sábado, 27 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Meditação


Pág.196

“Meditação não é concentração. Um homem de concentração pode não alcançar o amor; de facto, ele não o fará. O homem de concentração poderá tornar-se mais violento, porque a concentração é treino para se manter tenso, concentração é um esforço para limitar a mente. É uma violência profunda para com a sua consciência. E quando você é violento com a sua própria consciência, não poderá ser pacífico com s outros. O que quer que você seja consigo mesmo, será com os outros.
Deixe que esta seja uma regra fundamental na sua vida, uma das mais fundamentais: o que quer que você seja em relação a si mesmo, você será em relação aos outros. Se você está a fluir dentro do seu ser, você estará a fluir igualmente nas relações. Se você estiver gelado dentro de si, será gelado exteriormente. O exterior tende a ser igual ao interior; o interior tende a manifestar-se no exterior.”

Pág.197

“Então o que é a meditação? Meditação é ter prazer na sua própria presença; meditação é ter prazer no seu próprio ser. É muito simples: é um estado de consciência totalmente relaxado onde você não faz nada.”

“A meditação é simplesmente ser, não fazer nada – nenhuma acção, nenhum pensamento, nenhuma emoção. Você simplesmente é, e isso é puro prazer. De onde vem este prazer quando você nada faz? Não vem de lado nenhum – ou vem de toda a parte. Não tem motivo, porque a existência é feita de uma matéria chamada felicidade.”

Pág.198

“Se conseguir estar consigo mesmo, não fazer nada, apreciar-se a si mesmo, estar apenas consigo mesmo, estar feliz com o que é, estar feliz porque respira, estar feliz porque ouve as aves – sem qualquer motivo -, então você está em meditação. A meditação está aqui, agora. E quando alguém está feliz sem razão, essa felicidade não pode ser contida dentro de si. Continua a espalhar-se para outros, torna-se uma partilha. Você não a pode suster, é demasiado forte, é infinita. Você não a pode segurar nas suas mãos, tem de lhe permitir que se espalhe.
Isto é que é compaixão. A meditação é estar consigo mesmo e a compaixão é transbordar nesse estar. É a mesma energia que se transformava em paixão que se torna compaixão. É a mesma energia que foi reduzida ao seu corpo ou à sua mente. É a mesma energia que estava a verter de pequenos orifícios.”

“Quando você está a fluir, a transbordar, quando você não se move através dos orifícios, todas as paredes desaparecem. Você tornou-se o todo. Agora, você espalha-se. Não pode fazer nada acerca disso.
Não é que você tenha de ser compassivo, não. Num estado de meditação, você é compaixão. A compaixão é tão quente quanto a paixão – daí a palavra compaixão. É muito passional, mas a paixão não é dirigida e é uma paixão que não busca gratificação. Todo o processo se tornou precisamente o oposto. Primeiro, você busca alguma felicidade algures – agora encontrou-a e exprime-a. A paixão anda em busca da felicidade; a compaixão é uma expressão de felicidade. Mas é apaixonada, e quente, e você tem de a entender, porque contém em si um paradoxo.
Quanto maior, mais paradoxal, e esta meditação e compaixão é um dos cumes mais elevados, o cume mais distante. Por isso é de esperar que seja um paradoxo.
O paradoxo é que um homem de meditação é muito fresco, mas não frio; fresco mas quente, não ardente. A paixão é ardente, é quase febril. Tem temperatura. A compaixão é fresca, mas no entanto quente, acolhedora, receptiva, feliz por partilhar, esperando partilhar. Se uma pessoa de meditação se torna fria, perdeu. É só um homem de repressão. Se reprime as suas paixões, tornar-se-á frio. Foi assim que toda a Humanidade se tornou fria – a paixão foi reprimida em toda a gente.”

2 comentários:

  1. A humanidade não está fria, está gelada. Tomara a todos saberem meditar.

    Só não concordo com uma coisa: "o interior tende a manifestar-se no exterior.”

    Se assim fosse não havia falsidade muito bem disfarçada.

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  2. A falsidade cai pela base, caro Afonso... :)

    Felicidades!

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