sexta-feira, 30 de abril de 2010

A Fórmula de Deus – José Rodrigues dos Santos

Págs.97, 98 e 99

“- E é possível torná-los (os computadores) tão inteligentes quanto os seres humanos?

- Em teoria, nada o impede, (…) é verdade que, durante muito tempo, os cientistas acharam que não, devido a um complicado problema matemático. (…) nós, matemáticos, sempre acreditámos que Deus é um matemático e que o Universo está estruturado segundo equações matemáticas. Essas equações, por mais complexas que pareça, são todas elas resolúveis. Se não se consegue resolver uma equação, isso não se deve ao facto de ela ser irresolúvel, mas às limitações do intelecto humano em resolvê-la. (…) A questão dos computadores poderem ou não adquirir consciência, está ligada a um dos problemas da matemática, a questão dos paradoxos, auto-referenciais. Por exemplo, repara no que eu vou dizer. Eu só digo mentiras. Notas aqui alguma anomalia?

- Em quê?

- Nesta frase que acabei de formular. Eu só digo mentiras.

Tomás soltou uma gargalhada.

- É uma grande verdade.

O pai olhou-o com ar condescendente.

- Ora aí está. Se é verdade que eu só digo mentiras, então, tendo dito uma verdade, eu não digo só mentiras. Se a frase é verdadeira, ela própria contém uma contradição dentro de si. (…) Durante muito tempo, pensou-se que este era um mero problema semântico, resultante das limitações da língua humana. Mas, quando este enunciado foi transposto para uma formulação matemática, a contradição manteve-se. Os matemáticos passaram muito tempo a tentar resolver o problema, sempre na convicção de que ele era resolúvel. Essa ilusão foi desfeita em 1931 por um matemático chamado Kurt Godel, que formulou dois teoremas, chamados da Incompletitude. Os teoremas da Incompletitude são considerados um dos maiores feitos intelectuais do século xx e deixaram os matemáticos em estado de choque. (…) A questão essencial é que Godel provou que não existe nenhum procedimento geral que demonstre a coerência da matemática. Há afirmações que são verdadeiras mas não são demonstráveis dentro do sistema. Esta descoberta teve profundas consequências, ao revelar as limitações da matemática, expondo assim uma subtileza desconhecida na arquitectura do Universo. (…) Os teoremas de Godel sugerem que, por mais sofisticados que sejam, os computadores vão sempre enfrentar limitações. Apesar de não conseguir demonstrar a coerência de um sistema matemático, o ser humano consegue perceber que muitas afirmações dentro do sistema são verdadeiras. Mas o computador, colocado perante tal contradição irresolúvel, bloqueará. Logo, os computadores jamais serão capazes de igualar os seres humanos. (…) nós podemos apresentar ao computador uma fórmula que sabemos não ser verdadeira, mas que o computador não pode provar que é verdadeira. É verdade. Mas também é verdade que o computador nos pode fazer o mesmo. A fórmula só não é demonstrável, para quem está a trabalhar dentro do sistema, entendes? Quem estiver fora do sistema entende a fórmula. Isso é válido para um computador como para um ser humano. Conclusão: é possível um computador ser tão ou mais inteligente quanto as pessoas. (…) não passamos de computadores muito sofisticados. Achas que os computadores podem vir a ter alma?

- Que eu saiba, não.

- Então, se nós somos computadores muito sofisticados, também não podemos ter. A nossa consciência, as nossas emoções, tudo o que sentimos é resultado da sofisticação da nossa estrutura. Quando morremos, os chips da nossa memória e da nossa inteligência, irão desaparecer e nós apagamo-nos. (…) A alma, meu querido filho, não passa de uma invenção, de uma maravilhosa ilusão criada pelo nosso ardente desejo de escaparmos à inevitabilidade da morte.”

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello

Págs.215 e 216

“ – Vai ensinar-me tudo o que sabe?

- Tudo o que não sei. Vou aprendendo à medida que estiver em contacto consigo, como lhe disse da primeira vez em que nos vimos, e repito-o agora. Depois de aprender o que preciso, seguimos os nossos caminhos sepradamente.”

A Fórmula de Deus – José Rodrigues dos Santos

Da pág.87 à pág.96

“- Talvez o nosso corpo morra, ma a alma sobreviva e o pai possa, numa reencarnação, corrigir os erros desta vida. O pai acredita nisso?

(…)

Manuel Noronha fez um sorriso triste.

- Gostaria de acreditar, claro. Quem é que, estando na minha posição, não gostaria de acreditar em tal coisa? A sobrevivência da alma. A possibilidade de ela reencarnar mais tarde em alguém e eu poder voltar a viver. Que ideia tão bonita. – Abanou a cabeça. – Mas eu sou um homem de ciência e tenho o dever de não me deixar iludir.

- O que quer dizer com isso? Acha que não é possível a alma sobreviver?

- Mas o que é isso da alma?

- É… sei lá… é uma força vital, é um espírito que nos anima.

O velho matemático ficou a mirar o filho por um momento.

- Escuta, Tomás – disse. - Olha para mim. O que vês?

- Vejo o pai.

- Vês um corpo.

- Sim.

- É o meu corpo. Refiro-me a ele como se dissesse: é a minha televisão, é o meu carro, é a minha caneta. Neste caso, é o meu corpo. É algo que é meu, é uma propriedade minha. (…) Mas se eu digo o corpo é meu, o que eu estou a dizer é que eu não sou o corpo. O corpo é meu, não sou eu. Então, o que sou eu? (…) Eu sou os meus pensamentos, a minha experiência, os meus sentimentos. Isso sou eu. Eu sou uma consciência. Mas agora repara. Será que a minha consciência, este eu que sou eu, é a alma?

