sábado, 22 de maio de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello

Págs.160 e 161

“É evidente que algumas mulheres dizem: “Eu não vou lavar pratos, os homens que os lavem.” Pois eles que lavem se quiserem, mas não veja nisso uma igualdade de direitos. Não há nada de errado em fazer coisas simples – embora, se amanhã eu publicasse um artigo com tudo o que penso, me criticassem certamente por estar a lutar contra a causa feminina.

Que parvoíce! Como se lavar pratos, ou usar sutiã, ou abrir e fechar portas fosse algo que humilhasse a minha condição de mulher. Na verdade, eu gosto quando um homem me abre a porta: nas regras de etiqueta está escrito “ela precisa que eu faça isso, porque é frágil”, mas na minha alma está escrito “sou tratada como uma deusa, sou uma rainha.”

Eu não estou aqui para lutar pela causa feminina, porque tanto os homens como as mulheres são uma manifestação da Mãe, a Unidade Divina. Ninguém pode ser maior do que isso.

Adorava poder vê-la dar aulas sobre o que está a aprender; esse é o objectivo da vida –a revelação! Você transforma-se num canal, ouve-se a si própria, surpreende-se com o que é capaz. Lembra-se do trabalho no banco? Talvez nunca tenha percebido, mas era a energia a fluir pelo seu corpo, pelos seus olhos, pelas suas mãos.

Podia dizer-me: “Não é bem assim, era a dança.”

A dança funciona simplesmente como um ritual. O que é um ritual? É transformar o que é monótono em algo que seja diferente, ritmado, e que possa canalizar a Unidade. Por isso é que eu insisto: seja diferente até a lavar pratos. Mexa as mãos de modo a nunca repetir o mesmo gesto – embora mantenham a cadência.”

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