terça-feira, 26 de novembro de 2013

Meditação



A meditação é necessária ao desenvolvimento das qualidades mentais. O espírito pode certamente ser melhorado, e a meditação é um meio de realizar essa transformação. A meditação é a actividade de familiarizar o espírito. A meditação é a actividade de familiarizar o espírito, de o habituarmos a algo de novo e de positivo. Isso significa, fundamentalmente, que nos acostumamos ao objecto sobre o qual meditamos. Há dois tipos de meditação: a meditação analítica, e a concentração ou absorção meditativa. A primeira consiste em analisar um objecto, a segunda em concentrar o espírito nesse objecto de uma maneira estável. (...) Para compreendermos o objectivo da meditação, é interessante dividirmos as práticas em visão e comportamento. O factor principal é o comportamento, uma vez que é ele que induz a futura felicidade, tanto em nós como nos outros. Mas para que o comportamento seja puro e perfeito, é necessário termos uma visão justa. O comportamento tem de estar correctamente fundamentado na razão, pelo que é necessário uma visão filosófica justa. (pág.15, "O Sentido da Vida", Dalai Lama)

As qualidades espirituais desenvolvidas sob uma base firme, jamais se perdem



Entre o poder mundano e as possessões há, sem dúvida, coisas boas, mas igualmente limitadas. Em contrapartida, do ponto de vista budista, o desenvolvimento do espírito pode progredir de vida em vida, por natureza do espírito ser de tal ordem que as qualidades espirituais desenvolvidas sobre uma base firme jamais se perdem e podem ir sempre aumentando. Com efeito, uma vez correctamente desenvolvidas, as qualidades positivas do espírito não só permanecem, como podem desenvolver-se incessantemente. É por essa razão que a prática espiritual dá em simultâneo, origem à felicidade a longo prazo e a uma maior força interior a cada dia que passa. (pág.14, "O Sentido da Vida", Dalai Lama)

domingo, 17 de novembro de 2013

O Sentido da Vida, Dalai Lama: ter em consideração as diversas vidas


"Há muitos tipos de felicidade e muitas maneiras de os alcançar, assim como há uma grande variedade de sofrimentos e de maneiras de os suplantar. Todavia, enquanto budistas, devemos aspirar a um resultado duradouro e não a um mero alívio ou a um bem temporário. Os budistas não devem ter apenas esta vida em consideração, mas sim as vidas sucessivas indefinidamente; não devem contar em semanas ou meses, ou mesmo em anos, mas em vidas e em kalpas." (pág.13, "O Sentido da Vida", Dalai Lama)

Nota: "Um kalpa (...) é uma unidade de era cósmica extremamente grande. Segundo a cosmologia budista, os mundos estão submetidos a um processo caracterizado pela alternância de períodos de formação e dissolução. O período que decorre entre o início de um mundo e a formação do mundo seguinte e a formação do mundo seguinte é chamado mahakalpa; este é formado por quatro períodos incomensuráveis  (...) que correspondem às fases de formação, duração e dissolução do mundo, e ao período intermédio de caos que precede a formação de um novo mundo."  (pág.13, "O Sentido da Vida", Dalai Lama)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Magia (Rhonda Byrne, autora de O Segredo)



Pág. 31

"Com certeza que já foi grato em várias alturas da sua vida, mas, para ver a magia e causar uma mudança radical nas suas circunstâncias actuais, tem de praticar a gratidão e fazer dela a sua nova forma de estar na vida."


Magia (Rhonda Byrne, autora de O Segredo)




Pág. 31

"O resultado prático da ingratidão é que, quando não somos gratos, estamos a 'tomar', estamos a tomar por garantidas as coisas da nossa vida. Quando tomamos as coisas por garantidas, estamos a tomar de nós, involuntariamente. (...) 'àquele que não tem gratidão, mesmo o que tem lhe será tirado'".


