sábado, 4 de abril de 2009

SPOOK - Parte VII




Pág. 45

"Leeuwenhoek não inventou o microscópio, nem tinha formação de cientista. o holandês trabalhava como empregado de um retroseiro e, mais tarde, como camareiro (...). O cargo deixava-lhe bastante tempo para ocupações de tempos livres, mas ele tinha apenas uma: polir lentes e construir microscópios. Os microscópios que Leeuwenhoek construiu eram superiores aos do principal fabricante da altura, e rapidamente passaram a ser requeridos pela Royal Society of London (...). Com o passar do tempo, a Royal Society começou também a publicar as cartas de Leeuwenhoek sobre as suas descobertas, e, com isso, ele estava a caminho da sua carreira histórica, embora não remunerada, enquanto fundador da Microbiologia."

SPOOK - Parte VI


Pág.45

"Harvey é mais conhecido por ter descoberto que o sangue circula num sistema fechado de artérias e veias, uma proeza que conseguiu ao dissecar cadáveres, incluindo o da sua irmã. Ficará aliviado por saber que, para o seu trabalho pioneiro em reprodução, Harvey deixou as mulheres em paz. Neste campo, virou-se para um grupo de veados que passavam, sempre cautelosos, pelos terrenos do seu patrão, o Rei Carlos I. Enquanto estudante dos ensinamentos de Aristóleles, harvey esperava encontrar o coágulo indispensável quando dissecou o útero de um veado. Ficou surpreendido por encontrar, em vez disso, as origens de um pequeno veado, embriões e fetos revestidos por sacos que ele, erradamente, identificou como ovos. O ovo, acreditava Harvey, continha os predicados de "tudo o que está vivo". O esperma foi despromovido para o papel de uma espécie de "contágio", que daria origem à geração humana como um vírus a uma constipação.

E como é que a força huma, a alma, entra para o ovo? Aqui, a ciência abandonou Harvey e ele recorreu à religião: "é um dom... atribuído pelos céus, pelo Sol ou pelo Deus Todo-Poderoso".

Como a maioria dos biólogos da sua altura, Harvey estava limitado pelo seu equipamento. Não podia ver o que acontecia ao nível celular. Não podia ver o esperma. Tinha uma lupa, mas do que ele necessitava era de um microscópio."

sexta-feira, 3 de abril de 2009

SPOOK - Parte V


Pág.42

"Os cientistas sempre suspeitaram que a geração humana estava relacionada com ovos - toda a gente que possuía uma galinha suspeitava deste facto - e sabiam também que estava relacionado com relações sexuais e semen, mas não estavam esclarecidos quanto às suas especificidades. Isto acontecia sobretudo porque não podiam ver as especificidades. (...)

Isto significa que há seis milhares de anos havia imensa especulação interessante sobre a criação de novos seres humanos. Uma das primeiras e mais especulativas foi realizada por Aristóteles. O sábio grego (...) decidiu que o sémen humano providenciava a alma do novo indivíduo. Naquele tempo, o espírito era visto como um tipo de vapor ou de sopro, o que estabelecia uma ligação óbvia entre a respiração e o estar vivo. Daí o nome de Aristóteles para o espírito: pneuma, que significa vento em grego. Ele acreditava que era este pneuma que, transportado no sémen, orquestrava a criação de um potencial ser humano. Ao chegar ao interior do útero, o pneuma poria mãos ao trabalho e começaria a construir uma nova vida, a partir dos materiais que tinha à mão: sangue menstrual (...). Aristóteles descreveu o processo como um tipo de coagulação, utilizando a perspicaz, senão pouco elegante analogia de uma coalheira de um queijeiro de solidificar leite. Eram necessários sete dias para a nova identidade se "estabelecer" na altura em que o pneuma se infundiria com a primeira de três eventuais almas. Esta alma vegetativa, como era designada, era uma espécie de alma inicial, uma licensa de aprendizagem ara a existência humana. Tratava-se de uma coisa que come e cresce: algo mais do que uma batata, mas menos do que um ser humano.

Ao quadragésimo dia, teorizou Aristóteles, o proto-humano, transformar-se-ia naquilo que ele designou como alma sensitiva. Para ele "sensitivo" queria dizer "relacionado com os sentidos", uma vez que os órgãos sensitivos do embrião começam a surgir após quarenta dias. Depois de uma quantidade de tempo não especificada ter passado, o pneuma permitiria à alma sensitiva, recentemente criada, ascender a uma alma racional. (...)

E era basicamente nisso que as pessoas acreditavam há dois mil anos atrás, depois de Aristóteles ter transmitido a palavra. O homem que promoveu o ovo ao papel de liderança no procedimento foi um físico inglês do século XVII, William Harvey."



