sábado, 1 de maio de 2010

A Fórmula de Deus – José Rodrigues dos Santos


Págs.159, 160, 161 e 162

“(…) a busca da Teoria de Tudo começou com a Teoria da Relatividade. Até Einstein, a física assentava no trabalho de Newton, que dava perfeita conta do recado na explicação do funcionamento do Universo tal como ele é percepcionado pelos seres humanos. Mas havia dois problemas relacionados com a luz que não se conseguia resolver. Um era saber por que razão um objecto aquecido emitia luz e o outro era perceber o valor constante da velocidade da luz. (…) Einstein concluiu, em 1905 a sua Teoria da Relatividade Restrita, onde estabeleceu uma ligação entre o espaço e o tempo, dizendo que ambos são relativos. Por exemplo, o tempo muda porque há movimento no espaço. A única coisa que não é relativa, mas absoluta, é a velocidade da luz. Ele previu que, a velocidades próximas da luz, o tempo abranda e as distâncias contraem-se. (…) se tudo é relativo, com excepção da velocidade da luz, então até a massa e a energia são relativas. Mais do que relativas, massa e energia são as duas faces de uma mesma moeda.

- Essa não é aquela famosa equação?

(…)

- Sim. Energia é igual à massa vezes o quadrado da velocidade da luz.

- Se bem me lembro, essa é a equação que está por detrás das bombas atómicas.

- Exacto. Como você sabe, a velocidade da luz é enorme. O quadrado da velocidade da luz é um número tão grande que isso implica que uma minúscula porção de massa contém uma brutal quantidade de energia. (…) A única dificuldade, é transformar essa matéria em energia.

- Isso não tem a ver com a força forte que mantém unido o núcleo dos átomos?

(…)

- (…) energia e massa são as duas faces da mesma moeda. Isto significa que se pode transformar uma coisa na outra, ou seja, energia transformar-se em matéria e matéria em energia.

- Está a dizer que é possível fazer uma pedra a partir da energia?

- Sim, teoricamente isso é possível, embora a transformação de energia em massa seja algo que nós normalmente não observamos. Mas acontece. Por exemplo, se um objecto de aproximar da velocidade da luz, o tempo contrai-se e a sua massa aumenta. Nessa situação, e energia do movimento dá lugar à massa.

- Isso já alguma vez foi observado?

- Sim, no Acelerador de Partículas do CERN, na Suíça. Os electrões foram acelerados a tal velocidade que aumentaram quarenta mil vezes de massa. Há mesmo fotografias do rasto de protões, depois de choques (…).

- É, aliás, por isso que nenhum objecto pode atingir a velocidade da luz. Se o fizesse, a sua massa tornar-se-ia infinitamente grande, o que requereria uma energia infinita para movimentar esse objecto. Ora, isso não pode ser (…) Daí que se diga que a velocidade da luz é a velocidade limite do Universo. Nada a pode igualar, porque, se um corpo a igualasse, a sua massa tornar-se-ia infinitamente grande.

- Mas a luz é formada por quê?

- Por partículas chamadas fotões.

- E essas partículas não aumentam de massa quando andam á velocidade da luz?

- Aí é que está. Os fotões são partículas sem massa, encontram-se em estado de energia pura e nem sequer experimentam a passagem do tempo. Como andam à velocidade da luz, para eles o Universo é intemporal. Do ponto de vista dos fotões, o Universo nasce, cresce e morre no mesmo instante. (…) Einstein concluiu a Teoria da Relatividade Restrita em 1905, na qual explicava uma série de fenómenos físicos, mas não a gravidade. O problema é que a Relatividade Restrita entrou em conflito com a descrição clássica da gravidade e era preciso resolver isso. Newton acreditava que uma alteração repentina de massa implicava uma alteração instantânea da força da gravidade. Mas isso não pode ser, uma vez que tal requer que exista algo mais veloz que a luz. Suponhamos que o Sol explodia neste preciso momento. A Relatividade Restrita prevê que tal acontecimento só oito minutos depois será sentido na Terra, uma vez que esse é o tempo que a luz leva a fazer a viagem entre o Sol e a Terra. Mas Newton julgava que o efeito seria sentido instantaneamente. No exacto momento em que o Sol explodisse, a Terra sentiria o efeito desse acontecimento. Ora, isso não é possível dado que nada anda mais depressa do que a luz, não é? Para solucionar este e outros problemas, Enstein concluiu, em 1915, a Teoria da Relatividade Geral, que resolveu as questões da gravidade e estabeleceu que o espaço é curvado. Quanto mais massa tem um objecto, mais curvado é o espaço em torno dele e, consequentemente, maior é a força da gravidade que exerce. Por exemplo, o Sol exerce mais força de gravidade sobre um objecto do que a Terra porque dispõe de muito mais massa.”

Sem comentários:

Enviar um comentário