domingo, 28 de fevereiro de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Amar


Pág.85

“Se você se mantiver fiel ao amor, manter-se com uma pessoa é uma das mais belas coisas, porque a intimidade cresce.”

“Mas se é possível, se você ama alguém e vive toda a sua vida com ele ou ela, uma grande intimidade crescerá e o amor terá revelações cada vez maiores a fazer-lhe. O que não é possível se você mudar continuamente de parceiro. É como se você estivesse a mudar uma árvore de um sítio para outro e outro; então as suas raízes não crescem em lado nenhum. Para as raízes se desenvolverem, a árvore precisa de se manter num lugar. Então, torna-se mais profunda então torna-se mais forte.”

“A intimidade é boa e manter um compromisso é belo, mas a necessidade básica é o amor. Se uma árvore estiver enraizada num sítio onde só existem rochas e elas estão a matar a árvore, então é melhor removê-la. Então, não insista que deve permanecer num só local. Mantenha-se verdadeiro para com a vida – retire a árvore, porque agora está a ir contra a vida.”

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Ser um Buda


Pág.84

“Se quiser tornar-se um buda, então não receie o sexo. Mova-se até ele, conheça-o bem, esteja cada vez mais alerta para ele. Seja cuidadoso; é uma energia altamente valiosa.”

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Amit Goswami - A Física da Alma, O Livro Tibetano dos Mortos está certo, cabe a nós comprová-lo!

Voltando ao meu preconceito contra livros dos mortos, minha inquietude durou até Maio de 1994, mais de um ano depois que meu amigo Hugh Harrison se dispôs a estudar comigo a nova física. Eu sabia que, no começo da década de 1980, Hugh e sua falecida esposa, Ruth, fizeram uma exposição chamada Continuum Center, em Bandon, Oregon, que basicamente promulgou a idéia da morte e da vida como uma viagem contínua. De vez em quando, Hugh falava disso e de suas idéias sobre a reencarnação; ele dizia que, se existe vida após a morte, como no cristianismo, então, por simetria, deve existir vida antes da vida. Hugh era simpatizante do movimento da Teosofia no Ocidente, que Madame Helena Blavatsky fundou há mais de 125 anos. Os teosofistas consideram a reencarnação um dos princípios básicos da realidade (Blavatsky, 1968; Judge, 1973). Mesmo assim, eu era bastante evasivo quanto a essas
idéias. Na primeira semana de Maio de 1994, porém, aconteceu algo inesperado. Inesperado e inesquecível. Fui inundado por trabalhos que, na maioria, consistiam em dar acabamento a velhas idéias para publicação, em escrever réplicas etc. A criatividade não estava presente em minha vida, e a vida parecia ter perdido o rumo novamente. Isso me deixou, certa noite, em um estado de rara sonolência. Estava assistindo a um programa de tevê chamado Picket Fences, um episódio que tratava dos problemas éticos da morte. Fui
dormir com um peso no coração, algo que quase esquecera. Mas, pela manhã, em um estado de devaneio, semi-acordado, senti-me muito leve, e o primeiro vislumbre de que o Livro Tibetano dos Mortos estava certo e era útil começou a se formar no céu de minha mente onírica. Na verdade, era mais do que um vislumbre: era um aviso que dizia claramente: "O Livro Tibetano dos Mortos está correto; cabe a você provar isso". Como era sábado, pude me manter em um estado criativo durante quase todo o dia, e, nesse período, algumas novas idéias sobre a morte e a reencarnação como uma teoria científica começaram a ganhar forma. O que proporcionou a luz para poder enxergá-las foi a física quântica. A idéia fundamental que me chamou a atenção foi, em grande parte, a não-localidade quântica. "

Amit Goswami - A Física da Alma, O Livro Tibetano dos Mortos está certo, cabe a nós comprová-lo!

"De todos os livros dos mortos, o Livro Tibetano dos Mortos é notável como um retrato da vida e da morte humanas, formando um continuum de experiências de aprendizado. Neste retrato, há passagens que os tibetanos chamam de bardos e que conduzem a pessoa a estados da vida, enquanto outras correspondem a portais para estados do pós-morte. Este modelo vê a vida e a morte como uma série contínua de transições ("há morte na vida, há vida na morte"). Havia uma história em quadrinhos, nos jornais, chamada B.C., na qual uma quiromante, analisando a palma da mão de um cliente, exclamou: "Espantoso! Nunca vi uma linha da vida que formasse um círculo completo!" E o cliente respondeu: "Acredito em reencarnação". Ele também poderia ter dito: "Acredito no Livro Tibetano dos Mortos".

Antes de entrarmos na descrição dos bardos, seria útil falar um pouco da metafísica budista. Na verdade, a metafísica é a mesma do idealismo monista, sobre a qual já falamos, mas com nomes diferentes. Assim, a consciência como base da existência é chamada, no budismo, de dharmakaya; o reino transcendente dos arquétipos é chamado de sambhogakaya; finalmente, o reino manifestado da experiência, de nirmanakaya. O primeiro bardo é o nascimento; o segundo é a existência, entre a infância e a vida adulta, até o instante antes da morte, que é o terceiro bardo. No quarto bardo, principia-se a jornada pela morte; é o início de uma série de oportunidades para a alma (o "si-mesmo" sobrevivente) que sai do corpo. No quarto bardo, a clara luz de consciência pura (dharmakaya) aparece. Se a alma percebe a clara luz, liberta-se da roda do carma e não precisa mais reencarnar. O quinto bardo da morte estabelece um paralelo com o segundo bardo da vida; nele, a alma encontra primeiro os deuses pacíficos e, depois, os deuses irados — demônios ou asuras - que são formas do mundo arquetípico (sambhogakaya). A clara luz agora fica embaçada, e a percepção não leva
mais à libertação total da roda cármica do samsara (mundo manifestado), mas a um caminho nirvânico que conduz à libertação, na forma (não material) do sambhogakaya; deixar de perceber a luz leva ao sexto bardo, o caminho do samsara. O sexto bardo é o da reencarnação; o espírito perdeu as oportunidades que lhe foram dadas para se identificar com a consciência pura ou o mundo arquetípico transcendental de sambhogakaya. Tudo o que lhe resta é o caminho material do renascimento.


Dependendo do carma, ele agora renasce em um de seis lokas (lugares), que incluem o Céu, o Inferno e a Terra, até que sua dívida cármica seja paga ou seus créditos se acumulem.

Por coincidência, a descrição da transição pós-morte dos dois últimos bardos é bem parecida com a do hinduísmo, no qual as duas possibilidades do quinto bardo são chamadas de devayana, o caminho que leva aos deuses (retratado como uma estrada que leva ao Céu), e pitriyana, o caminho que leva ao Pai (retratado como uma estrada que se curva como um arco na direção da Terra).

Naturalmente, cresci ouvindo essas idéias, embora no contexto hindu, tendo encontrado o Livro Tibetano dos Mortos em uma época bem mais tardia da vida. Essas descrições pitorescas sempre provocaram reações negativas em meu eu científico e racional, mesmo quando jovem. A própria imagem dualista de uma alma sem um corpo vagando (onde?) por diversos caminhos de lugar algum não fazia sentido para mim. O fato de que alguém só poderia comprovar essas experiências caso encontrasse quem voltasse da morte para a vida causava ainda mais desconforto.