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Pensamento Religioso - Pedro Sete


Eis um site que encontrei e que muito me agradou, pelas temáticas interessantes, complexas e pertinentes que aborda. Tomei a liberdade de trazer comigo um post que achei particularmente interessante:

Gostamos de pensar que somos indivíduos evoluídos e que estamos bem para lá das superstições religiosas ou outras de teor semelhante. A ideia de um mundo metafísico é veementemente rejeitada, como uma posição pouco ou nada racional.


Um pouco de humildade não faz mal nenhum, de modo a colocar as coisas na devida perspectiva. O pensamento religioso não surgiu apenas por surgir, ele obviamente respondia a um conjunto de necessidades humanas e foi por isso que se manteve até aos dias de hoje.


A atitude de acreditar em irracionalidades ainda se mantém. Os economistas acreditam em coisas misteriosas como ‘forças de mercado’, ou em irracionalidades como ‘crescimento’ infinito, mimando em certo sentido o que se passa com a religião [1].


Mesmo os cientistas tidos como insuspeitos nesta questão de racionalidade e objectividade se deixam enredar em fraudes e manipulação, como aconteceu com o crânio de Piltdown [2] ou os recentes escândalos sobre as alterações climáticas.

A atitude de veneração, que no pensamento religioso é canalizada para a apreciação da vida dos santos e a esperança que eles intervenham a nosso favor, é no mundo actual canalizada para a admiração de personalidades e também esperamos que estas nos tragam uma vida mais feliz ou menos miserável. Ou até mesmo canalizada para a admiração da ciência e que esta se converta qual mágica varinha de condão, na resolução dos nossos problemas.

A adoração de figuras políticas, elevadas a figuras míticas nos países ateus é outro exemplo. Mas também é alimentada em posters de Einstein, ou na confiança dogmática de que a ciência contém a chave da felicidade [3].


Afinal tudo não passa ainda de resquícios do pensamento religioso.

Há até agora uma forma de proselitismo ateísta que se confunde com o proselitismo religioso e enferma dos mesmos males. O que acredita em algo metafísico é rotulado de supersticioso, irracional, dogmático e atrasado. [4]

Esquecemo-nos que o pensamento religioso foi uma necessidade humana. Um recurso que a nossa tendência para o agenciamento nos trouxe.

Será que o pensamento religioso não é apenas uma estratégia evolutiva, para nos fazer sentir bem e como tal dar-nos uma vantagem competitiva?

Sabemos agora que somos mais ou menos religiosos, consoante a nossa actividade dopamínica no lobo central [5]. É a dopomina que está por trás das nossas paixões e afecta a nossa vida sexual. Portanto pode dar-se que assim como sentimos prazer na propagação dos genes (sexo), sentimos prazer em acreditar que há uma outra realidade superior, metafísica.


Aceitamos que a necessidade de compreender o sentido da vida é suficientemente importante para ocupar as mentes de filósofos, mas já não temos a mesma atitude para com os pensadores religiosos, os teólogos. E enquanto os filósofos ainda debatem a questão, os religiosos já lhe responderam apaziguando as nossas angústias. Qual é então o mais útil?

Esta necessidade premente de respostas às grandes interrogações do Homem, foi o que gerou o pensamento religioso. Chamamos a esta necessidade de espiritualidade. A religião procura satisfazer essa necessidade, embora e infelizmente na sua vasta maioria, tenha contribuído para a sufocar. A ciência pode trazer uma resposta mais lúcida, mas ainda assim será sempre insuficiente. Não é o modo como o mundo trabalha que satisfaz a nossa espiritualidade. A espiritualidade é muito mais exigente, porque quer saber os porquês.

O nosso actual mundo desprovido de deuses e da sua sobrenaturalidade sublima-se num retorno à natureza ou no fascínio por histórias fantásticas [6]. O moderno capitalismo converteu a necessidade espiritual numa “filosofia da futilidade” e “ausência de propósito de vida” que alimenta o consumismo [7], convertendo a procura de sentido, na procura e aquisição de bens.


Por isso, enquanto as grandes questões que são: “Donde viemos? Porque estamos aqui? Para onde vamos?” permanecerem e não forem satisfatoriamente respondidas, o pensamento religioso terá uma razão para existir.

