“Então o que é a meditação? Meditação é ter prazer na sua própria presença; meditação é ter prazer no seu próprio ser. É muito simples: é um estado de consciência totalmente relaxado onde você não faz nada.”

“A meditação é simplesmente ser, não fazer nada – nenhuma acção, nenhum pensamento, nenhuma emoção. Você simplesmente é, e isso é puro prazer. De onde vem este prazer quando você nada faz? Não vem de lado nenhum – ou vem de toda a parte. Não tem motivo, porque a existência é feita de uma matéria chamada felicidade.”

Pág.198

“Se conseguir estar consigo mesmo, não fazer nada, apreciar-se a si mesmo, estar apenas consigo mesmo, estar feliz com o que é, estar feliz porque respira, estar feliz porque ouve as aves – sem qualquer motivo -, então você está em meditação. A meditação está aqui, agora. E quando alguém está feliz sem razão, essa felicidade não pode ser contida dentro de si. Continua a espalhar-se para outros, torna-se uma partilha. Você não a pode suster, é demasiado forte, é infinita. Você não a pode segurar nas suas mãos, tem de lhe permitir que se espalhe.
Isto é que é compaixão. A meditação é estar consigo mesmo e a compaixão é transbordar nesse estar. É a mesma energia que se transformava em paixão que se torna compaixão. É a mesma energia que foi reduzida ao seu corpo ou à sua mente. É a mesma energia que estava a verter de pequenos orifícios.”

“Quando você está a fluir, a transbordar, quando você não se move através dos orifícios, todas as paredes desaparecem. Você tornou-se o todo. Agora, você espalha-se. Não pode fazer nada acerca disso.
Não é que você tenha de ser compassivo, não. Num estado de meditação, você é compaixão. A compaixão é tão quente quanto a paixão – daí a palavra compaixão. É muito passional, mas a paixão não é dirigida e é uma paixão que não busca gratificação. Todo o processo se tornou precisamente o oposto. Primeiro, você busca alguma felicidade algures – agora encontrou-a e exprime-a. A paixão anda em busca da felicidade; a compaixão é uma expressão de felicidade. Mas é apaixonada, e quente, e você tem de a entender, porque contém em si um paradoxo.
Quanto maior, mais paradoxal, e esta meditação e compaixão é um dos cumes mais elevados, o cume mais distante. Por isso é de esperar que seja um paradoxo.
O paradoxo é que um homem de meditação é muito fresco, mas não frio; fresco mas quente, não ardente. A paixão é ardente, é quase febril. Tem temperatura. A compaixão é fresca, mas no entanto quente, acolhedora, receptiva, feliz por partilhar, esperando partilhar. Se uma pessoa de meditação se torna fria, perdeu. É só um homem de repressão. Se reprime as suas paixões, tornar-se-á frio. Foi assim que toda a Humanidade se tornou fria – a paixão foi reprimida em toda a gente.”

sexta-feira, 26 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Renúncia


Pág.191

“Entrando profundamente na sua solidão, um dia encontrará não somente a alegria – alegria é só metade do caminho. A alegria é muito superficial, depende de outros; a felicidade está no centro, não depende de nada, nem de ninguém. Mas indo ao fundo, você alcançará um estado de alegria – isso é o que eu designo por iluminação.
Faça algo e encontrará a iluminação – mas faça algo autêntico, que seja seu. E então atingirá uma felicidade uma felicidade que será sua vinte e quatro horas por dia. Está simplesmente a irradiar de si. Pode partilhá-la agora, pode dá-la a quem quer que você ame. Mas é uma oferta incondicional. E ninguém conseguirá torná-lo infeliz.”

“A sua felicidade estará consigo, faça você o que fizer. Ela fortalecerá qualquer das suas actividades, enriquecerá qualquer acto seu. O seu amor terá um sabor completamente diferente. Não existirá nenhum ódio subjacente a ele; será simplesmente amor. Nem sequer haverá a expectativa de que algo lhe deverá ser devolvido. Você não precisa de nada. Dar é uma bênção tal que não pressupõe qualquer necessidade. Você é tão rico interiormente que nada o pode tornar mais rico.
E você pode continuar a partilhar a felicidade. Quanto mais partilhar, mais possuirá, e nada o pode fazer mais pobre. Esse é o único milagre que eu conheço.”

Pág.193

“Anteriormente deslocava-se para os outros, com uma motivação; agora não haverá nenhuma. Irá ao encontro dos outros porque tem muito para partilhar.”

“A renúncia é uma fase passageira – o objectivo da vida é a celebração. A renúncia é um meio.”

quinta-feira, 25 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Perigo



Pág.190

“(…) mas sempre que me sentava na sala dos professores, ninguém se sentava na cadeira onde eu me sentava, ninguém se sentava ao lado da cadeira onde eu me sentava. Eles consideravam-me um pouco perigoso.
Um homem que não tem amigos, um homem que tem pensamentos estranhos, um homem que está contra todas as religiões, contra todas as tradições, um homem que se opõe sozinho a toda a gente como Mahatma Gandhi, que é venerado por todo o país. Eles pensavam: é melhor mantermo-nos afastados deste homem. Ele pode colocar-nos alguma ideia na cabeça e podemos vir a ter dificuldades.”

quarta-feira, 24 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Tristeza



Pág.187

“Toda esta vida é uma terra estranha; nós provimos de uma fonte desconhecida. Subitamente estamos aqui e, um dia, subitamente deixamos de estar, voltamos á fonte original. É uma viagem que dura poucos dias; torne-a tão alegre quanto possível. Mas nós fazemos precisamente o oposto – nós tornamo-la tão infeliz quanto possível. As nossas energias concentram-se em torná-la cada vez mais triste.”