É interessante observar que a ciência moderna tem um conceito chamado de "buraco negro" — estado de uma estrela gigantesca que entrou em colapso sob sua própria gravidade, deixando no espaço um buraco singular —, que tem um "horizonte", além do qual tudo pode cair e nada consegue escapar. Assim, não é possível alguém voltar de um buraco negro para nos dizer como é lá dentro, mas tampouco é verdade que não possamos saber o que acontece com alguma coisa dentro desse horizonte. Sabemos disso porque temos uma teoria muito confiável, a teoria geral da relatividade, de Einstein, para nos informar.

Menciono tal aspecto porque o poder da teoria costuma ser subestimado em nossa cultura, mas, na moderna física teórica, "coisas" que não podemos constatar diretamente dão-nos previsões confiáveis, e sobre estas são elaboradas tecnologias bem-sucedidas. (É possível ver isto no caso da mecânica quântica: a idéia teórica de ondas transcendentais de possibilidade levou à tecnologia dos transistores.) Damos credibilidade também a essas teorias porque foram descobertas por meio de nossa criatividade."

Amit Goswami - A Física da Alma, Da morte à imortalidade

"As pessoas costumam questionar o sentido da vida, especialmente o sentido de suas próprias vidas. No esquema reencarnatório, começamos a ter um vislumbre das respostas às indagações sobre o sentido. Essas questões dizem respeito a nós mesmos, à nossa natureza pessoal e, de modo geral, à natureza de nossa consciência. Primeiro, exploramos tais questões no cenário exterior; isso constitui nossa fase materialista. Após muitas encarnações, quando as respostas não saem dessa maneira, voltamo-nos para dentro. No começo, a jornada interior se dá de maneira hesitante, sendo muito influenciada pelos padrões e hábitos adquiridos na jornada exterior. Gradualmente, porém, a compreensão começa a despontar. Então, subitamente, a compreensão final: não temos mais dúvidas, estamos libertados. Agora, estamos fora do ciclo nascimento-morte-renascimento; somos imortais. Se a compreensão final acontece durante a vida, após morrermos, nessa vez, não voltaremos mais. Se a compreensão ocorrer no momento da morte, também não voltaremos; será nossa morte final.

Em um dos Upanishads da Índia, há um hino:
Leve-me do irreal ao real
Leve-me das trevas à luz
Leve-me da morte à imortalidade

Libertação é a imortalidade a que este hino se refere. Ao desenvolvermos uma teoria científica da reencarnação, será este o tipo de imortalidade que deveremos explorar. Mas muitas pessoas, hoje e no passado, pensam na imortalidade de forma bem diferente — a imortalidade no corpo físico, a obtenção de um corpo físico que não morra jamais. Há, ainda, uma das principais características fundamentais do cristianismo — a ressurreição de Jesus. Como interpretar a ressurreição? Obviamente, a interpretação mais objetiva seria a ressurreição em um corpo físico (imortal?). A ciência pode embasar a idéia da imortalidade física ou da ressurreição após a morte em um corpo físico imortal? A ciência chegará a se preocupar com esse tipo de questão?

A resposta deste autor é "sim", embora o embasamento lógico beire a especulação. Todavia, pensemos a que distância a ciência chegou. Não faz muito tempo, até a consciência era vista como a questão "difícil" da ciência. Mas, quando fazemos ciência sob o primado da consciência, a ciência
encontra nova clareza e poder (o poder da causação descendente) e, com este novo poder, novas respostas podem ser procuradas e encontradas. O leitor verá."

Amit Goswami - A Física da Alma, A alma e o quantum

"O que acontece após a morte? O filósofo chinês Confúcio disse:
Quer saber da Morte?
Bem, pouparei meu fôlego.
Quando você conhecer a Vida, e só então,
Tornaremos a falar da Morte.


Sobre um aspecto, Confúcio está certo. Enquanto não morrermos, não teremos praticamente nenhuma chance para confirmar empiricamente aquilo que acontece após a morte. Hoje, muitas pessoas relatam experiências de quase-morte em situações nas quais "morreram" brevemente, de certo modo, mas foram revividas com a restauração dos batimentos cardíacos ou algum outro método. Contudo, essas propaladas experiências não ocorrem propriamente no estado de pós-morte.

Entretanto, será que devemos depender do empirismo estrito para formar uma ciência? É lógico que quaisquer conclusões que tirarmos acerca da sobrevivência após a morte e da reencarnação vão depender, em grande parte, da teoria, da intuição ou de lampejos vivenciais, e de nossa própria criatividade. Dados empíricos vão ajudar, mas, na melhor das hipóteses, de maneira secundária. Mesmo assim, ainda será ciência, caso possamos comprovar experimentalmente algumas de suas importantes hipóteses, caso seja ela útil, caso possa ser usada para determinar um procedimento para a arte de se descobrir a natureza da morte e daquilo que acontece na morte. Existe uma arte de morrer que pode ser investigada com uma ciência?

Parece-nos que existe, sim. O mestre espiritual tibetano Sogyal Rinpoche (1995) lembra uma história da infância. Durante uma viagem, um lama ficou à morte. Como era costume, um ajudante quis chamar Rinpoche, que era o guru espiritual do sacerdote. Mas o lama disse que não seria preciso, que ele sabia o que fazer. Dizendo isso, fechou os olhos e morreu. O ajudante, porém, acabou chamando Rinpoche. Este deu uma olhadela no lama "morto" e disse carinhosamente: "Velho lama, não fique nesse estado... às vezes, podem surgir obstáculos". Então, diante dos olhos de um atónito Sogyal, o lama voltou à vida. E, assim, Rinpoche orientou o lama no processo da morte consciente. O famoso Livro Tibetano dos Mortos foi escrito exatamente para orientar os moribundos.

Podemos desenvolver uma ciência para compreendê-lo? O próprio Dalai Lama, ninguém menos, escreveu: "A morte proporciona um ponto de encontro entre o budismo tibetano e as modernas tradições científicas. Acredito que ambos terão muito a contribuir mutuamente quanto ao nível de compreensão e de benefícios práticos." Eu concordo com ele. Este livro apresenta a integração da arte milenar e da ciência moderna, especificamente das idéias do Livro Tibetano dos Mortos e da Física Quântica.

Lidar com a morte envolve tanto ciência quanto arte, mas nenhuma delas é completamente objetiva. A literatura e os dados que podemos apresentar dão idéias para que se comece a pensar, mas o indivíduo é que determina o rumo do pensamento. A verdadeira importância desta análise é permitir que cada um descubra a verdade acerca da morte.

Se a intuição de tantas pessoas (e provavelmente a sua também, leitor, uma vez que está em contato com este livro) estiver correta e, de fato, reencarnamos, então a morte é o maior rito de passagem pelo qual chegaremos a passar. É por isso que algumas pessoas dizem que toda a vida é uma preparação para a morte. "A resposta à vida humana não pode ser
encontrada dentro dos limites de [uma] vida", disse o psicólogo Carl Jung.

Quando compreendemos isso em nossos corações, vemos que a morte faz parte do maior de todos os processos criativos.

O processo criativo tem quatro estágios: preparação, incubação, insight e manifestação. A preparação consiste em rever o que é conhecido, organizando o trabalho de base para o insight criativo. A incubação é o processamento inconsciente — o processamento sem a ajuda da percepção. Enquanto a preparação envolve esforço, o processamento inconsciente ocorre sem esforço consciente, mas não é sono. Esses dois estágios se entrecruzam, alternando
esforço e relaxamento — alternando o fazer e o não-fazer, se o leitor preferir. Insight é o surgimento da nova idéia, a mudança de contexto. É um salto quântico de pensamento — uma transição descontínua do pensamento, sem a passagem pelos estágios intermediários (Goswami, 1996 e 1999). A manifestação consiste em produzir a transformação exigida pelo insight.