- Uh… sim, suponho que sim.

- O problema é que este que sou eu é produto de substâncias químicas que me circulam pelo corpo, de transmissões eléctricas entre neurónios, de heranças genéticas codificadas no meu ADN, de um sem número de condicionalismos exteriores e intrínsecos que moldam este eu que sou eu. O meu cérebro é uma complexa máquina electroquímica que funciona como um computador e a minha consciência esta noção que eu tenho da minha existência, é uma espécie de programa. Percebes? De uma certa forma e literalmente, os miolos são o hardware, a consciência o software. O que levanta naturalmente questões interessantes. Será que um computador tem alma? Se o ser humano é um computador muito complexo, será que ele próprio tem ama? Se todo o circuito morrer, a alma sobrevive? Sobrevive onde? Em que sítio?

- Bem… ergue-se do corpo e vai… enfim.. vai…

- Vai para o céu?

- Não, vai… sei lá, vai para uma outra dimensão.

- Mas de que é feita essa alma que se ergue do corpo? De átomos?

- Não, acho que não. Deve ser uma substância incorpórea.

- Não tem átomos?

- Julgo que não. É um… uh… espírito.

- Bem, isso leva-me a formular uma outra pergunta. (…) Será que, um dia, no futuro, a minha alma se lembrava desta minha existência?

- Sim, dizem que sim.

- Mas isso não faz sentido, pois não?

- Porque não?

- Repara, Tomás. Como é que nós organizamos a nossa consciência? Como é que eu sei que eu sou eu, que sou um professor de Matemática, que sou teu pai e marido da tua mãe? Que nasci em Castelo Branco e que já estou quase careca? Como é que eu sei tudo sobre mim?

- O pai conhece-se por causa de tudo o que viveu, do que fez e do que disse, do que ouviu, viu e aprendeu.

- Exacto. Eu sei que sou eu porque tenho memória de mim mesmo, de tudo o que me aconteceu, mesmo o que aconteceu há apenas um segundo. Eu sou a memória de mim mesmo. E onde se localiza essa memória?

- No cérebro, claro.

- Nem mais. A minha memória encontra-se localizada no cérebro, armazenada em células. Essas células fazem parte do meu corpo. E é aqui que está a questão. Quando o meu corpo morre, as células da memória deixam de ser alimentadas por oxigénio e morrem também. Apaga-se assim toda a minha memória, a lembrança do que eu sou. Se assim é, como raio pode a minha alma lembrar-se da minha vida? Se a alma não tem átomos, não pode ter células da memória, não é? Por outro lado, as células onde a memória da minha vida se encontrava gravada já morreram. Nessas condições, como é que a alma se lembra do que quer que seja? Não achas tudo isso um pouco sem sentido?

- Mas o pai fala como se nós fossemos todos umas máquinas, uns computadores. (…) Eu tenho uma novidade para lhe dar. Nós não somos computadores, somos gente, somos seres vivos.

- Ah, sim? E qual é a diferença entre os dois?

- Bem, nós pensamos, sentimos, vivemos. Os computadores não.

- E tens a certeza de que somos mesmo diferentes?

- Então não somos, pai? Os seres vivos são biológicos, os computadores não passam de circuitos.

(…)

- O que disseste, filho, é o que qualquer biólogo diria, fica descansado. Mas, se perguntares a um biólogo o que é a vida, ele vai-te responder mais ou menos assim: a vida é um conjunto de processos complexos baseados no átomo de carbono. (…) Atenção. Mesmo o mais lírico dos biólogos reconhece, no entanto, que a expressão-chave desta definição não é átomo de carbono, mas processos complexos. É verdade que todos os seres vivos que conhecemos são constituídos por átomos de carbono, mas não é isso verdadeiramente o que é estruturante para a definição da vida. Há bioquímicos que admitem que as primeiras formas de vida na Terra não foram baseadas nos átomos de carbono, mas nos cristais. Os átomos são apenas a matéria que torna a vida possível. Não interessa se é o átomo A ou o átomo B. Imagina que eu tenho o átomo A na cabeça e que, por algum motivo, ele é substituído pelo átomo B. Será que eu deixo de ser eu só por esse motivo? (…) Não me parece. O que faz com que eu seja eu é um padrão, uma estrutura de informação. Ou seja, não são os átomos, é a forma como os átomos se organizam. (…) Sabes de onde é que vem a vida?

- De onde?

- Vem da matéria.

- Ora, grande novidade!

- Não estás a perceber onde é que eu quero chegar. (…) Os átomos que estão no meu corpo são exactamente iguais aos átomos que estão nesta mesa ou numa qualquer galáxia distante. Eles são todos iguais. A diferença está na forma como eles se organizam. O que é que achas que organiza os átomos de forma a formarem células vivas?

- Uh… não sei.

- Será uma força vital? Será um espírito? Será Deus?