Pág.187

“Porque sinto a minha tristeza mais real que a minha felicidade? Quero tanto sentir-me verdadeiro e autêntico, sem usar quaisquer máscaras, mas isso parece acarretar tanta rejeição por parte dos outros. É possível estar tão só? (…) A sua tristeza é, certamente, muito mais real porque é sua, é autêntica. A sua felicidade é superficial; não é sua, depende de algo, de alguém. E nada que o faça estar dependente, por muito feliz que você esteja, momentaneamente, a lua-de-mel em breve acaba – mais cedo do que você esperava.”

Pág.188

“Mas a tristeza é mais autêntica, porque não depende de ninguém. É sua, totalmente sua – e isto deverá dar-lhe um grande discernimento, a sua tristeza pode ajudá-lo mais que a sua felicidade. Você nunca olhou a tristeza atentamente. Você evita olhá-la, de muitos modos. Se você se sente triste, liga a televisão. Se você se sente triste, vai ao cinema; se você se sente triste, vai divertir-se com os seus amigos, vai a um bar. Você começa a fazer coisas para evitar a sua tristeza, Esta não é a abordagem certa.
Estar triste é um fenómeno importante, muito sagrado, algo de si mesmo. Familiarize-se com ele, aprofunde-o e ficará surpreendido. Sente-se silenciosamente e fique triste. A tristeza tem a sua própria beleza.
A tristeza é silenciosa, é sua. Vem porque você está só. Procura dar-lhe uma hipótese de aprofundar a sua solidão. Em vez de saltar de uma felicidade oca para uma felicidade vazia e desperdiçar a sua vida, é melhor usar a sua tristeza como forma de meditação. Testemunhe-a. É sua amiga! Abre a porta da sua solidão eterna.
Não existe forma de não estar só. Você pode iludir-se a si mesmo, mas não pode vencer. E estamos a iludir-nos a nós próprios em todos os sentidos – nas relações, na ambição, em nos tornarmos famosos, em fazer isto, em fazer aquilo. Estamos a tentar convencer-nos de que não estamos sós, de que não estamos tristes. Mais cedo ou mais tarde, a sua máscara cai – ela é falsa, não se pode manter para sempre -, e então você tem de usar outra máscara. Numa única vida, quantas máscaras pode você usar? E quantas mais desapareceram se modificaram? Mas você continua a manter o velho hábito.”

“Se você pretende ser um indivíduo autêntico, use a sua tristeza; não fuja dela. É uma grande bênção. Sente-se silenciosamente nela, rejubile com ela. Não há nada de mal em estar triste. E quanto mais familiarizado estiver com ela, com as suas gradações subtis, mais ficará surpreendido – é uma grande tranquilidade, um grande descanso, e você sairá dela rejuvenescido, refrescado, mais jovem, mais vivo. E uma vez que você a tenha provado, você irá procurar esses belos momentos de tristeza, de novo e uma vez mais. Você esperará por eles, você irá recebê-los e eles abrirão novas portas à sua solidão…

terça-feira, 23 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Necessidade subtil da alma


Pág.186

“(…) qualquer que seja a existência que lhe foi facultada, ela deverá corresponder a uma necessidade subtil da sua alma, de outro modo não lhe poderia ter sido dada em primeiro lugar.”

segunda-feira, 22 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Não pertencer


Pág.184

“Não pertencer é uma das experiências mais grandiosas da vida. Ser totalmente à margem, nunca sentir que se pertence a qualquer lugar, é a grande experiência de transcendência.”