Será que a vida, pois, é a preparação para a morte? Seria mais correto dizer que a vida compreende dois estágios iniciais — preparação e incubação — da descoberta criativa da natureza da realidade pós-morte. O momento da morte detém a possibilidade de insights acerca da realidade, bem como da manifestação do insight. Deve-se pensar em tal possibilidade: com este insight, dependendo de sua profundidade, podemos escolher aquilo que acontece conosco após a morte — a manifestação de nosso insight. E, se não surgir o insight desta vez, então deverá se buscar mais processamento inconsciente, mais preparação etc, até que se consiga.

Logo, ao escolhermos como morrer, decidimos individualmente, caso a caso, aquilo que acontece após a morte. Esse cenário altera toda a nossa orientação para a morte, não é mesmo? As pessoas dizem, com certa razão, que a morte é como o sono, que é um grande sono. Afirmo que há uma possibilidade maior. Algumas pessoas, de espiritualidade mais elevada, vivenciam estados semelhantes ao sono chamados nirvikalpa samadhi, nos quais, embora como o sono, não existe a experiência da cisão sujeito-objeto; há um processamento inconsciente, que dá origem a insights criativos a respeito do "despertar". Por isso, a escolha é sua. Você quer morrer e entrar em um grande sono, para que, ao "acordar" na próxima encarnação, você seja virtualmente como era antes? Ou prefere morrer e entrar em um grande samadhi para que, na próxima encarnação, haja um novo você — o resultado de um insight criativo?

Amit Goswami - A Física da Alma, A alma e o quantum

E não se pense que a possibilidade seja menos verdadeira que a realidade; pelo contrário. O que é potencial pode ser mais real do que aquilo que é manifestado, pois a potencialidade existe em um domínio atemporal, enquanto qualquer realidade é meramente efêmera: ela existe no tempo. É assim que pensam os orientais, é assim que pensam místicos do mundo todo, e é assim que pensam físicos que ouviram a mensagem da física quântica.

Será que a "magia" quântica — estar em dois lugares ao mesmo tempo, causação descendente, saltos quânticos e conexões não locais —, que é tão poderosa e clara no âmbito submicroscópico, estende-se ao nosso macromundo de experiências? A idéia revolucionária mais recente é que nosso cérebro envolve processamento quântico em todos os casos de observação em que esta seja uma mensuração quântica. O cérebro responde a um estímulo, apresentando um conjunto de possibilidades quânticas macroscopicamente distinguíveis (uma onda de possibilidades), e uma delas precipita como o evento experimentado quando a consciência assim o decide.
Aqui, já se pode ver parte da metáfora certa para a física quântica da alma. Enquanto o corpo físico, vivo, representa possibilidades que sempre precisam se manifestar como uma estrutura localizada, com início finito e término finito, a alma representa possibilidades, potencialidades, sem uma estrutura localizada na manifestação. Como potencialidade transcendental sem a fixação de manifestação local no tempo e no espaço, ela transmigra (ou seja, é experimentada não localmente) de uma encarnação, em uma localidade e algum momento, para outra, em um ponto distinto do tempo e do espaço.

O conceito de alma despe-se de seus paradoxos cartesianos e dualistas, quando a imbuímos da dinâmica quântica e da causação descendente, como poderá ser visto; e a dinâmica quântica também lhe confere uma potencialidade inesperada, que nos permite perceber a validade dos ensinamentos esotéricos e explicar dados anômalos. É claro que há a importante questão de como a alma, vista como possibilidades quânticas sem estrutura, se recorda cumulativamente de cada uma de suas experiências encarnadas, mas não devemos nos preocupar. Esta é a questão que consegui resolver, e a resposta é uma das mais importantes partes deste livro.

No Bhagavad Gita, Krishna diz a Arjuna: "Tanto você como eu reencarnamos várias vezes antes. Eu me lembro, você, não". Na Índia, os sábios dizem que a libertação traz à tona a memória de encarnações passadas e elimina o medo da morte. Todavia, este modo de lidar com o medo da morte é árduo, e acessível a apenas alguns indivíduos em cada era.

Creio que uma ciência da reencarnação, firmemente implantada e baseada na idéia de uma alma que transmigra, no contexto de uma nova dinâmica quântica tão convincente quanto satisfatória (como o leitor verá!), vai diminuir o medo que temos da morte. Assim, a morte será aceita como parte da vida, e não tentaremos negá-la freneticamente. A descoberta de um profundo significado no fenômeno da morte também trará sentido para nossa exploração da vida. Podendo viver na plenitude, veremos a morte como moldura para uma oportunidade criativa, como um passo necessário para a renovação da vida."

Amit Goswami - A Física da Alma, A alma e o quantum

"Mas, se nós mesmos nada somos senão possibilidades materiais, como nossa observação pode reduzir ondas de possibilidade? A interação de possibilidade com possibilidade só gera possibilidades mais complexas, nunca uma realidade. Assim, se só existisse a causação ascendente no mundo, o colapso quântico seria um paradoxo. Na interpretação correta e livre de paradoxos da física quântica, a causação ascendente só é capaz de produzir ondas materiais de possibilidade para a escolha da consciência (não material), e a consciência tem o poder supremo, chamado de causação descendente, de criar a realidade manifestada por meio da livre escolha dentre as possibilidades oferecidas. A consciência não é mais vista como um epifenômeno do cérebro, mas como a base da existência, na qual todas as possibilidades materiais, inclusive o cérebro, estão incrustadas.

Objetos quânticos podem dar um salto descontínuo — agora ele está aqui, depois ali; esse salto é chamado de salto quântico. Um átomo emite luz quando um elétron dá esse salto quântico de um estado energético atómico superior para um inferior. É possível observar a natureza radical desse salto quântico se o visualizarmos como o elétron que pula de uma órbita superior, em torno do núcleo atómico, para outra inferior, sem viajar pelo espaço entre as órbitas.

De modo análogo, a causação descendente é descontínua sob todos os aspectos possíveis: causalmente (não podemos atribuir a ela uma causa precisa), mecanicamente (não podemos criar um modelo matemático para ela), algoritmicamente (a matemática não se aplica a ela) e logicamente (sua lógica é circular: o observador é essencial para que ocorra o colapso, mas tal observador é apenas possibilidade antes da ocorrência do colapso).

Sabe-se, experimentalmente, que objetos quânticos, quando correlacionados de modo adequado, influenciam-se mutuamente de forma não local, ou seja, sem sinais pelo espaço e sem que decorra um tempo finito. Portanto, objetos quânticos correlacionados devem estar interligados em um domínio que transcende o tempo e o espaço. Não-localidade implica transcendência. Decorre disso que todas as ondas quânticas de possibilidade situem-se em um domínio que transcende tempo e espaço, ao qual vamos chamar de domínio da potencialidade transcendente, usando uma expressão de Aristóteles, adaptada por Werner Heisenberg. "

Amit Goswami - A Física da Alma, A alma e o quantum

"O que sobrevive? Será que aquilo que sobrevive reencarna de um modo que podemos chamar de verdadeiro continuum — nascimento - morte - renascimento, e assim por diante? Durante um período intenso de pesquisas, que durou aproximadamente um ano, encontrei minha resposta. Existe uma "alma" que sobrevive à morte do corpo físico e que, efetivamente, reencarna em outro corpo, formando um continuum. Ora, essa conversa faz sentido para uma ciência baseada na consciência, mas só se pensarmos na alma em termos do quantum.

