quarta-feira, 24 de março de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Tristeza



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“Toda esta vida é uma terra estranha; nós provimos de uma fonte desconhecida. Subitamente estamos aqui e, um dia, subitamente deixamos de estar, voltamos á fonte original. É uma viagem que dura poucos dias; torne-a tão alegre quanto possível. Mas nós fazemos precisamente o oposto – nós tornamo-la tão infeliz quanto possível. As nossas energias concentram-se em torná-la cada vez mais triste.”

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“Porque sinto a minha tristeza mais real que a minha felicidade? Quero tanto sentir-me verdadeiro e autêntico, sem usar quaisquer máscaras, mas isso parece acarretar tanta rejeição por parte dos outros. É possível estar tão só? (…) A sua tristeza é, certamente, muito mais real porque é sua, é autêntica. A sua felicidade é superficial; não é sua, depende de algo, de alguém. E nada que o faça estar dependente, por muito feliz que você esteja, momentaneamente, a lua-de-mel em breve acaba – mais cedo do que você esperava.”

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“Mas a tristeza é mais autêntica, porque não depende de ninguém. É sua, totalmente sua – e isto deverá dar-lhe um grande discernimento, a sua tristeza pode ajudá-lo mais que a sua felicidade. Você nunca olhou a tristeza atentamente. Você evita olhá-la, de muitos modos. Se você se sente triste, liga a televisão. Se você se sente triste, vai ao cinema; se você se sente triste, vai divertir-se com os seus amigos, vai a um bar. Você começa a fazer coisas para evitar a sua tristeza, Esta não é a abordagem certa.
Estar triste é um fenómeno importante, muito sagrado, algo de si mesmo. Familiarize-se com ele, aprofunde-o e ficará surpreendido. Sente-se silenciosamente e fique triste. A tristeza tem a sua própria beleza.
A tristeza é silenciosa, é sua. Vem porque você está só. Procura dar-lhe uma hipótese de aprofundar a sua solidão. Em vez de saltar de uma felicidade oca para uma felicidade vazia e desperdiçar a sua vida, é melhor usar a sua tristeza como forma de meditação. Testemunhe-a. É sua amiga! Abre a porta da sua solidão eterna.
Não existe forma de não estar só. Você pode iludir-se a si mesmo, mas não pode vencer. E estamos a iludir-nos a nós próprios em todos os sentidos – nas relações, na ambição, em nos tornarmos famosos, em fazer isto, em fazer aquilo. Estamos a tentar convencer-nos de que não estamos sós, de que não estamos tristes. Mais cedo ou mais tarde, a sua máscara cai – ela é falsa, não se pode manter para sempre -, e então você tem de usar outra máscara. Numa única vida, quantas máscaras pode você usar? E quantas mais desapareceram se modificaram? Mas você continua a manter o velho hábito.”

“Se você pretende ser um indivíduo autêntico, use a sua tristeza; não fuja dela. É uma grande bênção. Sente-se silenciosamente nela, rejubile com ela. Não há nada de mal em estar triste. E quanto mais familiarizado estiver com ela, com as suas gradações subtis, mais ficará surpreendido – é uma grande tranquilidade, um grande descanso, e você sairá dela rejuvenescido, refrescado, mais jovem, mais vivo. E uma vez que você a tenha provado, você irá procurar esses belos momentos de tristeza, de novo e uma vez mais. Você esperará por eles, você irá recebê-los e eles abrirão novas portas à sua solidão…

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