domingo, 21 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Meditação


Págs.179 a 184

“Encontrar-se a si mesmo, encontrar o sentido da vida, o significado da vida, a alegria da vida, o esplendor da vida. Encontrar-se a si mesmo é a maior descoberta na vida do homem e este encontro só é possível quando você está só. Quando a sua consciência não está ocupada por nada, por ninguém, quando a sua consciência está completamente vazia – nesse vazio, nesse nada, acontece um milagre. E esse milagre é o fundamento de toda a religiosidade.
O milagre é que, quando não existe mais nada para a sua consciência estar consciente, a sua consciência vira-se para si mesma. Torna-se um círculo. Não encontra obstáculos, não encontra objectos, volta à fonte. E no momento em que o círculo fica completo, você já não é um ser humano comum; você tornou-se parte da divinização que rodeia a existência. Você já não é você mesmo, tornou-se parte de todo o universo – o seu ritmo cardíaco é ele próprio o ritmo do coração universal.
É esta experiência que os místicos têm vindo a procurar durante toda a sua vida e através dos tempos. Não existe outra experiência mais extasiante, mais bem-aventurada. Esta experiência transforma toda a sua perspectiva: onde até agora havia escuridão, há luz; onde havia infelicidade, agora há felicidade; onde até agora havia ódio, raiva, possessão, ciúme, existe só a mais bela flor do amor. Toda a energia que foi desperdiçada em emoções negativas, já não é desperdiçada; assume uma mudança positiva e criativa.
Por um lado, você já não é o seu velho eu; por outro lado, você é, pela primeira vez, o seu eu autêntico. O velho eu foi-se, o novo chegou. O velho morreu; o novo pertence à eternidade, o novo pertence à imortalidade.
É devido a esta experiência que os videntes dos Upanishads declararam que o homem é o amrytasia putrah – “filhos e filhas da imortalidade”.
A menos que vocês se conheçam a si mesmos como seres eternos, parte de um todo, continuarão a recear a morte. O medo da morte acontece simplesmente porque você não está consciente da sua fonte de vida eterna. Uma vez que se apercebe da eternidade do seu ser, a morte torna-se a maior mentira da existência. A morte nunca aconteceu, nunca acontece, nunca acontecerá, porque aquilo que é permanece sempre – de formas diferentes, em níveis diferentes, mas não existe descontinuidade. A eternidade no passado e a eternidade no futuro, ambas lhe pertencem. E o momento do presente torna-se num ponto de encontro de duas eternidades: uma que conduz ao passado, outra que leva ao futuro.
A recordação da sua solidão pode não estar só na sua mente; cada fibra do seu ser; cada célula do seu corpo deve lembrar-se dela – não como uma palavra, mas como um sentimento profundo. Esquecer-se de si mesmo é o único pecado que existe, e lembrar-se de si mesmo é a única virtude.
Gautama Buda enfatizou continuamente ao longo de quarenta e dois anos, de manhã à noite, uma única palavra, sammasati, significa “recordação correcta”. Você lembra-se de muitas coisas, você podendo tornar-se numa Enciclopédia Britânica; a sua mente é capaz de se lembrar de todas as bibliotecas do mundo – mas esta não é a recordação certa Só existe uma recordação certa – o momento em que você se lembra de si mesmo.
(…)
Gautama Buda costumava dizer: “A função do mestre é ajudá-lo a lembrar-se de quem você é. Você não faz parte deste mundo mundano; a sua casa é a casa do divino. Você está perdido no esquecimento; você esqueceu-se que dentro de si esconde-se Deus. Você nunca olha para dentro – porque toda a gente olha para o exterior, você olha igualmente para o exterior.
Estar só é uma grande oportunidade, uma bênção, porque na sua solidão, você está destinado a tropeçar em si mesmo e a lembrar-se, pela primeira vez, de quem você é. Saber que você é uma parte da existência divina, é estar livre da morte, livre da tristeza, livre de ansiedades; livre de tudo aquilo que foi um pesadelo para si por muitas e muitas vidas.
Centre-se mais profundamente na sua solidão. Isso é que é a meditação; tornar-se mais centrado na sua própria solidão. A solidão tem de ser tão pura que nem mesmo um pensamento, nem mesmo um sentimento a perturbe. No momento em que a sua solidão fique completa, a sua experiência nela torna-se o seu saber. O conhecimento não é algo que vem do exterior; é algo que cresce dentro de si,
Esquecer-se de si próprio é o único pecado. E lembrar-se de si é a sua suprema beleza, a sua única virtude, a sua única religião. Você não precisa de ser hindu, não precisa de ser islâmico, não precisa de ser cristão – tudo o que precisa para ser religioso é ser você mesmo.
De facto, nós não estamos separados, mesmo agora – ninguém está separado; toda a existência é uma unidade orgânica. A ideia da separação é devida ao nosso esquecimento. É como se cada folha da árvore começasse a pensar por si, separada por outras folhas… Mas bem no fundo elas são alimentadas pelas mesmas raízes. É uma só árvore, as folhas podem ser muitas. É só uma existência; as manifestações podem ser muitas.
Ao conhecer-se a si mesmo, uma coisa fica imediatamente clara: nenhum homem é uma ilha – nós somos um continente, um vasto continente, uma existência infinita sem quaisquer prisões. A mesma vida corre entre todos, o mesmo amor enche cada coração, a mesma alegria dança em cada ser. Só devido aos nossos mal entendidos pensamos estar separados.
A ideia de separação é uma ilusão nossa. A ideia de unicidade será a nossa experiência única de verdade. Só é necessário um pouco mais de inteligência e você liberta-se do pessimismo, da tristeza, do inferno em que toda a Humanidade vive. O segredo de sair deste inferno é lembrar-se de si mesmo. E esta memória só será possível se você entender a ideia de que está só.
Você poderá ter vivido com a sua mulher ou com o seu marido 50 anos, mas ainda assim serem dois. A sua mulher está só, você está só. Você tem tentado criar uma fachada: “não estamos sós”, “nós somos uma família”, “Nós somos uma sociedade”, “Nós somos uma civilização”, “Nós somos uma cultura”, “Nós somos uma religião organizada”, “Nós somos uma força política organizada”. Mas estas ilusões não irão ajudar em nada.
Você tem de reconhecer, por muito doloroso que pareça ser inicialmente, que “Eu estou só numa terra estranha”. Este reconhecimento é doloroso, no início. Leva consigo todas as suas ilusões – que eram um grande consolo. Mas logo que tenha ousado aceitar a realidade, a dor desaparece. E escondida sob a dor, está a maior de todas as bênçãos do mundo: você conhece-se a si mesmo.
Você é a inteligência da existência, você é a consciência da existência; você é a alma da existência. Você é uma parte desta imensa divinização que se manifesta em centenas de aspectos: nas árvores, nas aves, nos animais, nos seres humanos… mas são diferentes estádios de evolução da mesma consciência. E o homem que se reconhece a si mesmo e sente que o Deus que ele buscava e procurava por todo o mundo habita no seu próprio coração chega ao ponto mais elevado de evolução. Não existe nada mais elevado do que isto.
Faz a sua vida ter sentido pela primeira vez, tornando-se significativa, religiosa. Mas você não será um hindu, não será um cristão, não será um judeu, você será simplesmente religioso. Ao ser hindu ou islâmico ou cristão ou janaísta ou budista, você está a destruir a pureza da religiosidade – não são necessários adjectivos.
O amor é o amor – já alguma vez ouviu falar de amor hindu? Amor islâmico? A consciência é a consciência – alguma vez se debruçou sobre a consciência islâmica a consciência indiana ou sobre a consciência chinesa? A iluminação é a iluminação: quer ocorra num corpo branco ou num corpo negro, quer ocorra num jovem ou num velho, quer ocorra num homem ou numa mulher, não faz qualquer diferença. É a mesma experiência, o mesmo gosto, a mesma doçura, a mesma fragrância.
(…)
O homem inteligente procura primeiro o seu próprio ser, antes de iniciar uma viagem pelo mundo exterior. Isto parece simples e lógico – pelo menos dê primeiro uma olhadela ao interior da sua própria casa antes de ir em busca por todo o mundo. E aqueles que olharam para dentro de si mesmos, encontraram-no, sem excepções.
Gautama Buda não é um budista. A palavra buda significa simplesmente o desperto, aquele que saiu do sono. Mahavira, o Jaina, não é jainista. A palavra jaina significa simplesmente aquele que conquistou – que se conquistou a si mesmo. O mundo precisa de uma grande revolução em que cada indivíduo encontre dentro de si mesmo a sua religião. A partir do momento em que as religiões se tornam organizadas, elas tornam-se perigosas; tornam-se políticas com uma falsa face religiosa. Por isso, todas as religiões do mundo procuram converter cada vez mais pessoas à sua própria religião. É a política dos números; quem tem mais números será mais poderoso. Mas ninguém parece interessado em trazer milhões de indivíduos ao seu próprio eu.
O meu trabalho aqui consiste em levá-lo para fora de qualquer tipo de esforço organizado – porque a verdade nunca pode ser organizada. Você tem de caminhar só na sua peregrinação, porque a peregrinação será interna. Você não pode levar ninguém consigo. E terá de esquecer tudo o que aprendeu com os outros, porque todos esses preconceitos distorcem a sua visão – você não será capaz de ver a realidade nua do seu ser. A realidade nua do seu ser é a única esperança de encontrar Deus.
(…)
O templo de Deus é feito da sua própria consciência, você não pode ir lá com os seus amigos, com os seus filhos, com a sua mulher, com os seus pais.
Todos têm de lá ir sozinhos.”