A situação é similar àquela que aconteceu no final do século XIX. Os físicos descobriram que pensar em matéria e luz, da velha maneira newtoniana — ou seja, que a matéria está sempre localizada, viajando segundo trajetórias bem definidas, e a luz é sempre semelhante a uma onda, dispersa, capaz de estar em mais de um lugar ao mesmo instante —, trouxe-lhes anomalias e paradoxos. Eles descobriram um novo modo de pensar — o modo do quantum.

A palavra quantum significa "uma quantidade discreta". Por exemplo, um quantum de luz, chamado de fóton, é uma quantidade discreta e indivisível de energia, um feixe de energia localizada. Admitir que a luz tem uma natureza de partícula além da natureza de onda, mais familiar, e que a matéria tem uma natureza de onda além de sua natureza mais familiar, de partícula localizada, eliminou as anomalias e paradoxos que mencionei antes.

Assim, a importância da palavra quantum vai bem além do discreto. A dinâmica quântica confere um poder inesperado, quase mágico, a objetos do domínio submicroscópico. O que significa dizer que a matéria tem natureza de onda e, por isso, pode estar em mais de um lugar ao mesmo tempo? Se isso parece paradoxal, o paradoxo se resolve quando se percebe que as ondas da matéria são ondas de possibilidades (tecnicamente representadas por funções matemáticas chamadas "funções de onda"); elas estão em dois lugares (ou mais) ao mesmo tempo apenas em possibilidade, apenas como a superposição das duas (ou mais) possibilidades. Objetos quânticos existem como superposição de possibilidades até que nossa observação cause a realidade da potencialidade, gerando um evento real e localizado dentre os diversos eventos possíveis. Se uma possibilidade em particular tem uma grande chance de se tornar real, graças à observação, então a onda de possibilidade também é forte; quando a onda é fraca, é pequena a probabilidade de que sua possibilidade correspondente se torne real.

Um exemplo ajuda a esclarecer a questão. Suponha que liberamos um elétron dentro de um recinto. Em instantes, a onda do elétron se espalha pelo lugar. Agora, suponha que montamos uma rede de detectores de elétrons, chamados contadores Geiger, nesse recinto. Será que todos os contadores acusam alguma coisa? Não. Só um dos contadores detecta o evento. Conclusão? Antes da observação, o elétron efetivamente se espalhou pelo cômodo, mas apenas como uma onda de possibilidade. E a observação fez com que a onda de possibilidade se tornasse um evento real.

A mecânica quântica é um cálculo de probabilidades que nos permite analisar a probabilidade de cada possibilidade em dada situação dinâmica. A probabilidade gera a incerteza. Não podemos mais conhecer o paradeiro de um objeto com certeza. O movimento de objetos quânticos está sempre envolvido pela incerteza.

Antes de a física quântica ser compreendida adequadamente, uma metafísica materialista dominava a ciência — particulas elementares formam átomos, átomos formam moléculas, moléculas formam células, inclusive os neurônios, neurônios formam o cérebro e o cérebro forma a consciência. Essa teoria da causação é chamada de teoria da causação ascendente: a causa vai das partículas elementares, ou micro, até a consciência e o cérebro, macro. Não existe poder causal em qualquer entidade do mundo, exceto nas interações entre partículas elementares."

Amit Goswami - A Física da Alma, As idéias de reencarnação e de sobrevivência à morte são cientificas?

A alegoria da caverna de Platão deixa a situação clara. Platão imaginou que a experiência humana era um espetáculo de sombras: estamos em uma caverna e atados a cadeiras, por isso enxergamos sempre uma parede, sobre a qual a luz de fora projeta as sombras de formas arquetípicas ideais. Achamos que as sombras são a realidade, mas sua fonte está atrás de nós, nos arquétipos. No final das contas, a luz é a única realidade, pois tudo o que vemos é luz. No monismo baseado no primado da consciência, a consciência é a luz da caverna de Platão, os arquétipos constituem a realidade transcendente e o espetáculo das sombras é a realidade imanente.

Essa visão monista da realidade, à qual dou o nome de idealismo monista, é bastante antiga e constitui a base das grandes tradições espirituais do mundo, motivo pelo qual às vezes é chamada de filosofia perene. No cristianismo esotérico, a base da existência é chamada de Mente de Deus, o mundo arquetípico transcendental é o Céu e o mundo da experiência, a Terra. No passado, era limitada a aceitação científica desta visão, pois os idealistas não podiam explicar conceitos como transcendência e auto-referência (como alguém pode se dividir em um sujeito/ si-mesmo que pode se referir a si mesmo e objeto[s] separado[s] de si mesmo), em termos cientificamente acessíveis. O novo paradigma de uma ciência dentro da consciência, às vezes chamada ciência idealista, começou quando esses conceitos ganharam
credibilidade científica. Isso já foi tema de vários livros recentes, inclusive o meu (Goswami, 1993; Herbert, 1993).

É um verdadeiro progresso. Materialismo é metafísica pura; não há outro modo de constatar objetivamente que tudo, inclusive a mente e a consciência, surge da matéria. A filosofia perene dos antigos era o que podemos chamar de metafísica experimental, pois grandes mestres espirituais de todas as tradições sempre afirmaram ter constatado, de forma direta, que a existência se baseia em uma consciência ilimitada, transcendente e unitiva. Por outro lado, o idealismo monista — a filosofia perene do novo contexto da ciência dentro da consciência — não só é uma metafísica vivencial como experimental, pois, pelo menos em parte, suas idéias metafísicas podem ser comprovadas não apenas por experiências individuais e particulares, como por experimentos aos olhos do público.
Se o indivíduo foi criado na cultura ocidental, ainda bastante materialista, é provável que sua cosmovisão seja um estranho e confuso amálgama de materialismo (a supremacia da matéria) e dualismo interativo cartesiano (o mundo espiritual existe como um mundo separado e independente, feito de uma substância não material que, de certo modo, interage com o mundo material). Não faz muito, as pessoas tentavam provar a existência da alma, demonstrando (de maneira pouco convincente) que um corpo perde peso no momento da morte e violando, assim, o princípio da conservação de energia. Mesmo idealistas monistas confessos mostram-se vítimas da conversa dualista a la Descartes, quando discutem a morte e a reencarnação. Falam de se estabelecer a validade de fantasmas, de aparições, como objetos da mesma realidade física que uma cadeira ou uma árvore. Vejo uma cadeira porque ela reflete a luz para meus olhos. Será que um fantasma, na qualidade de ser não material e de outro mundo, emite um sinal ou reflete a luz, permitindo a meus olhos captá-la? Obviamente, não. Um desafio importante para nossa ciência dentro da consciência é remodelar a discussão dos fenômenos relacionados com a morte e a reencarnação, do ponto de vista monista. Este é o desafio que aceitei enfrentar neste livro. Se quisermos usar conceitos dualistas, será preciso encontrar explicações que não violem as leis da ciência; devemos conciliar esses conceitos em uma visão monista global.

Foi isto que consegui fazer."

Amit Goswami - A Física da Alma, As idéias de reencarnação e de sobrevivência à morte são cientificas?

