sexta-feira, 14 de maio de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello


Pág. 89

“- Existem dois tipos de letras – explicava eu. – A primeira é feita com precisão, mas sem alma. Nesse caso, embora o calígrafo tenha um grande domínio da técnica, concentra-se exclusivamente no ofício – e por causa disso não evolui, torna-se repetitivo, não consegue crescer, e um dia vai deixar o exercício da escrita, porque acha que tudo se transformou numa rotina.”


Pág. 91

“A sua caligrafia está cada vez mais pessoal, mais espontânea, já não é apenas uma repetição da beleza, mas um gesto de criação pessoal. Compreendeu o que os grandes pintores compreendem: para esquecer as regras, é preciso conhecê-las e respeitá-las.”

Pág.92

“- E apesar de dominar as palavras, ainda não domina os espaços em branco. A sua mão, quando está concentrada, é perfeita. Quando salta de uma palavra para outra, perde-se.

- Como é que sabe disso?

- Tenho razão?

- Tem toda a razão. Nalgumas fracções de segundo, antes de me concentrar na próxima palavra, eu perco-me. As coisas em que eu não quero pensar insistem em dominar-me.

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