sábado, 20 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Deus


Pág.178

“Essa é outra das frases de Jesus: Quando o princípio e o fim se tornarem unos, você tornar-se-á Deus.”

sexta-feira, 19 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Frases de Sabedoria


Pág.173

“(…) o amor quer permanecer com uma pessoa, sempre e para sempre, numa forma cada vez mais profunda: o amor move-se em profundidade.”

Pág.174

“Só os ninguéns entram lá (no reino de Deus) e apenas aqueles que tiveram consciência da sua insignificância (…)”

Pág.177

“O desejo deve ter total consciência, porque qualquer desejo está destinado a cumprir-se de um momento para o outro.”

quinta-feira, 18 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Solitários


Pág.169

“As raízes têm de ser trazidas à luz para que você as entenda.”

“Você tem necessidade de se sentir útil, tem uma necessidade profunda de se sentir útil. Se ninguém precisa de si, você sente-se insignificante, sem sentido. Se alguém precisa de si dá-lhe significado, fá-lo sentir-se importante.”

Pág.171

“Agora tente entender as palavras de Jesus: Abençoados os solitários e eleitos, pois vós encontrareis o reino; e porque vós vindes dele, entrareis de novo aí.”

“Tente penetrar em cada palavra. Abençoados os solitários… Quem é o solitário? Aquele cuja necessidade de ser necessário desapareceu; aquele que está perfeitamente satisfeito consigo mesmo tal como é. Aquele que não precisa que alguém lhe diga: Você é muito significativo. O seu significado está dentro dele; portanto, o seu significado não provém de outros. Ele não suplica por ele, ele não pede por ele – o seu significado provém do seu próprio ser. Ele não é um pedinte e pode viver consigo próprio.”

quarta-feira, 17 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Droga


Pág.168

“Não é só o LSD que é uma droga. O Cristianismo também o é – e uma droga muito complexa e subtil, que lhe dá uma espécie de cegueira. Você não pode ver o que está a acontecer. Você não consegue sentir como está a desperdiçar a sua vida, você não consegue aperceber-se da doença que foi acumulando através de tantas existências. Você está sentado num vulcão e continuam a dizer-lhe que está tudo bem: Deus no céu e o governo na Terra – está tudo bem. E os sacerdotes continuam a dizer-lhe: Você não precisa de se preocupar, nós estamos aqui. Deixe tudo nas nossas mãos que nós tratamos de si neste mundo e também no outro. E você deixou que eles o fizessem, e é por isso que se sente infeliz.”

terça-feira, 16 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Liberdade, Instrução e Sociedade




Pág.165

“O impulso mais profundo no homem é ser totalmente livre. A liberdade (…) é o seu objectivo. Jesus chama-lhe o reino de Deus – para ser como os reis, simbolicamente, para que não haja nenhuma grilheta na sua existência, nenhuma prisão, nenhuma limitação; você existe como infinito, em nenhum outro lugar você se choca com outra pessoa… é como se estivesse só. Liberdade e solidão são dois aspectos da mesma coisa.”

“Aqueles que buscam a liberdade, têm de encontrar a sua solidão; têm de encontrar uma via, um meio, um método para atingirem a sua solidão.”

Pág.166

“Toda a instrução, educação e cultura consiste em fazer a criança integrar-se na sociedade, integrar-se no meio onde os outros estão também inseridos. Isto é o que os psicólogos definem como ajustamento. E sempre que alguém é um solitário, parece inadaptado.”