"Será que essas discussões fazem sentido sob a análise científica de nossa época? Décadas atrás, a resposta teria sido obrigatoriamenteum sonoro "não", mas, hoje, não é bem assim. Um dos principais motivos é a existência de bons dados. Referi-me antes a dados relativos a memórias reencarnatórias espontâneas. Muitos desses dados, com alguns de seus aspectos já estudados, tratam de crianças que se recordam de vidas passadas. Foram obtidos muitos outros dados nas chamadas regressões a vidas passadas: sob hipnose, trauma, drogas ou técnicas especiais, as pessoas parecem recordar incidentes de outras vidas. (Para uma análise sucinta, leia Cranston e Williams, 1984.) E muitas das lembranças trazidas à tona foram corroboradas. Em muitos casos, a possibilidade de fraude foi eliminada. Mais importante ainda: as lembranças de outras vidas não são os únicos dados. Experiências de quase-morte — de pessoas que foram trazidas de volta de um estado de morte clínica — corroboram muito bem as descrições da realidade do pós-morte, pelo menos algumas de suas fases, encontradas nos
"livros dos mortos" das antigas culturas. (Um resumo desses livros pode ser encontrado em Grof, 1994.) Aqueles que passam por essas experiências de quase-morte dizem que ficaram fora de seus corpos, passaram por um túnel que leva a outro mundo, viram parentes falecidos há muito, seres espirituais luminosos etc.

Nas últimas décadas, a ciência deu início a uma necessária, mas inesperada reavaliação da sabedoria antiga. Enquanto a tendência geral da ciência, desde o século XVII, consistiu em manter um foco material, nas últimas décadas do século XX, a ciência começou a explorar a arena espiritual, antes marginalizada. Neste livro, vou demonstrar que o recém-nascido paradigma da
ciência é bem harmônico com idéias como Deus, alma, céu, inferno, carma e reencarnação — todo o "pacote", enfim.

Tais idéias são extremamente sutis quando formuladas e compreendidas de maneira adequada. Nossa tendência condicionada é pensar nelas de modo tosco, materialista. Por exemplo, a maioria das pessoas pensa no Céu como um lugar modelado segundo a Terra (como se pode ver nos filmes de Hollywood). As religiões populares costumam retratá-lo dessa maneira e, desde a infância, nós nos tornamos vítimas desse modo de pensar. Mas fica claro que o "outro mundo", caso exista, deve ser radicalmente diferente deste aqui.

A ciência moderna tem dado bastante apoio a uma visão monista de mundo — a de que existe apenas uma substância a formar a realidade. Caso existisse um mundo duplo de substância anímica, como ele poderia interagir com o mundo material? O que pode mediar tal interação? Evidentemente, nem a substância anímica nem a material podem agir como mediadoras. Além disso, será que essa mediação não envolveria a troca de energias entre os dois mundos? Sendo assim, a carga energética do mundo material acabaria mostrando excessos ou deficiências ocasionais, mas a verdade é que isso não ocorre. Que a energia do mundo material é uma constante é uma lei da física — a lei da conservação da energia. Portanto, a sabedoria científica, com razão, consiste em evitar o dualismo da interação (um legado do filósofo René Descartes) em nosso modo de ver a realidade; dualismo e ciência são como
óleo e água, não se misturam.

Assim, a velha ciência destes três últimos séculos nos ensinou que todos os fenômenos são fenômenos de coisas formadas por matéria. É um monismo baseado na idéia de que a matéria está na base de tudo o que existe. Em lugar disso, o novo paradigma postula um monismo baseado no primado da consciência — que a consciência (chamada de Espírito, Deus, Mente de Deus, Ain Sof, Tao, Brahman etc, nas tradições populares e espirituais), e não a matéria, é a base de tudo o que existe; um monismo baseado em uma consciência unitiva transcendente, mas que se torna muitas em seres sencientes como nós. Nós somos essa consciência. Todo o mundo da experiência, inclusive a matéria, é a manifestação material de formas transcendentais de consciência."

Amit Goswami - A Física da Alma, Reencarnação

"A idéia da reencarnação ocorre frequentemente no pensamento ocidental, fora de qualquer contexto religioso. Começando com Pitágoras e Platão, pessoas como David Hume, Ralph Waldo Emerson, Henry Thoreau, Benjamin Franklin e J. W. von Goethe acreditavam na reencarnação.

Escreveu Goethe:
A alma do homem é como água;
Vem do Céu
Ao Céu volta
E depois retorna à Terra,
Em eterna alternância.
(Em Song of the Spirits over the Waters, citado em Viney, 1993.)

E Franklin redigiu seu próprio epitáfio quando tinha apenas 22 anos:
O Corpo de B. Franklin,
Impressor,
Como a Capa de um Velho Livro
Ao qual Tivessem Arrancado as Páginas
E
Tirado as Letras e a Douração,
Jaz Aqui,
Comida para os Vermes.
Mas a Obra não terá sido Perdida,
Pois aparecerá Novamente, segundo Crê,
Numa Nova e Mais Elegante Edição,
Revisada e Corrigida
Pelo Autor.
(Citado em Cranston e Williams, 1984.)

O movimento teosófico, do qual a reencarnação é uma doutrina básica, ganhou ímpeto no Ocidente durante o século XIX porque a semente para a aceitação da reencarnação já estava presente. Em tempos mais recentes, pesquisas de opinião pública indicam que um número substancial de ocidentais, talvez da ordem de 25%, acreditam na reencarnação (Gallup, 1982). O filósofo C. J. Ducass disse que "a crença na continuidade da vida origina-se [em crianças] de forma espontânea". Os dados de que dispomos sobre memória reencarnatória espontânea mostram que, hoje, há muitos casos desse tipo no mundo ocidental (Stevenson, 1974). Se a reencarnação não é um tema limitado pela cultura, se é universal, então é natural perguntar se a idéia é científica."

Amit Goswami - A Física da Alma, Reencarnação

"Em Pós-Morte 100, aprendem-se os conceitos básicos, Deus, bem e mal, alma, céu e inferno. Em Pós-Morte 300, estudam-se a reencarnação, a roda do carma. Nesse estágio, são feitas perguntas que não teriam ocorrido no curso básico. Se existe vida após a morte, por que não vida
antes da vida? Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas? E a melhor de todas: como um Deus verdadeiramente justo e benevolente não dá a todos a boa vida no Céu?

Comparada a esses cursos, a idéia da libertação deve ser ministrada no nível 500. Só se entra nele após ter-se lidado com um monte de "carma-cola".
Passa-se para ele quando se fazem perguntas sobre a própria natureza da realidade e a relação do indivíduo com ela; quando se intui que o homem, o mundo e Deus não são separados e independentes um do outro. Alcança-se esse nível quando todo o mundo de seres sencientes torna-se uma família, e cada um deseja servir sua família de novas maneiras.

O filósofo Michael Grosso chamou o recente reaquecimento do interesse pela reencarnação na América de "formação espontânea de um mito da reencarnação". Todavia, trata-se de algo além da formação de um mito. Creio que passamos maciçamente do curso Pós-Morte 100 para o Pós-Morte 300. E alguns de nós já estão pensando seriamente no curso final.

Quando ocorre a transição para o curso seguinte? O filósofo Alan Watts explicou isso muito bem. Para Watts (1962), a roda do carma se assemelha a um parque de diversões. Inicialmente, como alma, o indivíduo se arrisca pouco; ele se apega à boa vida quando reencarna. Só depois é que percebe que terá mais oportunidades de aprendizado se passar pelos brinquedos mais arriscados — nascendo pobre (mas virtuoso) ou vivendo uma vida de percalços, mas criativa. Mesmo assim, o sofrimento supremo do tédio acaba intervindo; a idéia da ligação eterna com a roda do carma aterrorizará todos nós, mais cedo ou mais tarde. O cineasta Woody Allen, em Hannah e suas
irmãs, capta perfeitamente esse sentimento:

[...] Nietzsche e sua teoria do eterno retorno. Ele disse que a vida que vivemos será vivida repetidas vezes, do mesmo modo, até a eternidade. Que ótimo. Isso significa que terei de suportar o Holiday on Ice novamente. Não vale a pena. (Mencionado em Fischer, 1993.)

