terça-feira, 2 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Opostos



Pág.89

“(…) os amantes devem ser pólos opostos. Quanto mais distantes se encontram, mas atraentes se tornam. A sua distância é a sua atracção. Eles aproximam-se, aproximam-se muito, mas nunca se tornam um. Aproximam-se tanto que quase se sentem um só, um pequeno passo mais e serão um.”

“(…) quando se encontram muito próximos, rapidamente começam a separar-se de novo, afastando-se cada vez mais. Porque quando estão muito próximos, a sua atracção perde-se, começam a lutar, a resmungar, tornam-se mordazes. Estas são formas de criarem distância novamente. E quando a distância existe, começam imediatamente a sentir-se atraídos. Então isto prossegue como um ritmo: aproximando-se, afastando-se aproximando-se, afastando-se.”

“Existe o desejo de ser uno – mas ao nível da biologia, ao nível do corpo, tornar-se uno é impossível. Mesmo quando fazem amor não são um: a separação a nível físico é inevitável.”

“Você diz: “Ultimamente comecei a aperceber-me de como até o meu amor se tornou um estranho para mim.” Isso é bom. Isso é parte de uma compreensão crescente. Somente gente infantil pensa que se conhece um ao outro. Você não se conhece a si mesmo, como pode pensar que conhece o seu amante?”

“Nem o seu amante se conhece a si mesmo, nem você se conhece a si própria. Dois seres desconhecidos, dois estranhos que nada conhecem de si, estão a tentar conhecer-se mutuamente – é um exercício de futilidade. Está destinado a ser uma frustração, um fracasso. E por isso todos os amantes estão zangados entre si. Eles pensam, talvez o outro não esteja a permitir-me entrar no seu mundo privado: “Ele está a manter-me à parte, ele está a manter-me um pouco à distância.”


Pág.90

“Ao nível do corpo, você pode aproximar-se mas nunca pode tornar-se uno. Só ao nível do coração, você se pode tornar uno – mas só temporariamente, não permanentemente.”

“Ao nível do ser vocês são um. Não há necessidade de se tornarem um, só têm de o descobrir.”

“Você diz: “No entanto, há um desejo ardente de ultrapassar a separação instalada entre nós.” Se continuarem a tentar a um nível físico, continuarão a falhar. A busca demonstra simplesmente que o amor continua para lá do corpo, que o amor procura algo mais elevado que o corpo, algo maior que o corpo, algo mais profundo que o corpo.”

“A menos que descubra o mundo do ser, não será capaz de preencher a sua busca de se tornarem unos. E o facto estranho é: no dia em que se tornar uno com o seu amante, tornar-se-á igualmente uno com toda a existência.”

“Na geometria euclidiana, as linhas paralelas não se encontram. Mas foi descoberto que, se você prosseguir, elas hão-de encontrar-se. As últimas descobertas é que não existem linhas paralelas.”

“E se uma linha recta levada ao limite se tornará um círculo, não era uma linha recta em primeiro lugar era simplesmente parte de um grande círculo, e que parte de um grande círculo, não é um arco, não uma linha. As linhas desapareceram na geometria não euclidiana e quando não existirem linhas, o que dizer de linhas paralelas?

Não existem linhas paralelas, igualmente.”


Pág.91

“Se os amantes conseguissem satisfazer a sua ânsia de se tornarem unos ao nível do corpo físico, nunca olhariam para cima. Nunca procurariam encontrar o que existe muito para além do corpo físico – a consciência, a alma, Deus.”

“É bom que o amor falhe, porque o fracasso do amor destina-se a levá-lo numa nova peregrinação. A ânsia atormentá-lo-á até o trazer ao templo onde o encontro se dá – mas o encontro acontece sempre com o todo… no qual o seu amante se encontra, mas onde se encontram também as árvores, os rios, as montanhas e as estrelas.”

“Mantenha a sua ânsia aquecida, inflamada; não perca o coração. A sua ânsia é a semente da sua espiritualidade. A sua ânsia é o princípio da união suprema com a existência.”


Pág.92

“A sua ânsia de ser uno é o seu desejo espiritual, é a sua natureza essencialmente religiosa, acontece porque você está a observar-se de um ângulo errado.”

“O seu amante é só uma desculpa, Deixe o seu amante ser só a experiência de um grande amor – o amor de toda a existência.”

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