“A sociedade existe como uma rede, um padrão de muitas pessoas, uma multidão. Aí você pode ter alguma liberdade – a um alto preço. Se você segue a sociedade e se você é obediente, eles concedem-lhe um pequeno mundo livre. Se se torna um escravo, a liberdade é-lhe concedida. Mas como é uma liberdade que lhe é concedida, também lhe pode ser retirada a qualquer momento. E é-lhe concedida com um grande custo: é um ajuste com os outros, por isso podem surgir limites.”

“Qualquer pessoa quer ser muito rica, porque os ricos dão igualmente a falsa impressão de que são livres. Como pode um homem pobre ser livre? As suas necessidades são uma prisão e ele não pode satisfazer as suas necessidades. Para onde quer que se mova, depara-se com um muro que não consegue transpor. Daí o desejo de riqueza. Bem no fundo está o desejo de ser absolutamente livre, e todos os desejos advêm daí. Mas se se desloca em direcções falsas, pode continuar a mover-se, mas nunca atingirá o seu objectivo, porque desde o início que o objectivo está errado.”

“Em hebraico antigo, a palavra pecado é muito bela. Significa aquele que perdeu o caminho. Não existe nenhum sentido de culpa, realmente; pecado significa aquele que perdeu o caminho, que se extraviou.”

Pág.167

“Jesus é anti-social. Observem Jesus – ele não era um homem muito respeitável, não podia ser. Ele dava-se com os maus elementos, os elementos anti-sociais. Ele era um vagabundo, um extravagante – tinha de ser, porque ele não ouvia a sociedade e não se adaptaria a ela. Ele criou uma sociedade alternativa, um pequeno grupo de seguidores.”

“Jesus é anti-social, Buda é anti-social – mas o Cristianismo não é anti-social, o Budismo não é anti-social. A sociedade é muito astuta e absorve de imediato os fenómenos anti-sociais para o social.”

segunda-feira, 15 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Solidão


Pág.160

“A menos que você seja capaz de estar só, a sua busca da verdade continuará a ser um fracasso.”

“A sua solidão é a sua verdade. A sua solidão é a sua divindade.”

“A função de um mestre é ajudar o outro a estar só. A meditação é só uma estratégia para afastar a sua personalidade, os seus pensamentos, a sua mente, a sua identificação com o corpo, e deixá-lo absolutamente só dentro de si, como um fofo vivo.”

“Quando encontrar o seu fogo vivo, conhecerá todas as alegrias e todos os êxtases de que a consciência humana é capaz.”

Pág.163

“Nós nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos. A solidão é a nossa verdadeira natureza, mas não estamos conscientes dela. Porque não estamos conscientes dela, permanecemos estranhos a nós mesmos e, ao invés de vermos a nossa solidão como uma enorme beleza e bem-aventurança, silêncio, paz e equilíbrio relativamente à existência, confundimo-la com isolamento.”

“Depois de estar sintonizado com a sua solidão, pode relacionar-se com os outros, então as suas relações podem trazer-lhe grandes alegrias «, porque elas não provêem do medo. Encontrada a sua solidão, pode criar, pode envolver-se em tantas coisas quantas queira, porque esse envolvimento não será uma fuga de si mesmo. Agora será a sua expressão, agora será a manifestação de tudo o que é o seu potencial.”

“O seu primeiro e mais primário passo para encontrar o significado e o significante da vida é entrar na sua própria solidão. É o seu templo, é onde habita o seu Deus, e você não consegue encontrar esse templo em outro lugar.”

domingo, 14 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Felicidade



Pág.150

“Se você está a sentir-se feliz, se você se sente feliz com o que quer que esteja a crescer, mais centrado, mais ligado à terra, mais vivo do que antes, então vá, precipite-se. Então não existe medo. Deixe a felicidade ser a pedra de toque, o critério – nada mais pode ser o seu critério.”

“O que quer que as escrituram digam não é um critério, a menos que o seu coração esteja palpitante de felicidade.”

sábado, 13 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Transformação


Pág.144

“Qualquer pessoa que tenha feito meditação passa pela transformação de energias as energias que seguem um movimento descendente, começam a ascender, abrindo os seus centros superiores de consciência, trazendo novos céus ao seu ser.”

“Ambos os parceiros em meditação têm de se transformar simultaneamente – só assim podem regular o caminho entre si. De outro modo, vão desintegrar-se.”

Pág.145

“Pela repressão do sexo consegue-se perverter a energia, não convertê-la. A conversão vem à medida que você vai ficando cada vez mais silencioso, à medida que o seu coração começa a sentir-se mais harmonioso, à medida que a sua mente começa a ficar cada vez mais em paz. Á medida que se vai aproximando mais dos eu ser, do seu verdadeiro centro, a transformação ocorrida não é controlada por si, acontece apenas. A energia sexual, torna-o muito espiritual. É a mesma energia, só que mudou de direcção. Já não desce, sobe.”

sexta-feira, 12 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Liberdade


Pág.139

“A vida poderá tornar-se um paraíso aqui e agora. As barreiras têm de ser removidas.”

“Existe um medo subtil da liberdade, e toda a gente quer ser escrava. Toda a gente, claro, fala sobre liberdade, mas ninguém tem coragem de ser realmente livre, porque quando se é realmente livre, está-se só. Se tem a coragem de estar só, só então pode ser livre.”

Pág.140

“Quando está só, desejará alguma escravidão, alguma servidão. Quando se encontra numa situação de servidão, começará a desejar ser livre. Só os escravos desejam a liberdade e só as pessoas livres tentam de novo ser escravas. A mente funciona como um pêndulo movimentando-se de um extremo para o outro.”