Quando nos sentimos assim, então podemos nos voltar para a idéia da libertação. Perceba que tanto a idéia cristã da eternidade no Céu como a idéia oriental de libertação se referem essencialmente ao estágio que podemos verdadeiramente chamar de imortalidade da alma — nada de novos nascimentos ou mortes. Aquele conceito (céu) é apenas uma versão meio simplificada da forma como chegamos lá — e omite os estágios intermediários. Por isso, não se pense que a reencarnação é um conceito totalmente oriental, importado apenas recentemente para o Ocidente. A reencarnação era uma parte aceita do judaísmo, sob o qual Jesus nasceu.

Muitos estudiosos dizem que, antes de 553 d.C., o cristianismo também aceitava a idéia da reencarnação. Afirmam, ainda, que, naquele ano, foi baixado um decreto pelo Quinto Concílio Ecuménico contra a idéia de que as almas reencarnam, embora outros especialistas no assunto digam que o referido concílio nunca chegou a promulgar oficialmente tal decreto. (Uma boa discussão sobre o tema pode ser encontrada em Bache, 1991, e MacGregor, 1978.)

Um bom número de estudiosos pensa também que a divisão acerca da reencarnação no Ocidente não reflete uma separação entre Ocidente e Oriente, mas uma seção entre as correntes esotéricas e exotéricas das religiões ocidentais. A reencarnação é aceita pelos sufis, o ramo esotérico do Islã. O judaísmo hassídico inclui a reencarnação, assim como os gnósticos e outras tradições místicas do cristianismo (Bache, 1991; Cranston e Williams, 1984). "

Amit Goswami - A Física da Alma, Reencarnação

"A imagem da alma que sobrevive no Céu ou no Inferno, após a morte, é mais ou menos a imagem apregoada pelas culturas judaico-cristãs. Outras culturas apresentam-na com diferenças. Às vezes — no Islã, por exemplo — as diferenças são pequenas. Outras tantas, porém, as divergências quanto à realidade pós-morte são radicais. Os hindus da Índia, os budistas do Tibete e de outras regiões (embora o conceito de alma no budismo seja bastante sutil), e muitos povos da China e do Japão, mesmo não sendo adeptos do budismo, acreditam em alma, céu e inferno, mas, para eles, a passagem pelo Céu ou pelo Inferno é apenas o começo da viagem. Céu e Inferno, nessas culturas, são residências temporárias, após o que a alma deve retornar à Terra. O tempo de permanência no Céu ou Inferno, que é transitório, depende do carma de cada um, um conceito de causa e efeito que compreende um registro de boas e más ações, mas com uma grande diferença.

Fazer o bem gera um saldo de carma positivo, e más ações aumentam o carma negativo em seu registro cármico — assim como no cristianismo. O carma negativo não é bem-vindo, obviamente; muitos chineses, por exemplo, supõem que, se suas ações terrenas forem realmente ruins, eles poderão voltar como ratos ou, até, como minhocas na próxima vida. Entretanto, mesmo o carma positivo não impede a roda de girar. Por maior que seja o saldo de carma positivo de cada um, a pessoa não pode permanecer para sempre na perfeição celestial; ela acaba voltando à imperfeição material. Deste modo, entra em jogo a sutil idéia de que nem o carma positivo é suficientemente bom.

Mesmo assim, todos se mantêm atados à roda do carma, o ciclo de reencarnações recorrentes. E diz-se que a roda cármica é o que conduz ao veículo do sofrimento.

O que pode ser melhor para o homem do que acumular carma positivo, fazendo o bem em todas as suas ações e experiências terrenas? Os conceitos hindu e budista dizem que existe um modo supremo e perfeito de viver, cuja descoberta nos retira da roda do carma. Os hindus dão-lhe o nome de moksha, que significa, literalmente, "libertação"; os budistas chamam-no de nirvana, traduzido, também de forma literal, como a extinção da chama do desejo.

Podemos usar a filosofia para explicar as diferenças entre os pontos de vista judaico-cristão e hindu/budista sobre aquilo que acontece após a morte. Em uma filosofia, o modelo específico de realidade pós-morte desenvolvido por uma cultura depende da condição material dessa cultura, se rica ou pobre. O propósito da religião é levar os indivíduos a viverem conforme o bem, e não segundo o mal. Se a cultura é materialmente pobre, as pessoas vivem na esperança de desfrutar uma vida boa após a morte. Se conhecessem a reencarnação, não hesitariam em ser más, de vez em quando, correndo o risco de um Inferno transitório. Haveria sempre uma próxima vida para serem boas.

Por isso, a idéia de um Inferno eterno é importante, pois mantém os fiéis na linha; já conhecem o Inferno, não o desejam para a eternidade. Nas sociedades ricas, por outro lado, o conceito de reencarnação pode ser revelado. Nas sociedades ricas, as pessoas vivem segundo um sistema de classes, no qual a maioria pertence a uma classe média. Se o indivíduo advém da classe média, então o pior que lhe pode acontecer é tornar-se pobre. Nesse caso, a ameaça da reencarnação funciona, pois o carma negativo não só acarreta o Inferno como também gera uma forma de vida inferior (uma classe inferior à atual, por exemplo) na encarnação seguinte. Foi o que aconteceu no sistema de castas hindu da antiga e opulenta Índia, onde floresceu o conceito de reencarnação. Hoje, as coisas na Índia estão mudando; a maioria das pessoas é pobre, e a idéia de reencarnação não é mais tão popular. Por outro lado, as sociedades ocidentais, com sua crescente riqueza, têm se tornado mais estratificadas. Não é à toa que a idéia de reencarnação tem conquistado espaço nessas sociedades.

Faz sentido."

Amit Goswami - A Física da Alma, O que sobrevive?

"Após a morte, quem somos nós? É claro que o lado pós-morte do indivíduo não pode ser uma entidade física ou corpórea. Assim, a idéia de uma alma incorpórea é popular. É a sua alma que sobrevive à morte de seu corpo, foi o que lhe disseram. E, após a morte, a alma vai para o Céu ou para o Inferno, dependendo da maneira como cada pessoa se sair no dia do seu julgamento.

As imagens que muitos fazem do Céu sugerem que, mesmo lá, alguns seres humanos esperam que seus egos se mantenham intactos, tal como nos filmes de Hollywood. Para essas pessoas, o ego é a alma. No entanto, podemos apresentar objeções a essa crença.

Como obtemos nosso ego-identidade? Naturalmente, as experiências que temos ao longo da vida modelam o ego. É bem provável que a memória dessas vivências seja preservada no cérebro físico. Além disso, as experiências em si (nutrição) não constituem a totalidade do desenvolvimento do ego; parece lógico que nossa dotação genética (natureza) tenha seu papel.

Mas tanto a memória genética como a cerebral são físicas. Com o desaparecimento do corpo e a subsequente decomposição dessas memórias físicas, será que o ego pode funcionar?