[1] “When Religion Becames Evil” por Charles Kimball, p.17, 2008
[2] http://en.wikipedia.org/wiki/Piltdown_Man#Exposure_of_the_hoax em 19/Jul/2011
[3] Jaques Fresno, por exemplo.
[4] Richard Dawkins e Michael Shermer, por exemplo.
[5] “Where God and Science Meet: How Brain and Evolutionary Studies Alter Our Understanding of Religion” – Volume 2, Capítulo 1, pág. 10.
[6] Harry Potter ou Ufologia por exemplo.
[7] “Hegemony or Survival – America’s Quest for Global Dominance” por Noam Chomsky, p.76

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ensaio Sobre a Lucidez, José Saramago


Pág. 12

“Na verdade, não eram quatro pingos míseros, eram baldes, eram cântaros, eram nilos, igazús e iangtsés, mas a fé, abençoada seja ela para todo o sempre, além de arredar montanhas do caminho daqueles que do seu poder se beneficiam, é capaz de atrever-se às águas mais torrenciais e sair delas enxuta.”

domingo, 6 de junho de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello

Pág.278

“Quando o ódio faz alguém crescer, transforma-se numa das muitas maneiras de amar.”

sábado, 5 de junho de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello

Pág.265

“Usem a energia e o esforço de uma dieta para se alimentarem do pão espiritual. Percebam que a Grande Mãe dá com fartura e com sabedoria – respeitem isso e não vão engordar para além daquilo que o tempo exige.

Em vez de queimarem artificialmente essas calorias, tentem transformá-las na energia necessária para lutarem pelos vossos sonhos, ninguém consegue ficar magro durante muito tempo, só por causa de uma dieta.”

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello

Pág.261

“O que eu via no armazém era uma mulher a dizer: Vocês são capazes, façam o que a Grande Mãe ensina – confiem no amor e os milagres vão realizar-se. E a multidão concordava, mas isso não devia durar muito tempo, porque estávamos numa época em que a escravidão era o único meio de encontrar a felicidade. O livre-arbítrio exige uma responsabilidade imensa, dá trabalho e traz angústia e sofrimento.”

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello

Pág.244

“Todos nós temos um dever para com o amor: permitir que ele se manifeste da maneira que achar melhor. Não podemos e não devemos assustar-nos quando as forças das trevas, aquelas que instituíram a palavra “pecado” apenas para controlar os nossos corações e as nossas mentes, se querem fazer ouvir. O que é o pecado? Jesus Cristo, que todos nós conhecemos, dirigiu-se a uma mulher adúltera e disse: Ninguém te condenou? Pois eu também não te condeno. Curou aos sábados, permitiu que uma prostituta lavasse os seus pés, convidou um criminoso que estava a ser crucificado ao seu lado para gozar as delícias do Paraíso, comeu alimentos proibidos, disse para nos preocuparmos apenas com o dia de hoje, porque os lírios do campo não tecem nem fiam, mas vestem-se com glória.

O que é o pecado? Pecado é impedir que o Amor de manifeste. (…) Estamos num novo mundo, podemos escolher seguir os nossos próprios passos, não o que a sociedade nos obrigou a fazer.”

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello

Pág.241

“O historiador alemão, Franz Herbert (…), tem uma ideia diferente: As religiões estabelecidas deixaram de responder às questões fundamentais do Homem – como a sua identidade e a sua razão de viver. Em vez disso, concentraram-se apenas numa série de dogmas e normas voltadas para uma organização social e política. Desta forma, as pessoas que andam à procura de uma espiritualidade autêntica começam a partir em direcção a novos rumos (…).”

terça-feira, 1 de junho de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello

Pág.235

“(…) combino os processos de cura doa antigos, a Tradição Arcana com as técnicas mais modernas da medicina actual – a Tradição de Hipócrates. Estou a escrever um tratado a respeito disso, e muitas pessoas da comunidade “científica”, ao verem o meu texto publicado numa revista especializada, vão ousar dar passos que no fundo sempre quiseram dar.