“Lembre-se disto e, sempre que estiver a fazer algo, procure no fundo de si e descubra a sua causa básica.”

quinta-feira, 11 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - O terrível crime que é amar

Pág.132

“(…) as crianças nascem sem amor. Desde o início, elas tornam-se desertos. E este estado de ausência de amor em casa torna-as maçadoras, pouco carinhosas. Elas aprendem com os pais a primeira lição da vida, os pais não se amam, existe um ciúme constante, luta e raiva. E as crianças continuam a ver os rostos feios dos seus pais. A sua própria esperança é destruída. Elas não podem acreditar que o amor aconteça na sua vida se não acontece na vida dos seus pais. E elas vêem outros pais e também outras famílias. As crianças são muito perspicazes; elas vão olhando à sua volta e observam. Quando vêem que não há possibilidade de amor, começam a achar que o amor só existe na poesia – só existe para os poetas, visionários, não é uma realidade. E quando se cresce com a ideia de que o amor é só poesia, então ele nunca acontecerá, porque você se fechou a ele.”

Pág.133

“Vê-lo acontecer é a única maneira de o fazer acontecer mais tarde na sua vida. Se você vê o seu pai e a sua mãe amarem-se profundamente, num grande amor, preocupados um com o outro, com compaixão um pelo outro, com respeito um pelo outro – então viu o amor acontecer. A esperança nasce. Uma semente cai no seu coração e começa a desenvolver-se. Percebe que irá acontecer consigo também.”

“Se você não o viu, como pode acreditar que vá acontecer consigo? Se não aconteceu com os seus pais, como pode acontecer consigo? De facto, irá fazer tudo para que impeça que aconteça consigo – de outro modo, parecerá uma traição aos seus pais.”

“A própria ideia de educar os filhos é um disparate. Você pode auxiliá-los, mas não os pode educar. A própria ideia de “construir” as crianças é absurda – não somente absurda, mas prejudicial, muito prejudicial. Você não pode construir… Uma criança não é um objecto, não é um edifício. Uma criança é como uma árvore. Sim, você pode ajudar. Pode preparar o solo, pode pôr fertilizantes, pode regar, pode observar se o solo chega à planta ou não – mas é tudo. Não é como se estivesse a construir a planta, ela desenvolve-se por si. Você pode ajudar, mas não pode fazer com que cresça, tal como não pode construí-la.”

“As crianças são grandes mistérios. No momento em que começa a estruturá-las, no momento em que começa a criar padrões e personalidades à sua volta, começa a aprisioná-las.”

Pág.138

“O amor deve ser uma dádiva. O amor devia ser divino. É sagrado.”

“Pode publicar-se um livro sobre um homem que é morto, isso é certo, isso não é pornografia – para mim, isso é considerado pornografia. Mas não se pode publicar um livro sobre um homem a abraçar com amor uma mulher, num abraço nu e profundo – isso é pornografia. Este mundo viveu até agora contra o amor. A sua família é contra o amor, a sua sociedade é contra o amor, o seu Estado é contra o amor.”

quarta-feira, 10 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Diabo


Pág.113

“Mas é uma estratégia das religiões atirar com as responsabilidades para uma figura imaginária, o demónio, para que você não se sinta a ser condenado, mas indirectamente, não directamente. O Papa está a dizer-lhe que você é o demónio – mas não tem coragem para o dizer, então diz que o demónio é outra coisa, um agente distinto, cuja função é tentar as pessoas.”

Pág.114

“Mas o álcool não é certamente uma tentação do demónio, porque Jesus Cristo bebia álcool – não só o bebia como o permitia aos seus apóstolos. O álcool não é contra o Cristianismo – o Cristianismo aceita perfeitamente o álcool, porque negar o álcool seria colocar Jesus em risco. Jesus não era um membro dos Alcoólicos Anónimos. Ele gostava de beber e nunca disse que beber era um pecado – como o poderia fazer?”

Pág.122

“Quando as igrejas desaparecerem, só então as revistas Playboy desaparecerão, não antes. São sócios no negócio. Parecem inimigos, mas não se deixe iludir. Falam uns contra os outros, mas é assim que as coisas funcionam.”


Pág.123

“Sempre que você está muito reprimido, começa a descobrir interesses perversos. O interesse perverso é o problema, não o sexo.”

“(…) Não tenha nenhuma ideia preconceituosa contra o sexo na sua cabeça, de outro modo, não será capaz de o transcender. As pessoas que transcendem o sexo são pessoas que o aceitam com muita naturalidade.”

“Assim o aspecto mais importante não é como transcender o sexo, mas como transcender esta ideologia pervertida da sociedade, este medo do sexo, esta repressão do sexo, esta obsessão pelo sexo.”

“Se você compreende a vida, se você ama a vida, saberá que o sexo é sagrado, santo.”

Pág.124

“As igrejas estão vazias, os quartos dos amantes estão cheios de Deus:”

Pág.126

“Avance na sua direcção o mais profundamente que puder (do sexo). Enquanto a energia perdurar, avance tão profundamente quanto conseguir, ame tão profundamente quanto puder, e faça disso uma arte. Não é só ser “feito” – esse é o sentido global de transformar o fazer amor numa arte.”