Outro argumento contra a alma como ego foi apresentado pelo psicólogo Charles Tart. Em 1990, Tart disse que o corpo e o cérebro são influências estabilizadoras de nossa identidade. Nos sonhos, por exemplo, perdemos a consciência do corpo físico, e veja o que acontece: nossa identidade pode vagar de um corpo onírico para outro muitas vezes, durante um sonho. Nossa identificação, pois, não é estável. Coisas semelhantes acontecem com a privação sensorial e o uso de drogas psicodélicas. A ego-identidade normal e estável que vivenciamos no estado de consciência ou vigília desaparece nesses estados alterados de consciência. Tart acredita que isso pode indicar como é o estado alterado de consciência que atingimos após a morte, a menos que haja outros processos de estabilização que ainda nos sejam desconhecidos.

Portanto, a natureza da alma, a natureza daquilo que sobrevive à morte, é uma questão difícil e controversa. Fica ainda mais controvertida, ainda mais intrigante, quando analisamos as imagens do continuum — a vida e a morte como uma continuidade — de muitas culturas. Não só algo sobrevive à morte, como esse algo retorna em outro corpo após outro nascimento, e assim por diante, dando continuidade ao processo."

Amit Goswami - A Física da Alma, Da Morte à Imortalidade

"O que é a morte? A resposta, a princípio, parece fácil: morte é o fim da vida, a cessação da existência. Mas... sabemos o que é a vida? Sabemos o que significa sua cessação? Não é muito fácil responder a essas perguntas, pelo menos não através da ciência.

A maioria das pessoas tem pouco interesse pelas definições que a ciência atribui à vida e à morte. Em 1993, após a publicação de meu livro, em que proponho um novo paradigma científico para a natureza da realidade, uma ciência baseada no primado da consciência, participei de um programa de rádio ao vivo. A primeira pergunta que me fizeram não foi sobre a natureza da realidade ou da consciência, e sim se existia vida após a morte. De imediato, fiquei surpreso; depois, dei-me conta de que, para muita gente, esta é a principal indagação acerca da realidade.

O que ocorre após a morte? No passado, essa pergunta deve ter sido feita a sacerdotes, ministros, gurus, mulas, rabinos, mestres zen ou xamãs. Uma questão que não era, nem de longe, considerada científica. Naqueles tempos, a ciência lidava com aspectos mundanos da vida, enquanto a religião era fonte de respostas para questionamentos que tocavam mais de perto as pessoas: como viver, o que acontece após a morte, como conhecer Deus, e outros tantos.

Contudo, muitos gurus de diversas religiões titubearam menos ao dar explicações. E as respostas, em sua maioria, eram simples (pelo menos, aquelas dadas pelas religiões organizadas). Deus é o imperador supremo do mundo, que está dividido entre bem e mal. Se a pessoa é "do bem", depois da morte irá para o Céu, um lugar de paz e beatitude, muito aprazível. Se, porém, ela segue o mal, a morte a lançará ao Inferno, que a envolverá em chamas, gases sulfúreos e sofrimentos. A mensagem da religião era: "seja bom". E se ser bom não é algo que mereça recompensas aqui, na Terra, trará compensações após a morte. Ora, nesta sofisticada era científica em que vivemos, esse tipo de resposta não satisfaz.

E você leitor, será que vai encontrar explicações sofisticadas e satisfatórias neste livro? Espero que sim. As respostas encontram-se baseadas em uma nova física, chamada física quântica, que, fundamentada na filosofia do primado da consciência, dá-nos uma janela visionária pela qual passam ventos frescos, trazendo novos esclarecimentos para velhíssimas indagações. As perguntas e respostas relativas àquilo que acontece após a morte são
apenas as mais recentes das descobertas desta nova ciência. Continue a ler.

Amit Goswami - A Física da Alma, Prefácio (cont.)

"Existe mesmo uma alma que sobreviva à morte e transmigra de um corpo para outro? Vou mostrar que, quando as idéias quânticas são incluídas em nosso modelo de consciência, no contexto da ciência idealista, há uma entidade semelhante à alma — que chamo de "mônada quântica" —, agindo como mediador da reencarnação. Será que a reencarnação é científica, como é viver e morrer? Examino as consequências da nova ciência da reencarnação sobre nossa cosmovisão, sobre a forma de morrer e de viver, e sobre como deveríamos entender nossa busca pela imortalidade. É possível desenvolver uma física da imortalidade? Sim, é, embora aspectos dessa física possam levar
décadas, talvez séculos, para ser confirmados e manifestados evolutivamente. Mesmo assim, sugiro que encontremos ânimo para tal empreendimento em alguns dados controvertidos que têm estado conosco há várias décadas — os dados sobre OVNIs."

Amit Goswami - A Física da Alma, Prefácio (cont.)

A nova ciência da reencarnação é um desdobramento de um novo paradigma da ciência, dentro do primado da consciência que tem se desenvolvido há algum tempo. Meu livro, "O Universo Autoconsciente": como a consciência cria o mundo material, sugere que todos os paradoxos e anomalias da física quântica podem ser resolvidos se basearmos a ciência na premissa metafísica de que a consciência, e não a matéria, é a base de toda a existência. Em meu livro seguinte, The physicist's view of nature, vol. II: the quantum revolution [A natureza segundo o físico, vol. II: a revolução quântica], mostrei que o novo paradigma da ciência (ao qual dou o nome de "ciência dentro da consciência", ou "ciência idealista") pode ser estendido para explicar não só as anomalias da psicologia — normal e paranormal — como também da biologia, da ciência cognitiva e da medicina do corpo e da mente. Esse novo paradigma também integra ciência e espiritualidade, que é o tema do meu livro "A janela Visionária": um guia de iluminação por um físico quântico. Na presente obra, exploro e amplio ainda mais a nova ciência, incorporando a vida após a morte, a reencarnação e a imortalidade."

Amit Goswami - A Física da Alma, Prefácio (cont.)

"Pessoas que voltaram do limiar da morte descrevem suas experiências de quase-morte em termos claramente similares aos empregados no Livro tibetano dos mortos. Além disso, há muitos dados, com suficiente corroboração, confirmando a evocação da memória reencarnatória. O popular — mas controvertido — fenômeno das comunicações mediúnicas (channeling ou "canalização", em inglês) recebeu considerável apoio científico. O fenómeno dos anjos e guias espirituais vivenciado por muitas pessoas, mesmo nesta cultura científica, foi tema de livros e programas de televisão de grande audiência. Embora os cientistas convencionais digam que boa parte desses novos dados é subjetiva ou, mesmo, fraudulenta, na verdade eles representam anomalias para o paradigma materialista, pois, se essas coisas são reais, então a alegação materialista de que "nada existe além da matéria" é diretamente falseada.

Com efeito, a reencarnação e experiências de quase-morte não são os únicos fenómenos anómalos para a ciência materialista. Seus limites estão sendo postos em xeque em diversas frentes. Há problemas de "sinais de pontuação" na evolução biológica, que Steven Gould popularizou; há problemas de morfogênese biológica, que Rupert Sheldrake trouxe à nossa atenção; há problemas de cura mente-corpo, sobre os quais luminares como Deepak Chopra e Larry Dossey escreveram copiosamente. Há anomalias de percepção extra-sensorial e, até, de percepção normal. Nossa criatividade e nossa espiritualidade devem ser consideradas fenómenos anômalos para o paradigma materialista. Mais notável ainda: anomalias e paradoxos da própria física, da física quântica, foram tema de muitos livros recentes."

Amit Goswami - A Física da Alma, Prefácio (cont.)


"Mesmo assim, metade da população mundial crê em religiões que incluem a reencarnação. E ainda mais interessante saber que excelentes dados científicos, em áreas distintas, parecem estar sustentando os modelos reencarnatórios dessas religiões. Em muitas culturas, há livros dos mortos
descrevendo a jornada pós-morte da alma. Entre tais livros, um dos mais famosos é o da cultura tibetana, chamado Livro tibetano dos mortos."

