quarta-feira, 5 de maio de 2010

A Fórmula de Deus – José Rodrigues dos Santos


Pág.166

“Mas Niels Bohr complicou a coisa e disse que o electrão passa pelos dois buracos ao mesmo tempo. (…) Ao escolher entre duas rotas, o electrão passa pelas duas em simultâneo (…) está nos dois sítios ao mesmo tempo! (…) se pusermos um electrão numa caixa dividida em dois lados, o electrão estará nos dois lados ao mesmo tempo em forma de onda. Quando espreitamos a caixa, a onda desfaz-se imediatamente e o electrão transforma-se em partícula num dos lados. Se não olharmos, o electrão permanecerá nos dois lados ao mesmo tempo sob a forma de onda. Mesmo que os dois lados sejam separados e colocados a milhares de anos-luz de distância um do outro, o electrão continuará nos dois lados ao mesmo tempo. Só quando espreitarmos para um dos lados é que o electrão decidirá qual o lado onde vai ficar. (…) O papel do observador foi estabelecido inicialmente pelo Princípio da Incerteza. Heisenberg concluiu que nunca poderemos saber com precisão e em simultâneo qual a posição e a velocidade de uma partícula devido á presença do observador. A teoria evoluiu até ao ponto de ter havido quem considerasse que o electrão só decide em que lugar está quando existe um observador.

- Isso não faz sentido nenhum…

- Foi o que disseram os outros cientistas, incluindo Einstein. Como o cálculo passou a ser probabilístico, Einstein declarou que Deus não jogava aos dados, isto é, a posição de uma partícula não podia estar dependente da posição de observadores e, sobretudo, de cálculos de probabilidade. A partícula ou está num sítio, ou está noutro, não pode estar nos dois ao mesmo tempo. A incredulidade foi tal, que houve até um outro físico chamado Schrodinger, que concebeu uma situação paradoxal para pôr a nu este absurdo. Ele imaginou que era colocado um gato numa caixa com um frasco fechado de cianeto. Um processo quântico poderia levar um martelo, com uma probabilidade de cinquenta por cento, a quebrar o frasco ou não. De acordo com a teoria quântica, os dois acontecimentos igualmente prováveis ocorreriam em simultâneo enquanto a caixa permanecesse encerrada., fazendo com que o gato estivesse simultaneamente vivo e morto, da mesma maneira que um electrão está simultaneamente nos dois lados da caixa enquanto não é observado.”

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