- Se calhar…

- Não, filho. (…) O que organiza os átomos de modo a formarem células vivas são as leis da física. É essa a questão central. Repara, como pode um conjunto de átomos inanimados formar um sistema vivo? A resposta está na existência de leis de complexidade. Todos os estudos mostram que os sistemas se organizam espontaneamente, de modo a criarem sempre estruturas cada vez mais complexas, em obediência a leis da física e exprimindo-se por equações matemáticas. Houve até um físico que ganhou o Prémio Nobel por demonstrar que as equações matemáticas por detrás das reacções químicas inorgânicas são semelhantes às equações que regem os padrões de comportamento simples de sistemas biológicos avançados. Ou seja, os organismos vivos são, na verdade, o produto de uma incrível complexificação dos sistemas inorgânicos. E essa complexificação não resulta da actividade de uma qualquer força vital, mas da organização espontânea da matéria. Uma molécula, por exemplo, pode ser constituída por um milhão de átomos ligados de uma forma muito específica e complicada e a sua actividade é controlada por estruturas químicas tão complexas que se assemelham a uma cidade. (…) O segredo da vida não está nos átomos que constituem a molécula, está na sua estrutura, na sua organização complexa. Essa estrutura existe porque obedece a leis de organização espontânea da matéria. E, da mesma maneira que a vida é o produto da complexificação da matéria inerte, a consciência é o produto da complexificação da vida. A complexidade da organização é que é a questão-chave, não é a matéria. (…) Não importa se a vida é baseada no átomo de carbono ou em cristais ou em qualquer outra coisa. O que faz a vida é uma estrutura de informação, é uma semântica, é uma organização complexa. (…) Podem-me mudar todos os átomos e substituí-los por outros, que eu continuo a ser eu. Aliás, já está provado que, ao longo da vida, vamos mesmo mudando quase todos os átomos. (…) Não interessa qual é o átomo que, num dado momento, preenche a estrutura. O que interessa é a estrutura em si. Desde que os átomos viabilizem a estrutura de informação que define a minha identidade e as funções dos meus órgãos, a vida é possível. (…) A vida é uma muito complexa estrutura de informação e todas as suas actividades envolvem processamento de informação. (…) Esta definição, no entanto, tem uma profunda consequência. É que, se o que constitui a vida é um padrão, uma semântica, uma estrutura de informação que se desenvolve e interage com o mundo em redor, nós, feitas as contas, somos uma espécie de programa. A matéria é o hardware, a nossa consciência é o software. (…) Nós somos um muito avançado programa de computador. (…) Sendo uma criatura natural, tudo o que ele faz (o Homem) é natural. Logo, as suas criações são naturais, da mesma maneira que o ninho feito pelas aves é uma coisa natural. (…) tudo na natureza é natural. Se o homem é um produto da natureza, então tudo o que ele faz também é natural. Apenas por uma convenção de linguagem se estabeleceu que os objectos que ele cria são artificiais, quando, na verdade, são tão naturais quanto os objectos que as aves criam. Logo, sendo criações de um animal natural, os computadores, tais como os ninhos, são naturais. (…) Sabes, as emoções e a consciência resultam de se atingir um determinado grau de inteligência. (…) a inteligência é uma forma de elevada complexidade. E não é preciso atingir-se o grau da inteligência humana para se criar a consciência. (…) O cão tem emoções e consciência. Logo, as emoções e a consciência são mecanismos que emergem a partir de um determinado grau de complexidade de inteligência.

- Portanto, o pai acha que os computadores, se atingirem esse grau de complexidade, tornar-se-ão emotivos e conscientes?

- Sem dúvida.”

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A Fórmula de Deus – José Rodrigues dos Santos


Pág.85

“Sabes, as pessoas passam pela vida como sonâmbulas, preocupam-se com o que não é importante, querem ter dinheiro e notoriedade, invejam os outros e esmifram-se por coisas que não valem a pena. Levam vidas sem sentido. Limitam-se a dormir, a comer e a inventar problemas que as mantenham ocupadas. Privilegiam o acessório e esquecem-se do essencial.”

terça-feira, 27 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai Lama


"A verdadeira compaixão não consiste em sofrer pelo outro. Se ajudamos uma pessoa que sofre e nos deixamos invadir por seu sofrimento, é porque somos ineficazes e estamos tão-somente a reforçar o nosso ego."

Ajudar requer que a mente esteja clara e não inundada de sentimentos negativos.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai Lama


"Se estiver a viver um grande sofrimento que considera injusto, ele domina-lo-á, fá-lo-á sentir-se impotente, imerso, esmagado e incapaz de reagir." Controlar a dor é extremamente difícil... controlar o que pensamos e o que sentimos é resultado de muita prática e disciplina. Só o auto-controlo nos pode levar a conseguir olhar o que se nos apresenta de forma objectiva e compreender que, de facto, tudo o que sucede, sucede por uma série de motivos, e que por maior que seja a dor, há sempre formas positivas de lhe reagir; há sempre uma missão para nós presente em cada obstáculo... cabe-nos a nós descobrir essa mesma missão...

domingo, 25 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai Lama


"Quando se está a aprender a sentir compaixão, ao princípio é frequente experimentar um certo mal-estar diante dos sofrimentos dos outros. Trata-se apenas de uma etapa, que resulta de ainda não se saber o que significa realmente sentir compaixão."

O mal-estar alheio deve servir-nos de estímulo, de desafio... alguém que sofre é uma maravilhosa oportunidade para nós próprios praticarmos a compaixão e a compreensão pelos demais, o que permite aprimorar-nos espiritualmente; saber o que dizer ou o que fazer perante a dor alheia pode fazer toda a diferença e é uma "arte" a ser praticada com frequência, já que a prática leva à perfeição :)

sábado, 24 de abril de 2010

A Fórmula de Deus – José Rodrigues dos Santos


Pág.17

“O cérebro é feito de matéria, tal como uma mesa. Mas a mesa não pensa. O cérebro é parte de um organismo vivo, tal como as minhas unhas, mas as minhas unhas não pensam. E o meu cérebro, se for separado do corpo, também não pensa. É o conjunto do corpo com a cabeça que permite pensar. O que me leva a levantar a possibilidade de o Universo ser, todo ele, um corpo pensante.”