Pág.127

“A pessoa cresce, amadurece através do outro; e chega o momento em que você pode estar só e simultaneamente feliz.”

terça-feira, 9 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Reprimir-se


Pág.111

“Quando você reprime superficialmente alguns aspectos, todos acabam por se tornar mais profundos, inconscientes. Ele está lá. O sexo não foi destruído, felizmente. Não foi destruído, foi simplesmente envenenado. Ele não pode ser destruído, é a energia vital. Tornou-se poluído, mas pode ser purificado.”

segunda-feira, 8 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Fingimento


Pág.110

“Primeiro, a culpa cria fingimento e o fingimento cria alienação nas pessoas. (…) Quando toda a gente está a simular algo, como se pode relacionar? Quando toda a gente é falsa, como pode você relacionar-se? Como pode você ser amigável, quando à sua volta há mentira e falsidade? Você torna-se muito, muito sensível acerca da realidade, você torna-se muito amargo. Você vê-a unicamente como a oficina do diabo.”

domingo, 7 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Amor e Culpa


Pág.109

“Então existe outro estratagema: eles falam de “amor elevado” e destroem o básico. Dizem que o básico tem de ser negado; o amor carnal é mau, o amor espiritual é bom.”

“Alguma vez viu um espírito incorpóreo? Alguma vez viu uma casa sem fundações? O básico é o fundamento do elevado.”

“O básico não tem de ser negado, o básico tem de ser transformado no elevado. O básico é bom – se está preso ao básico o erro é seu, não do básico. Não existe nada de mau no degrau mais baixo de uma escada. Se você está preso a ela, você está preso, é algo em si.”

“E estes estratagemas, criaram muitos outros problemas. De cada vez que você ama, sente-se culpado de algum modo; a culpa surge. Quando há culpa, você não pode mover-se totalmente em direcção ao amor – a culpa impede-o, mantém-no preso.”

“Quando começa a surgir a culpa, começa a sentir-se mal; perde a auto-estima, perde respeito por si próprio. E surge outro problema quando há culpa, você começa a fingir.”

sábado, 6 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Love Replaces Fear


Pág.105

“Quando você ama, subitamente todas as suas capacidades estão no seu auge, num crescendo.”

“Quando as pessoas são sexualmente reprimidas, amorosamente reprimidas, elas começam a ansiar por outra vida. Elas pensam no céu, no paraíso, mas não pensam em criar o paraíso aqui, agora. Quando você ama, o paraíso está aqui, agora. Então, não se preocupa; então quem vai para padre? Então, quem se preocupa que deva existir um paraíso? Você já está nele e portanto não está interessado. Mas quando a sua energia amorosa é reprimida, começa a pensar: Aqui não há nada, está tudo vazio.”

Pág.106

“O sexo foi reprimido para que você se possa interessar pela outra vida. E quando as pessoas estão interessadas na outra vida, naturalmente não estão interessadas nesta vida.”

“Esta vida não é a única vida. A outra vida está escondida nesta vida! Não se lhe opõe, não está fora dela; está nela. Procure-a - é aqui! – e encontrará igualmente a outra. Deus está escondido no mundo, Deus está escondido aqui e agora. Se você ama será capaz de o sentir.”

“(…) o amor destrói o medo – o amor expulsa o medo.”

“Quando você ama, sente-se infinitamente capaz de qualquer coisa.”

Sabedoria do Dalai-Lama


"A chave da nossa felicidade depende da nossa capacidade de estarmos satisfeitos."

E não das circunstâncias exteriores... tudo tem beleza e feiura em si, tudo transporta em si o bom e o mau; é uma escolha e uma capacidade conseguirmos retirar das coisas aquilo que de melhor têm para nos oferecer, ver o belo no feio, sendo assim a satisfação uma consequência lógica desta forma de ver as coisas.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Liberdade e Responsabilidade

Pág.100

“O mal é uma tarefa deslizante e o bem é uma tarefa árdua. Subir é difícil, árduo, e quanto mais alto sobe, mais árduo se torna. Mas descer é muito fácil. Você não precisa de fazer nada a força de gravidade faz tudo por si. Você pode rolar como um rochedo desde o cume e a rocha atingirá o sopé; não precisa de fazer nada. Mas se quer elevar-se em consciência, se quer erguer-se no mundo da beleza, verdade, bem-aventurança, então estará a ansiar pelos cumes mais elevados e isso é, certamente, mais difícil.”

“A liberdade dá –lhe a oportunidade de descer abaixo dos animais ou de ascender acima dos anjos. A liberdade é uma escada. Num dos lados da escada, chega ao Inferno, o outro toca o céu. É a mesma escada, a escolha é sua, a direcção tem de ser escolhida por si.”

“(…) é arriscado aspirar a tais alturas. É melhor não pensar nelas, e a melhor maneira de não pensar nelas é aceitar que não existe liberdade – você está já predeterminado. Existe um argumento prévio que lhe foi entregue antes do seu nascimento e você tem de o cumprir.”

Pág.101

“Somente a liberdade pode ser mal empregue, a escravidão não pode ser mal empregue. Por isso, você vê tanto caos no mundo de hoje. Nunca existiu antes, pela simples razão que o homem nunca foi livre.”

“Onde quer que exista liberdade, surge o caos. Mas esse caos vale a pena, pois é desse mesmo caos que as estrelas nascem.”

“Não lhe estou a dar qualquer disciplina, pois qualquer disciplina é uma forma subtil de escravidão. Não lhe dou nenhum mandamento, pois qualquer mandamento que lhe seja dado por quem quer que seja vindo do exterior irá aprisioná-lo, escravizá-lo. Ensino-lhe somente a ser livre e deixo-o a si mesmo, para fazer o que quiser com a sua liberdade.”

“Mas se compreender a liberdade, o seu valor não começará a cair: não descerá abaixo dos animais, você começará a ascender acima dos anjos.”

quarta-feira, 3 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Criatividade


Pág.99

“Não evite a responsabilidade; evitar não irá ajudar. Quanto mais cedo você aceitar, melhor, porque pode criar-se a si mesmo mais rapidamente. E no momento em que você se cria, uma grande alegria surge, e quando você se completa, no modo que você queria, surge um grande contentamento. (…) Sente-se que participou como o todo.”

