segunda-feira, 5 de abril de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Aura de Compaixão


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“Um homem de compaixão pensa sempre no outro, na sua necessidade. Ele permaneceu friamente autoconcentrado. Ele disse simplesmente algo acerca de si próprio (…) Ele nem perguntou: “Porque vieste? Porquê? De que precisas? E porque me escolheste a mim entre tanta gente? Senta-te”. Ele deveria tê-la ouvido. Ela deveria ter uma grande necessidade. Ninguém vem a mio da noite ter com um monge que está sentado em meditação há vinte anos. Porque é que ela veio? Ele não lhe prestou qualquer atenção.

“Quando você vai ter com um homem de compaixão, ele olha para si, ele olha profundamente o seu coração. Ele procura descobrir qual é o seu problema, porque é que você se encontra nessa situação, porque é que você está a fazer o que faz. Ele esquece-se de si mesmo. Ele simplesmente foca a pessoa que veio ter com ele – a necessidade dessa pessoa, o problema, a ansiedade, é consideração. Ele procura ajudar. O que quer que ele possa fazer, ele fará.”

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“Quando você entra na aura de um homem de compaixão, você entra num calor quase maternal, num campo de energia muito nutritiva.”

“(…) se você caminha na meditação, a compaixão e o amor aparecerão automaticamente, por si próprias. Eles seguem a meditação como sombras. Assim, você não precisa de se preocupar com nenhuma síntese – a síntese virá. Virá por si, você não tem de a trazer. Você escolhe uma via. Ou você segue a via dor amor (…) Essa é a via da dissolução, nenhuma consciência é necessária. Você precisa de se embriagar, embriagar-se completamente em Deus, você precisa de ser tornar bêbado. Ou se escolhe a via da meditação. Aí você não precisa de se dissolver em nada. Precisa de se cristalizar, precisa de se tornar muito integrado, alerta, desperto.
Siga o caminho do amor e um dia, subitamente, verá que a meditação floresceu em si – centenas de lótus brancos. E você nada fez por eles, estava a fazer outra coisa e eles floresceram. Quando o amor e a devoção atingem um clímax, floresce a meditação. E o mesmo acontece na via da meditação. Esqueça tudo sobre amor e devoção. Fique simplesmente consciente, sente-se silenciosamente, goze o seu ser – é tudo. Esteja consigo, é tudo. Aprenda a estar só – é tudo. E lembre-se: uma pessoa que sabe estar só nunca está isolada. Só as pessoas que não sabem estar sós é que se sentem isoladas.
Na via da meditação, a solidão é procurada, desejada, esperada, implorada. Esteja só. De tal modo que nem a sua própria consciência se aperceba de uma réstia que seja do outro. Na via do amor, dissolva-se de tal forma que só o outro se torna real e você torna-se uma sombra e, a pouco e pouco, desaparece completamente. Na via do amor, Deus permanece, você desaparece; na via da meditação, Deus desaparece, você aparece. Mas o resultado final é o mesmo. Uma grande síntese acontece. Nunca tente sintetizar estas duas vias no início. Elas encontram-se no final, elas encontram-se no cume, elas encontram-se no templo.”

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“A pessoa que está a aprofundar-se na meditação, ou a percorrer a via do amor, será auxiliada se aceitar o mundo como ele é. As pessoas mundanas nunca aceitam o mundo como ele é – elas estão sempre a tentar modificá-lo. Estão sempre a tentar fazer dele outra coisa, estão sempre a tentar arranjar as coisas de forma diferente, estão sempre a tentar fazer algo exterior. A pessoa religiosa aceita o que quer que esteja no exterior, tal como ele é. Ele não fica perturbado, ele não se distrai com o exterior. Todo o seu trabalho consiste em mover-se internamente. Uns deslocam-se pelo amor, outros deslocam-se pela meditação, mas ambos se movem internamente. O mundo religioso é o mundo interior. E o interior é o que está além.”

“Em latim, pecado tem dois significados: um é “falhar o alvo” e o outro, que é ainda mais belo, significa “fora de”. Pecado significa estar fora de si mesmo. Virtude significa estar por dentro – dentro de si mesmo.”

“O momento é o aspecto mais importante.”

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“É belo estar só, é igualmente belo amar, estar com pessoas. E isto é complementar, não contraditório. Quando aprecia os outros, aprecie-os, e aprecie-os ao máximo; não há qualquer necessidade de se preocupar com a solidão. E quando você estiver cansado de estar com os outros, então procure a solidão e aprecie-a ao máximo.
Não procure escolher – se procurar escolher, então terá dificuldades. Cada escolha irá criar uma divisão em si, um pouco como se você se dividisse. Porquê escolher? Porquê ter um quando pode ter ambos?
(…)
É como se uma montanha fizesse uma escola, dizendo; Eu não terei vales à minha volta. Ora, sem vales, não há montanhas. Os vales são parte do ser da montanha; a montanha não pode existir sem vales, não existirá mais montanha. Se o vale escolhe não ter montanha, não haverá vales, igualmente.”

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“(…) e assim são o amor e a meditação, são assim a relação e a solidão. A montanha da solidão só se ergue no vale das relações.
De facto, você só pode apreciar a solidão se souber apreciar as relações. É a relação que cria a necessidade de solidão, é um ritmo. Quando aprofundou uma relação com alguém, surge uma grande necessidade de estar só. Começa a sentir-se gasto, exausto, cansado – alegremente cansado, felizmente cansado, mas cada excitação é cansativa. Foi muitíssimo belo relacionar-se, mas agora você gostaria de caminhar para a solidão, para que possa, uma vez mais, tornar-se transbordante, para que de novo se enraíze no seu novo ser.
No amor você desloca-se para o ser do outro, você perde contacto consigo mesmo. Afoga-se, embriaga-se. Agora você precisa de se encontrar novamente. Mas quando está só, está a criar de novo uma necessidade de amor. Rapidamente ficará tão pleno que gostará de partilhar, ficará tão transbordante que gostará de ter alguém sobre quem se derramar, a quem se dar.
O amor surge da solidão. A solidão torna-o pleno, o amor recebe as suas dádivas. O amor esvazia-o para que você se possa encher de novo. Sempre que você se esvazia por amor, a solidão está lá para o alimentar, para o integrar. E isto é o ritmo.”

“Algumas pessoas tornam-se mundanas – elas gastam-se, ficam simplesmente exaustas, vazias. Não têm espaço para si mesmas. Não sabem que são nem nunca tropeçam em si próprias. Elas vivem com os outros, elas vivem pelos outros. Elas são parte da multidão, não são indivíduos.”

“O monge é um que escolheu estar só – mas rapidamente ele estará transbordante, maduro, e nada sabe de como derramar sobre si mesmo.
Onde se poderá derramar? Ele não pode permitir o amor, ele não pode permitir relações; ele não pode ir e conhecer e misturar-se com as pessoas. Agora a sua energia começa a ficar fermentada. Qualquer energia que deixa de fluir torna-se amarga.”

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