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai-Lama


"Com frequência acreditamos que a concretização do Nirvana significa a anaulação de toda forma de existência. Nada disso. As ilusões devidas à nossa ignorância serão extintas, conheceremos a Verdadeira Felicidade, uma felicidade independente de causas e condições, e continuaremos a existir."


Creio que só nos poderemos libertar das ilusões, continuando a existir ao mesmo tempo, se assumirmos que a realidade que se nos apresenta é, de facto, uma ilusão e se a olharmos continuamente dessa forma.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai-Lama


"Podemos viver em estado de felicidade permanente, desde que sejamos libertados da Ignorância. O Despertar termina com a Ilusão e com os renascimentos, fazendo desaparecerem as causas e as condições que produziam efeitos dolorosos. Criamos, desse modo, um estado de Felicidade que não depende mais de circunstâncias exteriores ou de nossa emoções."


Creio que a Humanidade só se conseguirá libertar definitivamente da ignorância se conseguir passar para um outro nível, outros referenciais talvez, que não o espacio-temporal em que nos encontramos... antes que cada um de nós se consiga libertar definitivamente da dor, temos de ajudar-nos uns aos outros a fazer o mesmo... a par com a ajuda que vamos dando aos outros, devemos continuar a trabalhar a nossa própria espiritualidade, de modo a tornar-nos cada vez mais autónomos em relação ao mundo exterior.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai-Lama



"Sem paz interior é impossível enfrentar uma situaçao difícil com distanciamento, de maneira calma e moderada. A paz interior protege nossa Felicidade e serenidade. Se você não tiver essa paz e se as circunstâncias se revelarem dolorosas, qualquer que seja sua situaçao material você se sentirá perturbado, inquieto e infeliz. A paz interior é o eixo que determina nosso comportamento."

A paz interior é tão difícil de se conseguir... são tantas as perturbações... quando ouvimos ou lemos as notícias, percebemos que vivemos rodeados por um mundo de caos aparente... é fácil crer neste mundo de aparências, de degraus, que não foi feito para ser assim, mas para ser transcendido passo a passo... devemos duvidar dos nossos sentidos, duvidar das coisas más, pois todas elas transportam igual energia positiva, mas em potencial, de uma forma que deve ser trabalhada... face às coisas más, é preciso virar-nos para o nosso interior e buscar uma imagem mais clara e verdadeira, já que tudo o que existe, tem muitos motivos para existir.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai-Lama


"A vida é como um sonho, e, um día, você será obrigado a acordar. Poderá desfrutar da Felicidade por muito tempo ou viver a experiência dela de maneira mais intensa. Porém, de todo modo, ao despertar, a Felicidade vivida nos sonhos será apenas uma lembrança fluida e fugaz. Qualquer que seja a duraçao de nossa vida, longa ou breve, vamos morrer, e, no momento da morte, será impossível reter e carregar consigo a Felicidade sentida nos sonhos."

A felicidade é um sentimento que decorre do sofrimento... cessando o sofrimento, cessa a felicidade também... :)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai-Lama


"O bem-estar que causamos quando damos alguma coisa, provoca em nós um sentimento de satisfação e uma alegria imensa. É essa alegria que, ao gerar paz e serenidade, contribui para nos tornar e tornar os outros mais felizes. Nossa felicidade é estreitamente associada à dos outros."


Uma vez que, talvez a maioria das vezes que o fazemos, não somos reconhecidos, obtendo até atitudes de ingratidão em retorno, devemos procurar dominar as nossas emoções e agir de forma inteligente; essas situações são oportunidades de nos aprimorarmos espiritualmente, de nos torarmos mais compassivos, se pensarmos que "o mal fica com quem o pratica" - o que é um facto; são oportunidades de nos tornarmos mais pacientes e compassivos, o que não significa que esse tipo de situação seja propriamente desejável. Devemos também utilizar a nossa sensibilidade para aconselhar o outro e fazê-lo perceber que a atitude egoísta que tem em relação a nós pode virar-se contra ele/ela.

Dar verdadeiramente requer grande sabedoria... acerca de nós mesmos e dos demais. Dar verdadeiramente, num acto positivo e de valor, raramente está associado a bens materiais ou aos estereotipos do que é fazer o bem. Creio que envolve sim uma compreensão profunda do outro e do que a sua "alma" necessita. O auto-conhecimento e o trabalho espiritual, acabam a conduzir-nos a efeitos duradouros. Manter o nosso espírito aberto e aceitar o que a Vida tem para nos dar, é essencial a uma postura contemplativa e receptiva, mas isso não implica falta de sentido crítico ou não sabermos aquilo que queremos. É importante que os outros reconheçam quando agimos correctamente, ou se não cuidarmos disso, iremos deixar que o outro acumule "dívidas kármicas" e estaremos, na verdade, a prejudicá-lo.

domingo, 18 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai-Lama


"Quando (...) atendemos às necessidades dos que mais necessitam (...), contribuímos para diminuir, na medida de nossas posibilidades, o sofrimento deles."


Diminuir o sofrimento e reestabelecer o equilíbrio... um dia, quando necessitarmos, voltará para nós, pois assim funcionam as energias Universais.

sábado, 17 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai-Lama

"Para aprender a desenvolver o Amor, uma primeira abordagem consiste em reconhecer e compreender que todos os seres foram, um dia, no curso do ciclo infinito dos renascimentos que atravessamos, nosso pai ou nossa mãe, com isso, comovidos por seus tormentos e sofrimentos, desejaríamos ajudá-los."