SPOOK - Parte IV

Págs. 34 e 35

"Costumava pensar que as pessoas na Índia acreditavam na reencarnação do mesmo modo que os cristãos acreditam no paraíso: de forma mais ou menos abstracta. A maioria dos cristãos não espera ocupar um lugar numa nuvem após a sua morte, mas acredita na possível existência de um sentido abstracto da vida para além da morte, como um local cujo conforto ou a falta de algo depende do comportamento tido na Terra. Por outras palavras, a crença traduz-se num sentido vago e geral de que há uma recompensa no futuro para aqueles cujo comportamento foi exemplar.

A minha opinião começou a mudar depois de passar uma tarde por entre as páginas de The Ordinances Of Manu, um tomo do código legal baseado nas escrituras Vedas, datado de 500 dC. A legislação inclui tudo, desde a lei criminal, (se um homem da classe mais baixa cuspir para um homem de alta linhagem, "o rei deverá ordenar que os seus lábios sejam cortados; se urinar para cima dele, o seu pénis e se largar gases para cima dele, as suas nádegas"), os códigos de saúde e de higiene ("algo debicado por pássaros, cheirado por uma vaca, espirrado ou contaminado por piolhos, torna-se puro ao atirar-se terra para cima dele") - e contempla, também, a reencarnação.

Na altura de Manu, a reencarnação não era tratada como um princípi religioso abstracto, mas sim como uma consequência legal concreta. (...) No código da testumunha 66 do capítulo XXII, consta: "há mesmo quem se torne um tipo de garça por roubar fogo, uma vespa por roubar um utensílio caseiro; poderá renascer como uma ave de capoeira jivijivaka aquele que rouba tecidos tingidos". Á semelhança destes casos, aquele que roubar seda, linho, algodão, uma vaca ou melaço, reencarna, respectivamente, como perdiz, sapo, maçarico-real, iguana ou um pássaro vagguda. A maior punição kármica fica reservada para aqueles que "desonram o sofá do guru". Não estou muito certa quanto ao verdadeiro significado desta afirmação, mas o meu palpite é que não estamos a falar literalmente de rasgar os estofos do sofá, dado o desgraçado do infractor da lei ser sentenciado a regressar "cem vezes como entranhas de relva, arbustos, videiras, animais que comem carne crua (...). Igualmente insensato é o caso de Brahman, que "abandonou os seus próprios princípios do que é correcto", pelo que deveria reencarnar enquanto "espírito de Ulkamuhka, um comilão de vomitado".

O ponto a que eu queria chegar, quando me distraí inevitavelmente com os julgamentos quixotescos de Manu, é que a reencarnação tem tradicionalmente sido aceite como uma faceta literal, e não alegórica, da vida. Os aldeãos que tenho conhecido esta semana não questionam se os mortos renascem mais do que qualquer um de nós questiona se os mortos se decompõem."

SPOOK - Parte III


Pág. 23

"As pessoas parecem não abordar a vida com a mesma tenacidade assustadora e preventora de riscos que nós. Começo a perceber por que é que, exceptuando a doutrina religiosa, o conceito de reencarnação possa ser tão popular aqui. A Índia rural parece um sítio onde a vida é levada com demasiada facilidade - acidentes, doenças infantis, pobreza, homicídio. Se existe a possibilidade de regressar, fará sentido preocuparmo-nos tanto com a partida?"

SPOOK - Parte II

Pág.13

"A moral da história é que a prova é uma fonte de informação enganosa, sobretudo quando se tenta provar algo inatingível. "

SPOOK, Mary Roach - Parte I




Pág.9

"Segundo as palavras do falecido Francis Crick, co-descobridor da estrutura do ADN e autor The Astonishing Hypothesis: The Scientific Search for the Soul, "Tu, as tuas alegrias e as tuas tristezas, as tuas memórias e as tuas ambições, o teu sentido de identidade pessoal e de livre vontade, não são mais do que um comportamento de um amplo conjunto de células nervosas e das moléculas a ela associadas".

Mas consegue prová-lo, Dr.Crick? Caso contrário não há nada melhor para mim do que as proclamações de Deus no Antigo Testamento. É apenas a opinião, ainda que sábia, de um tipo de cabelo branco, um excêntrico que sabe tudo. Mas eu procuro a prova. Ou a evidência de que algum tipo de consciência desincorporada persiste quando o corpo desampara a loja. Ou então que não persiste."

SPOOK

A Vida Depois Da Morte

Como a ciência analisa a alma. Um livro rigoroso e repleto de humor.






Sinopse:
O que acontece quando morremos? Apaga-se a luz e mais nada - o sono de mil anos? Ou parte da personalidade, o eu, persiste? Como será isso? O que farei o dia todo? Poderemos provar que existe uma alma ou uma vida depois da morte? Numa tentativa de encontrar respostas para estas e outras questões sobre o mistério da morte, a autora falou com todas as faces interessadas no misterioso percurso da alma: cientistas, místicos, psíquicos, médiuns, vigaristas, etc., todos a tentar provar (ou não) que a vida continua depois da nossa morte. Este é um livro para as pessoas que gostariam muito de acreditar numa alma e na vida depois da morte, mas que têm dúvidas em aceitarem estas questões apenas por fé.