segunda-feira, 31 de maio de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello

Págs.231, 232, 233 e 234

“Mas o mundo progrediu – respondi. Ele perguntou se eu sabia História – é claro que sabia. Fez outra pergunta: há milhares de anos não éramos capazes de construir grandes edifícios como as Pirâmides? (…) É claro que sim, Mas embora nos tivéssemos organizado, hoje em dia, para substituir os escravos gratuitos por escravos com salário, todos os avanços acontecem apenas no campo da ciência. Os seres humanos ainda continuam com as mesmas perguntas dos seus ancestrais. Ou seja, não evoluíram absolutamente nada. (…)

(…)

(…) existiam duas tradições; uma, que nos faz repetir a mesma coisa ao longo dos séculos. A outra, que nos abre a porta do desconhecido. Mas esta segunda tradição é incómoda, desconfortável e perigosa, porque se tiver muitos adeptos, acabará por destruir a sociedade que tanto custou a ser organizada, tendo como exemplo as formigas.

(…)

“Tenho medo de dar passos que não estão no mapa, mas, apesar dos meus medos, ao fim do dia a vida parece-me muito mais interessante.”

(…)

Se não fosse biólogo, o que é que seria?

Eu respondi: Ferreiro, mas não dá dinheiro. Ele retorquiu: Então quando se cansar de ser o que não é, vá divertir-se e celebrar a vida a bater com um martelo num ferro. Com o tempo, descobre que isso lhe vai dar mais do que prazer: dá-lhe um sentido.

Como posso seguir essa tradição de que falou?

Já disse, pelos símbolos - respondeu ele. Comece por fazer o que quer, e tudo o resto lhe será revelado (…).

(…)

Apenas sei que, a partir daquele momento, os símbolos começaram a aparecer, porque os meus olhos tinham sido abertos devido àquela conversa.

(…)

Passei a dividir o meu tempo entre as pesquisas biológicas e o trabalho de ajudante de ferreiro. Estava sempre cansado, mas mais alegre do que anteriormente. Um dia, abandonei o emprego e montei a minha própria ferraria, o que não correu nada bem no início; precisamente quando eu começava a acreditar na vida, as coisas pioravam sensivelmente.

(…)

- Sei que Deus me está a colocar no fogo das aflições. Tenho aceitado as marteladas que a vida me dá, e às vezes sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofrer o aço. Mas a única coisa que peço é: Meu Deus, Minha Mãe, não desista, até que eu consiga tomar a forma que espera de mim. Tente da maneira que achar melhor, durante o tempo que quiser (…).”

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