Independentemente de se ter ou não ter religião, pessoalmente sinto afinidades com pessoas que por vezes não conheço bem, assim como animais. Acredito em reencarnação, porque sinto fazer sentido para mim. E creio que essa afinidade provém das ligações kármicas que tive em estados de consciência "anteriores"; é por isso que, através da meditação, procuro perceber quais as ligações kármicas que tenho com as pessoas e animais que me rodeiam.Quando alguém me prejudica, tento, de alguma forma, interpretar como um pedido de ajuda...
não é fácil... :)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai-Lama


"A felicidade autêntica e duradoura depende de causas e condições criadas por nós. Actos virtuosos são como sementes que fertilizam o nosso espírito. Os efeitos dessas impressões que deixamos favorecem a sobrevinda de acontecimentos felizes."


Aquilo que damos tende a retornar a nós... mas creio que não devemos dar sem termos antes para dar... caso contrário, estaremos a dar algo vazio... devemos, portanto, cuidar de nós e da nossa própria felicidade; será assim mais fácil proporcionar felicidade aos demais.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai-Lama

"Se alguém o felicita, se aprovam sua atitude, se elogiam suas qualidades, a primeira coisa a fazer é constatar que tudo que dizem a seu respeito está exato. Não se torne, entretanto, arrogante, nem orgulhoso: fique simplesmente satisfeito como o reconhecimento de seus méritos."


Concordo em absoluto; mesmo que não seja um elogio verdadeiro e tenha segundas intenções, isso deverá ser observado mais tarde; devemos primeiro aceitar os elogios e analisar a sua veracidade à posteriori.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai-Lama


"A verdadeira compaixão não é um sacrifício, pois é baseada no raciocínio e na vontade. Inversamente, o sofrimento comum - que sentimos quando o espírito se encontra imerso em uma situação dolorosa - nos desespera, pois ele ocorre de maneira esponânea e inesperada."


A verdadeira compaixão provém da compreensão de que aquilo que semeamos é aquilo que colhemos; ao sermos compassivos para com os demais, somo-lo também para connosco mesmo, uma vez que aquilo que damos tende a voltar para nós. Já o sofrimento, é-o precisamente pelo carácter descontrolado que o caracteriza; deixa de o ser se encontrarmos forma de o converter em compaixão, enfim, em amor, o que se faz disciplinando os nossos próprios pensamentos, com base numa compreensão do mundo ampliada a cada instante.

Sabedoria do Dalai-Lama


"É lamentável considerar essencialmente como alimento a maior parte dois animais. Elles também são seres sensíveis de quem devemos cuidar.

Assim como nós, são ligados à vida e amam o seu eu."


Mesmo que sintamos que o nosso organismo necessita de carne, o que eu considero mais grave é a forma como concebemos e olhamos os animais: como se fossem necessariamente seres inferiores, logo à partida. Se necessitamos deles para nos alimentarmos, então que o façamos com o respeito que seres "ligados à vida e que amam", nos merecem, ou deveriam merecer...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai-Lama


"A minha única religião é o amor."


Creio que amar pode, contudo, ser mais complicado do que à primeira vista possa parecer... uma atitude aparentemente de desamor pode ser, na verdade, uma atitude movida pelo amor... e, sobretudo, vice-versa, uma atitude aparentemente motivada por amor pode ter, na sua base, desejos egoístas... o que determina a natureza de uma atitude, segundo a filosofia budista tibetana, é o "kun long" de uma pessoa, por assim dizer, o estado geral da sua alma, do seu espírito.

Bem, mas se nos centrarmos na palavra "religião"... aí surgem os dogmas, as regras impostas do exterior, as "verdades" que não são alcançadas pelo trabalho espiritual e sim porque alguém que consideramos "superior" assim o disse... creio que todas as religiões têm na sua base ideias profundamente compassivas, mas depressa se tornam alvo do aproveitamento por parte de pessoas hipócritas que pregam a ética e praticam exactamente o contrário do que dizem. Creio que o mundo será um sítio melhor no dia em que não precisarmos de religiões para nos orientarmos, e tivermos a nossa própria bitola interior, as nossas práticas espirituais individuais e formos autónomos a esse respeito.. no dia em que não precisarmos de instruções para sabermos realmente praticar o amor...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai-Lama


"Um relacionamento autêntico de casal pode incluir uma atração sexual importante. Paralelamente, se o aspecto físico não for preponderante, ele incluirá também respeito mútuo comum. O outro não se vê mais como objecto, mas, sim, como pessoa. Esse tipo de relacionamento necessita que lhe seja destinado tempo a fim de que o casal se descubra, se compreenda e aprenda a se Amar."


Aliás... a sexualidade, se for concebida como um veículo do amor, é importantissima para nos aprimorarmos espiritualmente, eu diria mesmo fundamental (não tanto, mas perto disso). O aspecto físico, tal como outras questões do domínio material, como o dinheiro, o status, outros aspectos que fujam ao domínio da essência do outro, constituem obstáculos ao livre fluxo da energia do amor, que está na essência de toda a espiritualidade. Creio que o pressuposto base é a aceitação incondicional do que o outro é, permitir-nos transformar-nos pelo outro, de modo a que aos poucos nos vamos tornando num só.

domingo, 11 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai-Lama


"A Compaixão expulsa e destrói o medo. Deixar crescer em nós a Compaixão autêntica e a bondade, é oferecer-lhes o espaço ocupado anteriormente pelo medo. E se o medo desaparecer, a confiança e a paz interiores poderão surgir."