Não acredito que a cabeça seja a fonte de todos os males; existem doenças. Acho que antibióticos e antivirais foram grandes passos para a Humanidade. Não tenciono que um doente meu cure uma apendicite apenas com meditação (…). Enfim, dou os meus passos com coragem e medo, procuro a técnica e a inspiração. Eu sou suficientemente prudente para não andar a dizer isto por aí, caso contrário iam logo rotular-me de curandeira, e muitas das vidas que eu poderia salvar acabariam por ser perdidas.

Quando estou com dúvidas, peço ajuda à Grande Mãe. Nunca me deixou sem resposta. Mas aconselhou-me sempre a ser discreta, pelo menos em duas ou três ocasiões.

Mas ela estava demasiado fascinada com o mundo que começava a descobrir, e não ouviu.”

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello

Págs.231, 232, 233 e 234

“Mas o mundo progrediu – respondi. Ele perguntou se eu sabia História – é claro que sabia. Fez outra pergunta: há milhares de anos não éramos capazes de construir grandes edifícios como as Pirâmides? (…) É claro que sim, Mas embora nos tivéssemos organizado, hoje em dia, para substituir os escravos gratuitos por escravos com salário, todos os avanços acontecem apenas no campo da ciência. Os seres humanos ainda continuam com as mesmas perguntas dos seus ancestrais. Ou seja, não evoluíram absolutamente nada. (…)

(…)

(…) existiam duas tradições; uma, que nos faz repetir a mesma coisa ao longo dos séculos. A outra, que nos abre a porta do desconhecido. Mas esta segunda tradição é incómoda, desconfortável e perigosa, porque se tiver muitos adeptos, acabará por destruir a sociedade que tanto custou a ser organizada, tendo como exemplo as formigas.

(…)

“Tenho medo de dar passos que não estão no mapa, mas, apesar dos meus medos, ao fim do dia a vida parece-me muito mais interessante.”

(…)

Se não fosse biólogo, o que é que seria?

Eu respondi: Ferreiro, mas não dá dinheiro. Ele retorquiu: Então quando se cansar de ser o que não é, vá divertir-se e celebrar a vida a bater com um martelo num ferro. Com o tempo, descobre que isso lhe vai dar mais do que prazer: dá-lhe um sentido.

Como posso seguir essa tradição de que falou?

Já disse, pelos símbolos - respondeu ele. Comece por fazer o que quer, e tudo o resto lhe será revelado (…).

(…)

Apenas sei que, a partir daquele momento, os símbolos começaram a aparecer, porque os meus olhos tinham sido abertos devido àquela conversa.

(…)

Passei a dividir o meu tempo entre as pesquisas biológicas e o trabalho de ajudante de ferreiro. Estava sempre cansado, mas mais alegre do que anteriormente. Um dia, abandonei o emprego e montei a minha própria ferraria, o que não correu nada bem no início; precisamente quando eu começava a acreditar na vida, as coisas pioravam sensivelmente.

(…)

- Sei que Deus me está a colocar no fogo das aflições. Tenho aceitado as marteladas que a vida me dá, e às vezes sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofrer o aço. Mas a única coisa que peço é: Meu Deus, Minha Mãe, não desista, até que eu consiga tomar a forma que espera de mim. Tente da maneira que achar melhor, durante o tempo que quiser (…).”

domingo, 30 de maio de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello

Págs.227 e 228

“(…) o mestre nunca diz ao discípulo o que deve fazer. Apenas são companheiros de viagem, que dividem a mesma e difícil sensação de “estranhamento” diante das percepções que mudam sem parar, dos horizontes que se abrem, das portas que se fecham, dos rios que às vezes parecem atrapalhar o caminho – e que na verdade não devem ser atravessados, mas percorridos.

A diferença entre o mestre e o discípulo é só uma: o primeiro tem relativamente menos medo do que o segundo. Então, quando se sentam à volta de uma mesa ou de uma fogueira para conversar, o mais experiente sugere: “Porque é que não faz isto?”