Amit Goswami - A Física da Alma


Agora que o livro "Amor, Liberdade e Solidão" de Osho está quase a chegar ao fim, e antes de prosseguir com algumas obras cujas análises ainda não foram concluídas, irei analisar esta obra de Amit Goswami, uma vez que, desde que tive conhecimento das duas teorias, senti uma verdadeira curiosidade, ainda que alguma dificuldade na compreensão do que nos pretende transmitir.

"Prefácio
O difícil problema da idéia de reencarnação foi resolvido. Alguém interessado?

Os filósofos sempre tropeçaram na hipótese da reencarnação porque não conseguiam perceber como responderiam à pergunta crítica: o que transmigra de um corpo encarnado para outro, de tal modo que se pode dizer que formam ambos uma continuidade, e como isso acontece? A resposta popular de uma alma que transmigra não é astuta, do ponto de vista filosófico, por causa da dualidade envolvida: como a alma não material interage com o corpo físico?

A resposta dada a tais questões por este livro — baseada na física quântica — é científica e filosoficamente satisfatória. Talvez o leitor esteja se perguntando se a reencarnação pode ser científica. A resposta é positiva, como demonstrarei nesta obra. Com um esquema reencarnatório alinhado comnossa ciência, também podemos lidar inteligentemente com a importante busca da imortalidade, que a tantas pessoas excita. Mesmo o fenômeno OVNI começa a fazer sentido desde um prisma científico, conforme poderá ser visto.

A ciência convencional está fundamentada no conceito de que a matéria é o tijolo constitutivo de todas as coisas. A vida, a mente e a consciência, portanto, seriam meros epifenômenos (fenômenos secundários) da matéria. Sob essa ótica, a morte põe fim a todos os epifenômenos que, de algum modo, manifestam-se nos seres vivos. (No entanto, é revelador saber que nenhum dos paradigmas materialistas conseguiu desenvolver modelos satisfatórios para o surgimento da vida, muito menos para a mente ou para a consciência.)

Obviamente, a questão da reencarnação não faz sentido sob esse prisma."

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Amar


Pág.79

“ Porque o amor é compromisso, envolvimento, risco, responsabilidade.”

“O amor tem uma qualidade de promessa associada, compromisso e envolvimento. E o amor tem algo de eternidade em si.”

“O amor é espiritual. (…) O amor nunca é comum – não pode ser, é intrinsecamente extraordinário. Não é deste mundo.”

“Quando diz a uma mulher ou a um homem “Amo-te” está simplesmente a dizer, eu não posso ser enganado pelo teu corpo, eu vi-te. O teu corpo pode envelhecer, mas eu vi o teu eu incorpóreo. Eu vi o teu âmago, o teu núcleo que é “divino”. Gostar é superficial, o amor penetra e alcança o verdadeiro núcleo da pessoa, toca a verdadeira alma do indivíduo.”

“Nenhum amor é comum. O amor não pode ser comum, de outro modo não é amor. Designar o amor como comum é não entender todo o fenómeno de amar. Esta é a diferença entre gostar e amar: gostar é material, amar é espiritual.”

Pág.80

“Quando referi que amor é compromisso (…) Não pretendi dizer que tem de prometer estar lá amanhã, mas a promessa está implícita. Você não tem de prometer, mas a promessa está lá. Essa é a sua complexidade e subtileza.”

“(…) a mente não pode conceber e compreender que existirá um tempo em que você não estará com essa pessoa e que essa pessoa não estará consigo. Isto é compromisso.”

“Se o compromisso está lá, não existe necessidade de um acordo legal. (…) É desnecessário. Porquê ir a tribunal? Deve existir algum medo em si que o amor não seja total.”

Pág.81

“O amanhã nunca entra mente do amor. O amanhã não é concebido; o futuro desaparece, este momento torna-se eternidade. Isto é compromisso.”

“E quando amanhã… é possível que já não estejam juntos, mas não estão a atraiçoar-se. Não estarão a enganar-se, não estarão a mentir.”

Pág.81

“(…) deste momento surge o seguinte; portanto há todas as possibilidades de que vocês possam ficar juntos, Para além do dia de hoje, nasce o amanhã. Não sairá do nada, nascerá do dia de hoje. Se hoje foi de grande amor, o amanhã transportará o mesmo amor. Será uma continuidade. Então há todas as possibilidades de você amar – mas é sempre uma possibilidade de você amar – mas é sempre uma possibilidade. E o amor compreende isso.”

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Fealdade, Beleza e Amor


Pág.76

“A Fealdade continua vestida com a roupa da beleza, disfarçada de Beleza, e a Beleza desloca-se com a indumentária da Fealdade."


Pág.78

“(…) há algo profundamente belo que não é deste mundo, algo que vem de outro mundo. Este amor não pode ser aprendido, mas os obstáculos podem ser removidos.”

“Frequentemente digo para aprenderem a arte do amor, mas o que quero realmente dizer é: aprendam a arte de remover todos os obstáculos ao amor. É um processo pela negativa. É como escavar um poço: você vai removendo muitas camadas de terra, pedras, rochas e, subitamente, surge água. A água esteve sempre lá; era uma corrente subterrânea. Agora que você removeu todas as barreiras, a água está disponível. Assim é o amor: o amor é a corrente subterrânea do seu ser. Ele flui, mas existem tantas rochas, tantas camadas de terra a ser removidas.”

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Despertar


Pág.73

“Pela vossa maneira de viver, quase adormecidos (…) Enquanto dorme precisa do amor de alguém – precisa dele, mesmo sendo falso. Aproveite-o! Não fique ansioso. E tente ficar cada vez mais desperto.”

Pág.74

“Quando está você desperto, um tipo de amor completamente diferente crescerá no seu coração – que é absolutamente verdadeiro, que é parte da eternidade. Mas que não é um a necessidade, é um luxo.”

Pág.75

“As dificuldades têm de ser removidas, os obstáculos têm de ser destruídos – então o amor será o seu ser natural, espontâneo.”

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Amor e Liberdade


Pág.71

“As necessidades estão lá; as pessoas sentem-se sós, elas precisam de alguém que preencha a sua solidão. Chamam-lhe amor. Eles demonstram amor porque essa é a única maneira de prender o outro. O outro também lhe chama amor porque é o único meio de o prender a si.”

Pág.72

“Claro, há a possibilidade de ser amor verdadeiro, mas isso só acontece quando você não precisa de ninguém – essa é a dificuldade.”

“Quando você não precisa de ninguém, quando é totalmente auto-suficiente e quando pode estar só, está feliz e sente-se bem, então o amor é possível.”

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Realidade




Pág.70

“E se é alguém que procura demasiado a realidade, então o amor não é para si. É um sonho, é uma fantasia, é uma ficção – é romance, é poesia. Se procura demasiado a realidade, se é obcecado pela realidade, então o amor não é para si.”

Eu reconheço estas pessoas à distância... podem ser pessoas maravilhosas... mas dão cabo da minha energia... :(

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Amor, Liberdade e Solidão, Osho - Inconsciência


Pág.69

“O amor só irá mostrar quem você é, onde você está. E é bom que o amor o faça ficar alerta – alerta para toda a confusão e caos dentro de si. Agora é tempo para meditar! Se amor e meditação andam juntos, você terá as duas asas, terá equilíbrio.”

“Sem amor, você torna-se inconsciente dos seus problemas.”