Love replaces fear... ;) É uma questão de prática meditativa a do domínio das emoções... não no sentido de as eliminar ou de lhes tirar autenticidade, mas, pelo contrário, de nos permitir tirar melhor proveito delas... controlar o medo requer prática, sabedoria, conhecimento de si próprio e do Universo... os opostos equilibram-se e se temos um pensamento que nos gera medo, podemos sempre buscar um maior equilíbrio se, em seguida, tivermos o pensamento oposto, um pensamento de amor. As pessoas que vivem subjugadas pelo medo tornam-se elas mesmas perigosas... e isso é muito triste...

sábado, 10 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai-Lama


"Por que nos obstinamos em desenvolver a compaixão? Porque, ao reflectirmos, sentindo-nos preocupados com os sofrimentos dos outros, descobrimos os meios de poder ajudá-los."


O nosso mundo exterior é um reflexo do nosso mundo interior... se formos compassivos e o nosso mundo interior estiver repleto de amor, isso vai reflectir-se no exterior... se cada um de nós fizesse esse esforço no seu cantinho, em breve teríamos uma onda de compaixão e de energia positiva que se iria estender a todo o planeta... :)"

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai-Lama


"O objectivo das nossas vidas é alcançar a Felicidade e viver na alegria e na plenitude que a acompanham. É possível realizar esse objectivo, se não perdemos a esperança de poder atingi-lo. A esperança permite desenvolver a coragem e não ver a existência como vazia de sentido, desesperada, sem objectivo. Ela é necessária e vital para nos completar e para nos fazer alcançar objectivos, até mesmo simples projectos."

Creio que seremos felizes se fizermos do crescimento e aprimoramento interior o nosso objectivo de vida fulcral. Tudo o que amplie a nossa consci
ência, mesmo que pareça que não, torna-nos melhores, de alguma forma, ainda que isso por vezes não se manifeste no imediato. Os nossos objectivos e metas, mesmo que aparentemente não espirituais, são-no ao fim ao cabo, porque, na verdade, são um indicador que a nossa mente nos dá do que a nossa alma, a nossa consciência, necessita para se construir e aprimorar. A esperança é como um catalizador do resto, uma força que nos impele a continuar, uma força que por mais que procuremos fora de nós, será sempre mais forte se vier de dentro, pois dentro de nós existe essa fonte inesgotável de energia positiva.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai-Lama




"É o nosso comportamento quotidiano que constrói a Felicidade e induz a um sentimento de satisfação ou frustração. O estado de espírito está na origem da nossa atitude. A motivação o determina, ela é a chave do nosso comportamento."


Creio que esta motivação é aquilo que os Tibetanos entendem por Kun Long, ou seja, o estado geral da alma; para que o estado geral da alma possa ser positivo (kun long positivo), as acções que praticamos no dia-a-dia devem ser positivas também (e isto pode parecer simples ao início, mas também se pode tornar mais complicado do que parece; não é fácil agir correctamente). Mas acções positivas também se constroem, se praticam, se treinam... e muita da aprendizagem que possamos fazer a esse nível provém de um auto-conhecimento profundo e da reflexão honesta, sincera e corajosa sobre o nosso modo de agir. Depois de meses de acções positivas, mesmo que tenhamos uma que parece negativa, ela na verdade esconde uma motivação positiva, porque foi isso que cultivámos, deixando a nossa alma num estado positivo.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Sabedoria do Dalai-Lama


"A alegria é um poder. Cultive-o."

A alegria torna-nos leves... e cultiva-se, treina-se, como se treina a mente... o facto de andarmos alegres permite-nos poupar muitas energias, para utilizarmos naquilo que realmente interessa, em vez de ficarmos infelizes com o que já não podemos mudar... e podemos cultivar esse poder através de uma compreensão profunda do Universo, do modo como as suas energias fluem... e isso permite-nos sentir confiança, percebemos que somos energia e que não existe nada de verdadeiramente mau, pois essa energia permanece sempre... isso permite-nos um estado de alegria e contentamento permanentes.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Amor


Pág.215

“As pessoas mundanas são vazias, cansativas, exaustivas, arrastam-se de qualquer modo em nome do dever, em nome da família, em nome da nação – tudo vacas sagradas -, são de algum modo, arrastadas até à morte, só esperando que a morte chegue e as recolha. Elas só conhecerão o repouso nos túmulos. Não conhecerão o descanso em vida – e uma vida que não conhece descanso não é, realmente, vida. É como música que não tem silêncio nela – então é só barulho, nauseante; fá-lo doente.

A grande música é uma síntese entre o som e o silêncio. E quanto maior for a síntese, mais profunda será a música. O som cria silêncio e o silêncio cria receptividade ao som, e assim sucessivamente. O som cria mais amor pela música, mais capacidade para se tornar silêncio. Ouça boa música e sentir-se-á sempre orante, uno. Algo integrá-lo-á. (…) O corpo e a alma encontrar-se-ão e fundir-se-ão, perdendo as suas definições.”

Pág.219

“Se duas pessoas de facto se respeitam – e o amor é sempre respeitoso, venera o outro; é um estado de grande veneração, devoto -, então, lentamente, muito lentamente, vocês começarão a entender-se melhor e cada vez melhor e você terá consciência do ritmo do outro e do seu próprio ritmo. E rapidamente descobrirá que para lá do amor, não para lá do respeito, os vossos ritmos se aproximam cada vez mais. Quando você se sente acarinhado, ela sente-se acarinhada e isso estabiliza-os. Isso estabiliza-os, é sincronicidade.”

“O amor dá liberdade e o amor ajuda o outro a ser ele ou ela mesma. O amor é um fenómeno muito paradoxal. De certo modo, faz de vós uma alma em dois corpos; por outro lado, dá-lhe a sua individualidade, a sua unicidade. Ajuda-o a perder os seus pequenos eus, mas simultaneamente, ajuda-o a ligar-se ao seu eu supremo. Então não há nenhum problema: o amor e a meditação são duas asas e ambas se equilibram. E entre ambas você cresce, entre ambas você torna-se íntegro.”