Nunca diz: “Venha por aqui, e vai chegar onde eu cheguei”, já que cada caminho é único e que cada destino é pessoal.

O verdadeiro mestre provoca no discípulo a coragem de desequilibrar o seu mundo, embora também ele esteja com receio das coisas que tem encontrado, e com mais receio ainda do que lhe reserva a próxima curva.”

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello

Pág.213

“O destino será implacável com os que querem viver num universo que já acabou. (…) Quem acredita que fracassou, fracassará sempre. Quem acha que não consegue agir de forma diferente, será destruído pela rotina. Quem resolve impedir as mudanças, vai transformar-se em pó.”

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello


Págs.200 e 201

“(…) as mudanças só acontecem quando fazemos algo que vai contra, completamente contra tudo aquilo a que estamos acostumados.

(…)

Uma das coisas mais agressivas no ser humano é ir contra o que acha bonito, e vamos fazer isso hoje. Vamos dançar mal. Toda a gente.”

“(…) a melhor maneira de meditar, de entrar em contacto com a luz, era fazer tricô – que a minha mãe me ensinara quando eu era criança. Sabia contar os pontos, mexer as agulhas, criar belas coisas através da repetição e da harmonia. Um dia, o meu protector pediu-me para tricotar de uma maneira completamente irracional! Algo muito violento para mim, que tinha aprendido o trabalho com carinho, paciência e dedicação. Mesmo assim, ele insistiu que eu fizesse um péssimo trabalho.

Durante das horas achei aquilo ridículo, absurdo, a minha cabeça doía-me, mas não podia deixar que as agulhas guiassem as minhas mãos. Qualquer um de nós é capaz de fazer alguma coisa errada, porque é que me estava a pedir isto? Porque conhecia a minha obsessão pela geometria e pelas coisas perfeitas.

E, de repente, aconteceu; parei as agulhas, senti um vazio imenso, que foi preenchido por uma presença cálida, amorosa, companheira. À minha volta, tudo estava diferente, e senti vontade de dizer coisas que nunca ousaria no meu estado normal. Mas não perdi a consciência, sabia que era eu própria, embora, aceitemos o paradoxo, não fosse a pessoa com quem eu estivesse acostumada a conviver.

(…)

Depois de algum tempo, a alma desligou-se do corpo, foi aberto um espaço (…).

(…) Antiga, mas com uma aparência jovem. Sábia, mas não omnipotente. Especial, mas sem arrogância. A percepção mudou, e ela passou a ver as mesmas coisas que via quando era criança – os universos paralelos que povoam este mundo. Nesse momento, podemos ver não só o corpo físico, mas as emoções das pessoas. Dizem que os gatos têm o mesmo poder, e eu acredito.

(…)

Voltando ao meu tricô: usei este processo durante algum tempo até que consegui provocar esta presença sem artifício nenhum, já que a conhecia e que me estava a acostumar a ela. (…) uma vez que sabemos onde estão as Portas da Percepção, é fácil abrir e fechá-las, desde que nos habituemos ao nosso comportamento “estranho”.

E cabe-me acrescentar: o meu tricô ficou muito mais rápido e melhor, da mesma maneira que Athena passou a dançar com muito mais alma e ritmo depois de ter ousado quebrar essas barreiras.”

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello

Págs.197 e 198

“ – Ele diz que a terra quer ritos? Pois eu garanto-vos: se tiverem amor suficiente entre vós, a colheita será farta, porque este é um sentimento que tudo transforma. Mas o que é que eu vejo? Amizade. A paixão extinguiu-se há muito tempo, porque já se acostumaram uns aos outros. É por isso que a terra dá apenas o que deu no ano anterior, nem mais nem menos. E é por isso que, no escuro das vossas almas, se queixam silenciosamente de que nada muda nas vossas vidas. Porquê? Porque tentaram controlar a força que tudo transforma, de modo que as vossas vidas pudessem continuar sem grandes desafios.”

terça-feira, 25 de maio de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello

Pág.191

“Que experiência? Viver como ser humano e como divindade. Passar da tensão ao relaxamento. Do relaxamento, ao transe. Do transe ao contacto mais intenso com as pessoas. (…)

Não é nada fácil – principalmente porque exige um amor incondicional, que não teme o sofrimento, a rejeição, a perda.