“A única oração é ser criativo, porque é somente através da criatividade que você participa no todo (…).”

“Criar um quadro não é nada. Criar um poema não é nada, criar música não é nada comprado com criar-se a si mesmo, criar a sua consciência, criar o seu próprio ser.”

terça-feira, 2 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Opostos



Pág.89

“(…) os amantes devem ser pólos opostos. Quanto mais distantes se encontram, mas atraentes se tornam. A sua distância é a sua atracção. Eles aproximam-se, aproximam-se muito, mas nunca se tornam um. Aproximam-se tanto que quase se sentem um só, um pequeno passo mais e serão um.”

“(…) quando se encontram muito próximos, rapidamente começam a separar-se de novo, afastando-se cada vez mais. Porque quando estão muito próximos, a sua atracção perde-se, começam a lutar, a resmungar, tornam-se mordazes. Estas são formas de criarem distância novamente. E quando a distância existe, começam imediatamente a sentir-se atraídos. Então isto prossegue como um ritmo: aproximando-se, afastando-se aproximando-se, afastando-se.”

“Existe o desejo de ser uno – mas ao nível da biologia, ao nível do corpo, tornar-se uno é impossível. Mesmo quando fazem amor não são um: a separação a nível físico é inevitável.”

“Você diz: “Ultimamente comecei a aperceber-me de como até o meu amor se tornou um estranho para mim.” Isso é bom. Isso é parte de uma compreensão crescente. Somente gente infantil pensa que se conhece um ao outro. Você não se conhece a si mesmo, como pode pensar que conhece o seu amante?”

“Nem o seu amante se conhece a si mesmo, nem você se conhece a si própria. Dois seres desconhecidos, dois estranhos que nada conhecem de si, estão a tentar conhecer-se mutuamente – é um exercício de futilidade. Está destinado a ser uma frustração, um fracasso. E por isso todos os amantes estão zangados entre si. Eles pensam, talvez o outro não esteja a permitir-me entrar no seu mundo privado: “Ele está a manter-me à parte, ele está a manter-me um pouco à distância.”


Pág.90

“Ao nível do corpo, você pode aproximar-se mas nunca pode tornar-se uno. Só ao nível do coração, você se pode tornar uno – mas só temporariamente, não permanentemente.”

“Ao nível do ser vocês são um. Não há necessidade de se tornarem um, só têm de o descobrir.”

“Você diz: “No entanto, há um desejo ardente de ultrapassar a separação instalada entre nós.” Se continuarem a tentar a um nível físico, continuarão a falhar. A busca demonstra simplesmente que o amor continua para lá do corpo, que o amor procura algo mais elevado que o corpo, algo maior que o corpo, algo mais profundo que o corpo.”

“A menos que descubra o mundo do ser, não será capaz de preencher a sua busca de se tornarem unos. E o facto estranho é: no dia em que se tornar uno com o seu amante, tornar-se-á igualmente uno com toda a existência.”

“Na geometria euclidiana, as linhas paralelas não se encontram. Mas foi descoberto que, se você prosseguir, elas hão-de encontrar-se. As últimas descobertas é que não existem linhas paralelas.”

“E se uma linha recta levada ao limite se tornará um círculo, não era uma linha recta em primeiro lugar era simplesmente parte de um grande círculo, e que parte de um grande círculo, não é um arco, não uma linha. As linhas desapareceram na geometria não euclidiana e quando não existirem linhas, o que dizer de linhas paralelas?

Não existem linhas paralelas, igualmente.”


Pág.91

“Se os amantes conseguissem satisfazer a sua ânsia de se tornarem unos ao nível do corpo físico, nunca olhariam para cima. Nunca procurariam encontrar o que existe muito para além do corpo físico – a consciência, a alma, Deus.”

“É bom que o amor falhe, porque o fracasso do amor destina-se a levá-lo numa nova peregrinação. A ânsia atormentá-lo-á até o trazer ao templo onde o encontro se dá – mas o encontro acontece sempre com o todo… no qual o seu amante se encontra, mas onde se encontram também as árvores, os rios, as montanhas e as estrelas.”

“Mantenha a sua ânsia aquecida, inflamada; não perca o coração. A sua ânsia é a semente da sua espiritualidade. A sua ânsia é o princípio da união suprema com a existência.”


Pág.92

“A sua ânsia de ser uno é o seu desejo espiritual, é a sua natureza essencialmente religiosa, acontece porque você está a observar-se de um ângulo errado.”

“O seu amante é só uma desculpa, Deixe o seu amante ser só a experiência de um grande amor – o amor de toda a existência.”

segunda-feira, 1 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Amar


Pág.87

“Esqueça tudo acerca de Deus; o amor é suficiente. Mantenha-se suficientemente corajoso para se mover com amor; nenhuma outra consideração deverá ser feita.”

“Descubra se a vontade de compromisso com uma pessoa cresceu em si. Você está suficientemente maduro para um contacto mais profundo? Porque esse contacto irá mudar toda a sua vida.”

“E quando estabelecer esse contacto, faça-o verdadeiramente. Não se esconda do seu amado ou do seu amante – seja verdadeiro. Deixe todas as máscaras que aprendeu a usar Deixe cair todas as máscaras. Seja verdadeiro. Revele todo o seu coração, fique nu. Entre dois amantes não devem existir segredos, senão não existe amor. Você não deve esconder nada. O que quer que surja no seu coração deverá permanecer transparente para si. Vocês deverão tornar-se dois seres totalmente transparentes um para o outro. Sempre e para sempre, você verá que ambos estão a crescer para uma unidade superior.”