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Aura de Compaixão


Pág.209

“Um homem de compaixão pensa sempre no outro, na sua necessidade. Ele permaneceu friamente autoconcentrado. Ele disse simplesmente algo acerca de si próprio (…) Ele nem perguntou: “Porque vieste? Porquê? De que precisas? E porque me escolheste a mim entre tanta gente? Senta-te”. Ele deveria tê-la ouvido. Ela deveria ter uma grande necessidade. Ninguém vem a mio da noite ter com um monge que está sentado em meditação há vinte anos. Porque é que ela veio? Ele não lhe prestou qualquer atenção.

“Quando você vai ter com um homem de compaixão, ele olha para si, ele olha profundamente o seu coração. Ele procura descobrir qual é o seu problema, porque é que você se encontra nessa situação, porque é que você está a fazer o que faz. Ele esquece-se de si mesmo. Ele simplesmente foca a pessoa que veio ter com ele – a necessidade dessa pessoa, o problema, a ansiedade, é consideração. Ele procura ajudar. O que quer que ele possa fazer, ele fará.”

Pág.210

“Quando você entra na aura de um homem de compaixão, você entra num calor quase maternal, num campo de energia muito nutritiva.”

“(…) se você caminha na meditação, a compaixão e o amor aparecerão automaticamente, por si próprias. Eles seguem a meditação como sombras. Assim, você não precisa de se preocupar com nenhuma síntese – a síntese virá. Virá por si, você não tem de a trazer. Você escolhe uma via. Ou você segue a via dor amor (…) Essa é a via da dissolução, nenhuma consciência é necessária. Você precisa de se embriagar, embriagar-se completamente em Deus, você precisa de ser tornar bêbado. Ou se escolhe a via da meditação. Aí você não precisa de se dissolver em nada. Precisa de se cristalizar, precisa de se tornar muito integrado, alerta, desperto.
Siga o caminho do amor e um dia, subitamente, verá que a meditação floresceu em si – centenas de lótus brancos. E você nada fez por eles, estava a fazer outra coisa e eles floresceram. Quando o amor e a devoção atingem um clímax, floresce a meditação. E o mesmo acontece na via da meditação. Esqueça tudo sobre amor e devoção. Fique simplesmente consciente, sente-se silenciosamente, goze o seu ser – é tudo. Esteja consigo, é tudo. Aprenda a estar só – é tudo. E lembre-se: uma pessoa que sabe estar só nunca está isolada. Só as pessoas que não sabem estar sós é que se sentem isoladas.
Na via da meditação, a solidão é procurada, desejada, esperada, implorada. Esteja só. De tal modo que nem a sua própria consciência se aperceba de uma réstia que seja do outro. Na via do amor, dissolva-se de tal forma que só o outro se torna real e você torna-se uma sombra e, a pouco e pouco, desaparece completamente. Na via do amor, Deus permanece, você desaparece; na via da meditação, Deus desaparece, você aparece. Mas o resultado final é o mesmo. Uma grande síntese acontece. Nunca tente sintetizar estas duas vias no início. Elas encontram-se no final, elas encontram-se no cume, elas encontram-se no templo.”

Pág.211

“A pessoa que está a aprofundar-se na meditação, ou a percorrer a via do amor, será auxiliada se aceitar o mundo como ele é. As pessoas mundanas nunca aceitam o mundo como ele é – elas estão sempre a tentar modificá-lo. Estão sempre a tentar fazer dele outra coisa, estão sempre a tentar arranjar as coisas de forma diferente, estão sempre a tentar fazer algo exterior. A pessoa religiosa aceita o que quer que esteja no exterior, tal como ele é. Ele não fica perturbado, ele não se distrai com o exterior. Todo o seu trabalho consiste em mover-se internamente. Uns deslocam-se pelo amor, outros deslocam-se pela meditação, mas ambos se movem internamente. O mundo religioso é o mundo interior. E o interior é o que está além.”

“Em latim, pecado tem dois significados: um é “falhar o alvo” e o outro, que é ainda mais belo, significa “fora de”. Pecado significa estar fora de si mesmo. Virtude significa estar por dentro – dentro de si mesmo.”

“O momento é o aspecto mais importante.”

Pág.213

“É belo estar só, é igualmente belo amar, estar com pessoas. E isto é complementar, não contraditório. Quando aprecia os outros, aprecie-os, e aprecie-os ao máximo; não há qualquer necessidade de se preocupar com a solidão. E quando você estiver cansado de estar com os outros, então procure a solidão e aprecie-a ao máximo.
Não procure escolher – se procurar escolher, então terá dificuldades. Cada escolha irá criar uma divisão em si, um pouco como se você se dividisse. Porquê escolher? Porquê ter um quando pode ter ambos?
(…)
É como se uma montanha fizesse uma escola, dizendo; Eu não terei vales à minha volta. Ora, sem vales, não há montanhas. Os vales são parte do ser da montanha; a montanha não pode existir sem vales, não existirá mais montanha. Se o vale escolhe não ter montanha, não haverá vales, igualmente.”