Mas, para quem bebe uma vez desta água, é impossível voltar a matar a sua sede noutras fontes.”

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello


Págs.182 e 183

“Ninguém parecia dar muita importância ao assunto, até que encontrei François Shepka, um psicólogo indiano (…) que estava a começar a revolucionar as terapias actualmente em voga: segundo ele, esta história de voltar à infância para resolver os traumas nunca tinha levado o ser humano a lado nenhum – muitos dos problemas que já tinham sido superados ao longo da vida acabavam por regressar, e as pessoas adultas voltavam a culpar os seus pais pelos seus fracassos e pelas suas derrotas. (…) Disse que segundo um dos mais respeitados psicanalistas da História, o suíço Carl Gustav Jung, todos nós bebemos de uma mesma fonte. Chama-se “a alma do mundo”; embora tentemos ser indivíduos singulares uma parte da nossa memória é igual.

(…)

Jung costumava classificar o progresso individual em quatro etapas: a primeira era a Persona – a máscara que usamos todos os dias, para fingir quem somos. Acreditamos que o mundo depende de nós, que somos óptimos pais e que os nossos filhos não nos compreendem, que os patrões são injustos, que o sonho do ser humano é não ter de trabalhar (…). Muitas pessoas dão-se conta de que alguma coisa está errada nesta história: mas como não querem mudar absolutamente nada, acabam por afastar rapidamente o assunto das suas cabeças. Muito poucas tentam perceber o que é que está errado, acabando estas por encontrar a Sombra,

A Sombra é o nosso lado negro, que dita como devemos agir e comportar-nos. Quando tentamos livrar-nos da Persona, acendemos uma luz dentro de nós, e conseguimos ver as teias de aranha, a cobardia, a mesquinhez. A Sombra está ali para impedir o nosso progresso – e geralmente consegue, voltamos rapidamente a ser quem éramos, antes de duvidar. Contudo, alguns sobrevivem a este embate com as suas teias de aranha, dizendo: “Sim, tenho uma série de defeitos, mas sou digno, e quero ir adiante.”

Nesse momento, a Sombra desaparece, e entramos em contacto com a Alma.

Por alma, Jung não está a definir nada religioso; fala de um regresso à tal Alma do Mundo, fonte do conhecimento. Os instintos começam a tornar-se mais aguçados, as emoções são radicais, os sinais da vida são mais importantes do que a lógica, a percepção da realidade já não é tão rígida. Começamos a lidar com coisas às quais não estamos acostumados, passamos a reagir de maneira inesperada até para nós próprios. E descobrimos que se conseguirmos canalizar todo este jorro de energia contínua, vamos organizá-lo num centro muito sólido (…).”

domingo, 23 de maio de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello

Pág.168

“ – E o maior mérito não é daquele que oferece, mas do que recebe sem se sentir devedor. O homem dá pouco quando apenas dispõe dos bens materiais que possui; mas dá muito quando se entrega a si próprio.”

sábado, 22 de maio de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello

Págs.160 e 161

“É evidente que algumas mulheres dizem: “Eu não vou lavar pratos, os homens que os lavem.” Pois eles que lavem se quiserem, mas não veja nisso uma igualdade de direitos. Não há nada de errado em fazer coisas simples – embora, se amanhã eu publicasse um artigo com tudo o que penso, me criticassem certamente por estar a lutar contra a causa feminina.

Que parvoíce! Como se lavar pratos, ou usar sutiã, ou abrir e fechar portas fosse algo que humilhasse a minha condição de mulher. Na verdade, eu gosto quando um homem me abre a porta: nas regras de etiqueta está escrito “ela precisa que eu faça isso, porque é frágil”, mas na minha alma está escrito “sou tratada como uma deusa, sou uma rainha.”