Pág.214

“(…) e assim são o amor e a meditação, são assim a relação e a solidão. A montanha da solidão só se ergue no vale das relações.
De facto, você só pode apreciar a solidão se souber apreciar as relações. É a relação que cria a necessidade de solidão, é um ritmo. Quando aprofundou uma relação com alguém, surge uma grande necessidade de estar só. Começa a sentir-se gasto, exausto, cansado – alegremente cansado, felizmente cansado, mas cada excitação é cansativa. Foi muitíssimo belo relacionar-se, mas agora você gostaria de caminhar para a solidão, para que possa, uma vez mais, tornar-se transbordante, para que de novo se enraíze no seu novo ser.
No amor você desloca-se para o ser do outro, você perde contacto consigo mesmo. Afoga-se, embriaga-se. Agora você precisa de se encontrar novamente. Mas quando está só, está a criar de novo uma necessidade de amor. Rapidamente ficará tão pleno que gostará de partilhar, ficará tão transbordante que gostará de ter alguém sobre quem se derramar, a quem se dar.
O amor surge da solidão. A solidão torna-o pleno, o amor recebe as suas dádivas. O amor esvazia-o para que você se possa encher de novo. Sempre que você se esvazia por amor, a solidão está lá para o alimentar, para o integrar. E isto é o ritmo.”

“Algumas pessoas tornam-se mundanas – elas gastam-se, ficam simplesmente exaustas, vazias. Não têm espaço para si mesmas. Não sabem que são nem nunca tropeçam em si próprias. Elas vivem com os outros, elas vivem pelos outros. Elas são parte da multidão, não são indivíduos.”

“O monge é um que escolheu estar só – mas rapidamente ele estará transbordante, maduro, e nada sabe de como derramar sobre si mesmo.
Onde se poderá derramar? Ele não pode permitir o amor, ele não pode permitir relações; ele não pode ir e conhecer e misturar-se com as pessoas. Agora a sua energia começa a ficar fermentada. Qualquer energia que deixa de fluir torna-se amarga.”

domingo, 4 de abril de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Consciência


Pág.204

“Com excepção da consciência, nada modifica uma pessoa, absolutamente nada.”

“Através do controlo, você não conseguirá atingir (…) Esse não é o caminho. Você está a lutar com folhas, ramos, a cortá-los aqui e ali. Esse não é o caminho para destruir a árvore do desejo. Á superfície, só existem ramos – ciúme, raiva, inveja, ódio, luxúria. Eles estão apenas à superfície. Quanto mais profundamente você caminha, mais irá entende; eles provêm todos de uma só raiz e essa raiz é a inconsciência.

A meditação significa consciência. Ela corta até à raiz. Então, toda a árvore desaparece por si própria. Então a paixão torna-se compaixão.”

Pág.206

“Se a meditação está em progresso, então o único critério do seu progresso é o amor, o único critério do seu progresso é a compaixão.”

Pág.207

“(…) tornara-se num monge, mas não satisfizera o requisito de se tornar um homem de meditação.”

Pág.208

“A consciência não é um novo hábito; a consciência é viver a vida com consciência, sem estar confinado a um hábito, sem estar possuído por um mecanismo.”

sábado, 3 de abril de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Paredes, máscaras, fachadas


Pág.202

“Claro que isto também constitui um problema. Porque é que as pessoas se tornam paredes? Porque as paredes podem ser definidas. Elas dão-lhe um limite, uma forma e um contorno definitivos.”

“Se você está enternecido e fluído, você não tem limites; você não sabe onde está nem onde termina e onde o outro começa. Você continua junto de outras pessoas de tal modo que todos os limites a pouco e pouco se tornam irreais. E um dia desaparecem.
É assim que a realidade é. A realidade é ilimitada. Onde é que você pensa parar? Na sua pele? (…) Mas a sua pele não poderia estar viva se o ar não a rodeasse. Se a sua pele não estivesse constantemente a respirar oxigénio que lhe é fornecido pelo meio, a sua pele não poderia estar viva.”
(…)
Existem duzentas milhas de atmosfera a circundar a Terra – é esse o seu limite? Esse também não pode ser o seu limite. O oxigénio e esta atmosfera e o calor e a vida não podem existir sem o Sol. (…) O Sol é então o seu limite? Mas agora os físicos dizem que o Sol está ligado a uma fonte central de energia que ainda não foi encontrada, mas que se suspeita existir – porque nada existe sem relação.
Então onde é que decidimos que fica o limite?
(…)
Então, onde é que ficamos? Eu estou a respirar - o ar dentro de mim sou eu, mas no momento anterior poderia ter sido o seu ar. (…) Estamos todos a respirar uns sobre os outros; somos membros uns dos outros.”

Pág.203

“As pessoas reprimidas têm máscaras, fachadas. Elas fingem ser outras pessoas. Uma pessoa reprimida transporta o mesmo mundo que você – é só necessária uma oportunidade, uma provocação, e imediatamente o verdadeiro eu surge.”

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Parede


“Se pela sua meditação você está a tornar-se frio, acautele-se. Se a sua meditação está a torná-lo mais quente, mais carinhoso, mais fluente – óptimo, você está no caminho certo. Se está a ficar menos carinhoso, se a sua compaixão está a desaparecer e a apatia começa a instalar-se dentro de si – então quanto mais cedo mudar de direcção, melhor. De outro modo, você tornar-se-á uma parede.”

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Nunca julgue um homem pelas suas acções

“Nunca julgue um homem pelas suas acções. Mas não há outra forma, se você não conhece o seu próprio ser – como pode conhecer o ser de outros? Logo que conheça o seu ser, conhecerá a linguagem, conhecerá a pista para olhar o ser do outro. Você pode ver os outros na medida em que se pode ver a si próprio. Se você olhou para dentro de si várias vezes, torna-se capaz de ver os outros cada vez melhor.”

Há que basear as nossas ideias e opiniões em algo muito mais verosímil do que as acções que observamos pontualmente: a energia da pessoa; algo que só ao fim de muito trabalho espiritual se consegue perceber.