Eu não estou aqui para lutar pela causa feminina, porque tanto os homens como as mulheres são uma manifestação da Mãe, a Unidade Divina. Ninguém pode ser maior do que isso.

Adorava poder vê-la dar aulas sobre o que está a aprender; esse é o objectivo da vida –a revelação! Você transforma-se num canal, ouve-se a si própria, surpreende-se com o que é capaz. Lembra-se do trabalho no banco? Talvez nunca tenha percebido, mas era a energia a fluir pelo seu corpo, pelos seus olhos, pelas suas mãos.

Podia dizer-me: “Não é bem assim, era a dança.”

A dança funciona simplesmente como um ritual. O que é um ritual? É transformar o que é monótono em algo que seja diferente, ritmado, e que possa canalizar a Unidade. Por isso é que eu insisto: seja diferente até a lavar pratos. Mexa as mãos de modo a nunca repetir o mesmo gesto – embora mantenham a cadência.”

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello

Pág.159

“Tente sentir-se bem quando achar que é a última das criaturas. Não acredite que está mal: deixe que a Mãe possua o seu corpo e a sua alma, entregue-se através da dança e do silêncio, ou das coisas mais banais da vida – como levar o filho à escola, preparar o jantar, ver se a casa está bem arrumada. Tudo é adoração – se estiver com a mente concentrada no momento presente.”

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello

Pág.149

“E não me surpreende que cada vez mais pessoas se interessem pelas tradições pagãs. Porquê? Porque o Deus Pai é sempre associado ao rigor e à disciplina do culto. A Deusa Mãe, pelo contrário, mostra a importância do amor acima de todas as proibições e tabus que conhecemos.

O fenómeno não é novidade; sempre que a religião intensifica as suas normas, um grupo significativo de pessoas tende a ir em busca de mais liberdade através do contacto espiritual. Isto aconteceu durante a Idade Média, quando a Igreja Católica se limitava a criar impostos e a construir conventos luxuosos; como reacção, assistimos ao surgimento de um fenómeno chamado “feitiçaria”, que, apesar de reprimido por causa do seu carácter revolucionário, deixou raízes e tradições que conseguiram sobreviver durante todos estes séculos.

Nas tradições pagãs, o culto da natureza é mais importante que a reverência aos livros sagrados; a Deusa está em tudo, e tudo faz parte da Deusa. O mundo é apenas uma expressão da sua bondade. Existem muitos sistemas filosóficos – como o taoísmo ou o budismo – que eliminam a ideia da distinção entre o criador e a criatura. As pessoas já não tentam decifrar o mistério da vida, e sim fazer parte dele; também no taoísmo e no budismo, mesmo sem a figura feminina, o princípio central afirma que “tudo é uma só coisa.”

No culto da Grande Mãe, o que chamamos “pecado”, geralmente uma transgressão de códigos morais arbitrários, deixa de existir; o sexo e os costumes são mais livres, porque fazem parte da natureza, e não podem ser considerados como frutos do mal.

O novo paganismo mostra que o homem é capaz de viver sem uma religião instituída, e ao mesmo tempo continuar a busca espiritual para justificar a sua existência. Se Deus é mãe, então só é preciso reunir-se a adorá-la através de ritos que tentam satisfazer a sua alma feminina – como a dança, o fogo, a água, o ar, a terra, o canto, a música, as flores, a beleza.”

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Paulo Coelho – A Bruxa de Portobello

Pág.144

“(…) tentar, sempre que possível, fazer algo que não esteja de acordo com a realidade que nos rodeia.

(…)

Eu tinha a certeza absoluta de que ela me ia ouvir, principalmente porque fazia parte do tipo de pessoas que nunca renuncia a um desafio.

- Ensine as pessoas a serem diferentes. Só isso! – gritei, enquanto o táxi se afastava.

Isso é alegria. Felicidade seria estar satisfeita com tudo o que já tinha: um amor, um filho, um emprego. E Athena, da mesma forma que eu, não nasceu para esse tipo de vida.”